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demagogia de bolso

Convencido . Corrompido . Corrosivo .

demagogia de bolso

Convencido . Corrompido . Corrosivo .

Tess Holliday - Gordas na Moda

 

A propósito da notícia de ontem, partilho algo que já tinha dito da primeira vez  que vi este absurdo na imprensa/media:

 

"Puta que pariu este movimento feminista e em prol das minorias. Opa, eu não tenho nada contra gordos e gordas. Não sou. Mas também não sou nenhum Adónis, tenho noção disso. Mas costuma-se dizer: "cada macaco no seu galho". Daqui a pouco, os gordos vão começar a protestar e a dizer que também querem jogar no Real Madrid FC, e que no futebol profissional, não pode haver lugar só para bombados e não sei quê. Opa, querem fazer desfiles de moda com miudas que medem 1.70m e pesem 113 quilos? À vontade, da minha parte tou tranquilo, não sou eu que vou "consumir" isso. Mas, pensem, realmente, se estão a passar uma boa imagem para as jovens mulheres de todo o mundo. É que se por um lado combatem a discriminação do "estereótipo" criado em volta do corpo feminino perfeito. Por outro lado, estão a dizer abertamente que também há beleza em sermos do tamanho de camiões. E note-se, não são camiões daqueles da CamyFrio, com a buzina a vender gelados aos transeuntes. São daqueles TIR's da Volvo em que o Van Damme dá-se ao luxo de fazer a espargata entre dois. E a saúde pública minha gente? É que realmente, esta modelo da foto, transpira saúde. Também deve transpirar os sete Big Mac que comeu antes de fazer a produção. Vamos ser honestos. O que é que há de lindo em ver fotos de mulheres que têm um corpo igual àqueles "lombos" que se encontravam naquele matadouro onde o Rocky Balboa ia treinar antes de lutar com o Apollo Creed? É que em tamanho e peso não deve haver lá grande diferença. Sou totalmente a favor de se combater a "atmosfera anorética" que impera no mundo da moda. Mas não é com isto. Não é passar do 8 ao 8000 (80 seria só num bícep desta). Isto tem tanto de beleza, como o Isaltino, o Valentim e a Fátima têm de inocentes. Eu juro que não consigo perceber. Acho que cada pessoa é livre de se sentir bem da maneira que quiser, seja com 30, 50, ou 450 quilos. Mas não pode é obrigar a sociedade a gostar tambem. Desde quando é que temos de ser obrigados a levar com aquilo que não queremos? É que eu digo abertamente, eu não quero este tipo de mulheres na moda. Nem é que eu seja grande adepto de desfiles e isso, mas no dia em que os Anjos da Victoria Secrets, deixarem de ser anjos e passarem a ser Boeings 747 aposto que as vendas de lingerie vão decair a pique. Quer dizer, a não ser que os pescadores comecem a usar essas peças de roupa interior em renda para servirem de rede para a pesca artesanal. Tou-me a cagar para quem não concorda, ou quem defende este absurdo. Fala-se tanto em combater a obesidade, mas querem pôr a mascote do MacDonalds lá da terra dela a desfilar com Versace, Dior e Givenchys em Milão e Paris não? É que era o que mais faltava. Oh Tess Holliday? Modelo tu? Só se for para guarda-roupas e closets, e mesmo assim tem que ser para aquelas gajas (e até gajos) que compram roupa como quem compra pão para o almoço para uma família de 17 pessoas. Olha camiões a desfilar de lingerie. Bem, ao menos, aposto que o Van Damme a fazer a espargata equilibrava-se melhor nas mamas de duas como esta, do que naqueles camiões. É que nem era preciso efeitos especiais."

 

 

Agora a sério, será que queremos mesmo isto?

 

Ela é pior que gorda. Ela é tipo um T3 só que maior ainda. Porquê? Pergunto-me porque é que alguém haveria de pagar para ver desfiles disto. Isto não passa de um potencial AVC em cima de uns saltos altos e de lingerie. Ela merecia ser vítima de bullying todo o santo dia para deixar de olhar para o espelho e gostar do que vê. 
E não me levem a mal, a minha posição sobre isto é totalmente do lado da saúde dela. Não é que se morresses eu fosse chorar a tua perda, mas tu até és bonita de cara. Eu até te comia se tivesses menos 3 toneladas de peso.

 

Vai lá correr vai. Beijinho.

O Injustiçado Blatter e o Reserva Especial 2015 Minho AAUM

 

Sem surpresa, repito, sem nenhuma surpresa o honesto Blatter foi reeleito para o seu quinto mandato consecutivo à frente da FIFA.

 

Ou seja, durante mais 4 anos o Maradona vai continuar a ser uma persona non grata no mundo do futebol, os votos para Bola de Ouro vão continuar a ser claramente transparentes, a atribuição da organização dos Mundiais de 2018 e 2022 à Rússia e ao Qatar vão continuar sem ser investigados e os alegados casos de corrupção não vão passar disso, alegados casos. 

 

O futebol é mesmo a coisa mais linda do mundo não é?

 

Eu ainda acreditei que o futebol mundial pudesse conhecer um outro caminho, mais reformador, mais revolucionário, mais desportivo e menos empresarial, mais do lado do adepto do que do lado dos presidentes. Acreditei. E depois a minha mãe deu-me duas chapadas e disse-me para não acreditar em coisas que não existem. Mas, falando a sério, pensava que o desfecho pudesse ser diferente quando há dois dias atrás o mundo acordou em polvorosa com a detenção de 7 dirigentes da FIFA e mais uns quantos indiciados. Pensei eu, e milhões de pessoas como eu, que desta vez não havia possibilidade do Blatter desviar-se das "balas". Como se costuma dizer, não dá para ignorar um elefante no meio da sala. Parecia impossível qualquer outro cenário que não a demissão de Blatter, mesmo apesar dele, assim como o seu n.º 2 (Jérôme Valcke), não ter sido formalmente acusado de nada. Só que depois, e este é um "depois" longo porque inclui ameaças de bomba no local onde decorria o Congresso (que pena não ter existido realmente uma bomba e que os fodesse a todos) e desistências de última hora do único adversário (lol), aparece o Sr. Blatter, tal e qual um D. Quixote, do alto do seu palanque proferir autênticos devaneios utópicos do género: "A FIFA no meio disto tudo é a vítima" ou "Nunca ambicionei dinheiro nem poder" e "Lado a lado vamos trabalhar para levar a FIFA e o futebol para a frente". Tão ridículo que até doi.

 

Se juntarmos a isto o "enjoado" Platini a mostrar-se revoltado com o que se passa na FIFA, quando sacode a poeira para debaixo do tapete a poeira que paira na UEFA, apercebemo-nos do calibre hipócrita destes personagens.

 

Pior do que isto tudo, (claro, porque há sempre pior) só mesmo o que vem do nosso país relacionado com este tema. Dois apontamentos:

1.º - Luís Figo como candidato à presidência da FIFA e como paladino da luta pela transparência e pelo combate à corrupção. Ganha vergonha mas é. Se ganhasses aposto que ias ser o Blatterzinho n.º2. Falas em combater a corrupção, mas esqueces-te que o povo tem boa memória. E o caso TagusPark? Não te lembras? Daqueles 750 mil euros que recebeste para dar a cara pelo projeto? Até podes ter sido ilibado, mas onde há fumo há fogo já diziam os antigos. Tu como bastião da luta contra os corrompidos não passas de um Figo podre. É que nem maduro. Por isso, deixa-te estar quietinho aí no teu canto a comer a tua postinha de pescada e a tua sueca e já não é mau. E se um dia precisares de 3 compinchas para jogar (com) a (tua) sueca, avisa-me que eu e mais uns amigos meus de bom grado nos oferecemos para uma tarde bem passada.

 

2.º - O comunicado da FPF após a reeleição do Blatter. Costuma-se também dizer que não se cospe no prato que nos dá de comer. Assim sendo, e mesmo concordando que a reeleição do Blatter é criticável em qualquer lado do mundo, a FPF não tem a legitimidade moral para o fazer quando nem há 4 meses atrás andaram com o Sr. Blatter ao colo a propósito do Centenário da FPF. Ou seja, a FPF parece aquelas pitas que vão para o Facebook publicar estados sobre os amigos: tudo show-off. 

Senhor Fernando Gomes, ganhe vergonha na cara. Você ainda é pior que os políticos, muda de lados como quem muda de camisa. Bastou o Figo acenar com a candidatura à presidência da FIFA (que nem "cojones" teve para a levar até ao fim, ainda por cima quando afirmou várias vezes que não iria desistir, que o senhor, pressentindo um "tachito" mudou logo de lado da barricada, e pior, assumiu uma posição representativa de um país sem consultar os clubes. Ou seja, a FPF emproou-se no alto das suas patentes, esqueceu todos aqueles que representa, chegou à sala bateu na mesa e disse: a minha posição é esta!

Muito bem, mais valia era estar caladinho Sr. Fernando Gomes, e reze a Deus se for religioso, para que agora não sejam os clubes portugueses a pagar a factura destas suas imbecilidades dentro de campo sempre que formos jogar além fronteiras.

 

 

Falando em hipocrisias, e embora já vá um bocado tarde no que toca ao comentário da situação não podia deixar de fazer um paralelismo ou uma comparação:

 

Ouvir o Blatter a falar de combater a corrupção soa tão a hipocrisia, como o Presidente da AAUM, órgão responsável pela organização do Enterro da Gata, ser "apanhado" por uma operação Stop à saída de uma das noites festivas a conduzir sob uma taxa de álcool no sangue de 1,2 g/l. Ou seja, incorrendo em crime já. Com tantos autocarros ali a levar os bêbados todos embora em segurança tem sempre de haver um espertalhão que pensa que é mais que os outros e que arrisca a sua sorte (e a dos outros). Azar dos azares quando esse espertalhão é, nem mais nem menos, o presidente da Associação Académica. Sounds legit!.

 

Caloirada para a época 2015/2016, vêm todos cá para o Minho que a melhor academia de exemplos do país está aqui. A nível praxístico têm uma papisa cujos familiares desconheciam que ainda estudava na Universidade, o que não tem mal nenhum diga-se de passagem, mas é um bocado triste não é? Mas pronto, como no futebol, é bota bombo para a frente.

E depois, temos um presidente da Associação Académica que é um autêntica fora-de-lei, daqueles à filmes hollywoodescos do faroeste, sempre sob a máxima: "Olha para o que eu digo e não para o que eu faço".  Resumindo e concluindo, quanto à primeira temos os Bomboémia, quanto ao segundo, ficamos só pela bóemia mesmo.

 

De qualquer das formas, recomenda-se vivamente o Enterro da Gata, Reserva Especial 2015 Caves do Minho, para uma "pomada" excepcional. Das uvas não sei, mas pelo que me disseram da(o) Videira, é garantidinho que em caso de bufe no balão ganha uma estadia na esquadra. Fácil

 

#EstamosJuntos

Discriminação, Correio da Manhã e Cenas

“A grande vitória do Paulinho é ser a pessoa que é”.

 

Começa assim, o título de mais uma notícia do JN. E eu, leitor ávido que sou, faço aqui desde já um "mea culpa", porque, pensava mesmo que era uma notícia sobre aquele deficiente que trabalha como roupeiro do Sporting. Enganei-me redondamente. Quer dizer, redondamente não, enganei-me só. Mas não totalmente, ainda consegui acertar na parte do deficiente.

 

Este Paulinho de quem fala o JN, é nada mais nada menos do que o campeão mundial dos 1500 metros, e, desde domingo, também o campeão mundial dos 21 kms, ambas para portadores de Síndrome de Down. Mérito à parte do Paulinho. Convém salientar, que mais à frente na notícia é nos dito que este Vigésimo Primeiro Trissómico foi o primeiro atleta portador desta doença a completar 10 kms seguidos. Lá está. Agora percebe-se porque é que é campeão Mundial dos 21 kms. É o único também. Podiam aproveitar e dizer que é o campeão Mundial dos 11 kms, dos 12kms, dos 13kms, dos 14kms e 600 metros, dos 17 kms e 348 metros, e por aí fora. Se assim for, então chegamos à bonita e emocionante conclusão que este Paulinho já ganhou mais títulos que o outro Paulinho do Sporting desde que entrou ao serviço do clube em 1986. Não sei o que é mais triste realmente: ver um mongolóide a babar-se em plena estrada durante 21 kms de marcha em que passa 20 kms abraçado às pessoas ou, ver um deficiente a lavar as "ceroulas" de craques como o Tíui, o Hanuch, o Quiroga ou o Patacas. Acho que é particularmente gravoso o segundo caso, visto que o próprio clube goza com ele, ou não lhe tivessem atríbuido em 2007 o Prémio Stromp na Categoria Especial. E sabem porque é que é gozo? Porque os prémios Stromp existem desde 1963 e o Paulinho concorre todos os anos sozinho e ainda só conseguiu ganhar uma vez. Só por aqui se vê que ele foi mesmo feito para o Sporting. Anos e anos sem nunca ganhar nada.

 

Voltando ao Paulinho maratonista (um grande lol aqui) e citando mais uma vez o título: “A grande vitória do Paulinho é ser a pessoa que é”. Eu não concordo. A grande vitória do Paulinho não é ser a pessoa que é. A grande vitória dele é ter chegado aos 34 anos. A filha da Bibá Pitta já não pode dizer o mesmo porque ainda não sabe se chega lá.

 

E porque é que falo em discriminação? Falo porque o Correio da Manhã não se dignou a escrever duas linhas que fossem sobre este campeão mundial (outro grande lol aqui). Outros jornais também não. E de certeza que o JN só falou porque a pessoa que fez a peça deve ser familiar ou algo do género. Porque na realidade ninguém quer saber se temos o campeão mundial dos 21 kms na Categoria dos Babões que se Riem por Tudo e por Nada. Da mesma maneira que nos fartamos de ganhar medalhas de ouro, prata, bronze, platina, grafite, calcário e mármore em Boccia, e que para 99% da população portuguesa, esses "medalhados" não passam de espécies de vegetais cuja única diferença para uma alface é que conseguem mover a cabeça (e babarem-se como o Paulinho). De referir que os outros 1% à partida devem ser familiares e amigos. Amigos não deles, mas dos familiares, atenção. Tentando agora não me dispersar muito mais sobre o assunto, porque é que isto incomoda? De facto, não incomoda. Mas acho um piadão do caralho, o Correio da Manhã reportarem notícias que ainda menos relevância têm, até do ponto de vista humorístico. Sim, porque "escarrapachar" nos jornais, que um qualquer brasileiro chamado Gilmar morreu queimado porque acendeu um cigarro na cama e adormeceu, só pode ter finalidades ligadas ao humor. De certeza que esta notícia teve o intuito de fazer rir aquela meia dúzia de alentejanos que ali em Serpa se junta mantinalmente a jogar à lerpa naquelas duas mesinhas colocadas no parque municipal. Não consigo descurar outra finalidade.

 

Mas atenção, no Correio da Manhã também se aproveita muita coisa. Por exemplo, a notícia sobre aquele rapazinho que jogava no Alpendorada e que foi vítima de morte súbita. Hoje, graças ao trabalho exaustivo do Correio da Manhã, ficamos a saber que foi o segundo filho daquele casal a falecer por morte súbita. E o mais engraçado, é que tanto este rapaz, como a sua irmã, faleceram ambos em casa de amigos a comemorarem os aniversários destes. Conclusão: se tiverem mais algum filho, não o deixem ter amigos, já ficou provado que o coraçãozinho deles não aguenta a emoção de ter amigos.

 

Também podia comentar o facto de o Correio da Manhã ter um "Polícia da Moda" que arrasou por completo o vestido da Luciana Abreu na Gala dos Globos de Ouro. É só isto, acho que a partir de "Polícia da Moda" apercebemo-nos todos da dimensão do ridículo.

 

Outra notícia de uma extrema relevância social: ficamos todos a saber que em Relva Grande, S. Teotónio, Odemira, o António Domingos foi espancado com um pau por um vizinho por causa de desavenças relativamente a porcos e a terrenos agrícolas. Mais ridículo ainda é ficarmos a saber que este António Domingos era lenhador, ou seja, o facto de ter sido morto à paulada, é mesmo a Morte a mostrar a sua faceta irónica na hora de levar as almas deste mundo. Para acentuar ainda mais, dizem os moradores dali da beira, que tanto a vítima como o agressor eram amigos. A amizade hoje em dia começa a estar demasiado sobrevalorizada. O que foi pena, foi ninguém ter dado a cara, mas enfim, têm medo de represálias. Nunca sabemos se podemos ser os próximos a levar com um ramo de um eucalipto nas trombas.

 

Para terminar este périplo pelo que se passa no meu país, duas notícias sobre condutores de automóveis: o primeiro, trata-se de um militar que, todo bêbado, esbarrou-se contra um sinal em Faro, tendo no entanto saído ileso do acidente. Após soprar ao balão acusou 2,2 g/l, isto às 10 da manhã. Está mais do que claro a "sanção" a aplicar ao sujeito: imediata atribuição de uma medalha de mérito por conseguir estar tão bêbado à hora que eu costumo tomar a minha meia de leite direta, e uma consequente integração naquela lista dos 6000 militares que vão ser promovidos este ano nas Forças Armadas. O segundo caso, tem a ver com um sujeito que foi condenado a 20 meses de prisão efetiva, após ter sido apanhado pela décima terceira vez num espaço de 19 anos a conduzir sem carta. Bem, a melhor pena a aplicar seria obrigá-lo a tirar a carta, mas como pelos vistos ele também não sabe ler torna-se um bocado difícil. Por isso, sinceramente acho que ele não vai aprender lição nenhuma e já o estou mesmo a ver no dia em que terminar de cumprir a sua sentença, assim que sair do estabelecimento prisional, estou a imaginar o guarda a perguntar-lhe:

 

"Então Zé, queres que te chame um Táxi?"

 

"Não, não. Deixa estar. Eu tenho ali o carro estacionado."

Uma Morte Quase Brilhante

Segunda-feira,

Dia 25 de Maio de 2015

 

Já ouviram falar do John Nash? Não? Nem daquele John Nash do Russell Crowe? Também não? Não há problema. Também não estou aqui para vos falar dele. Estou aqui para falar de um sujeito que ouvia vozes e via (ou imaginava) coisas. Óbvio que, lendo assim à partida, poderão pensar que irei vos falar de um qualquer "número" residente no Júlio de Matos. Também não. Podia também fazer uma sentida homenagem à minha terra natal e falar-vos de um qualquer "membro exclusivo" daquele Clube de Elite que é o São João de Deus, mas também não é sobre esses. Pese embora terem todos entre si algo em comum. Foram, ou são ainda, rotulados como tolos, malucos, doidos varridos, esquizofrénicos, paranóicos, dementes, senis, irracionais ou aluados. Temos tantas palavras para "categorizar" aqueles que têm distúrbios mentais. Mas também não quero estar a entrar aqui no domínio técnico, até porque não percebo nada disso. Aquilo que pude aprender, durante anos de observação, dos "tolos" que viviam perto de mim só me permite chegar a uma conclusão: são tolos mas não são burros.

 

E tudo isto para dizer o quê?

 

Para dizer que neste nosso "pequeno" país é tudo vivido ao sabor da temperatura. Não concordam? Têm de concordar. Tivemos um fim de semana completamente preenchido de acontecimentos. E acontecimentos relevantes! Daqueles que acontecem uma vez em muitos anos, e as pessoas simplesmente não se aperceberam porque o Sol lembrou-se de vir com pujança e "roubou" todo o protagonismo da cena. É verdade. Este fim de semana a maioria dos portugueses preferiu, assim, bem pacificamente, jogar à roleta russa com os raios ultra violeta numa qualquer praia da nossa extensa costa lusitana, do que ver tudo o que se passava a partir de cinco quilómetros contados do litoral para o interior (ou seja, da esquerda para a direita, exceptuando aqueles que se encontram no Algarve). Ou seja, as pessoas que se encontravam na praia em Esposende, ignoravam tudo o que se passava de Gemeses para "dentro".

 

Excepção feita aqueles malucos que trocaram a areia nos olhos levantada pelo vento pela terra na boca levantada pelos pneus do Latvala no WRC.

 

Reparem, Portugal este fim de semana quase que se deslocalizou todo para a beira-mar. As praias não foram povoadas, mas sim colonizadas. As pessoas chegavam aos extensos areais ainda de noite, de lanternas na mão à procura do melhor spot para levar com os raios de sol nas "beiças" para depois poderem se gabar a toda a gente que ainda nem chegou o Verão mas que já só precisam do arroz para fazer um arroz de marisco, visto que camarões já eles estão.

 

E porque é que isto é triste? É triste, porque quando isto acontece, a informação gerada por tudo o que se passa no resto do mundo passa-nos ao lado, e os acontecimentos marcantes esfumam-se em pequenas notas de rodapé passadas naqueles jornais dos canais secundários especialistas em mostrar tragédias.

 

E que acontecimentos tão especiais foram esses?

 

Para começar, e começando pelo que de melhor (aqui "melhor" entenda-se num sentido de raro, bizarro, ou surreal) se faz cá no nosso Portugalinho: este fim de semana, um tsunami de desordens bipolares assolou ali aquela zona transmontana de Chaves. Juro. Era vê-los num minuto a deitar foguetes e a rirem-se aos beijos (incluindo beijos homossexuais) e aos abraços. Felizes e contentes, a fazerem juras de amor a pessoas que nunca viram. E um minuto depois, era ver todos a chorar, completamente desolados, o fogueteiro tão triste que já nem fazia a festa, nem lançava os foguetes nem apanhava as canas. A culpa, claramente, que é da Ágata. Ela bem que se mostrou embargada e tristinha com o desfecho do resultado, mas por dentro, entoava alegremente um dos seus muitos "hits", "Agora Chora". Pois bem, agora chorem flavienses, chorem que ninguém vos dá a chucha nem vos dá colinho, nem vos afaga o pêlo. "Estamos" muito concentrados em ganhar cancro na pele ali no Cabedelo.

es 

Outro exemplo do bom que se faz neste país e é massivamente ignorado: a abertura ao público do Museu Nacional dos Coches. Eu sei que estão a pensar o mesmo que eu. "Wooooooooow", Coches!!! Só que não. Mas devíamos todos, coletivamente como sociedade, sentirmo-nos mal por não termos ido fazer o nosso papel cívico de irmos contribuir financeiramente para minorar o desperdício (e o ridículo) que foi investido naquele museu e dar um sentido aquilo. 

 

Para finalizar, as pessoas estavam tão preocupadas em apanhar sol este fim de semana, que houve alguém que conseguiu levar treze facadas à porta de casa em Gaia e ninguém presenciou. E estamos a falar de Gaia, que fica ali mesmo ao pezinho do mar. Só foi descoberto passado algum tempo pela mulher e pelo filho (que não ouviram nada porque ainda deviam ter sargaço nos ouvidos). Resultado: morreu. Com um bocado de sorte morreu não pelos ferimentos mas sim pela solidão e pelo tédio de ter de se esvair em sangue sozinho.

 

E com isto tudo, porque é que eu comecei a falar dos tolos? Bem, porque este fim de semana morreu também um idoso de oitenta e seis anos nos Estados Unidos da América. E porque é que é noticia? Porque a pessoa em causa, era um professor laureado com o Nobel da Economia, que teve uma carreira lectiva brilhante, e um passado revolucionário activo contra instituições psiquiátricas seculares, onde organizava motins e rebeliões para contestar a hora do lanche, ou a excessiva tonalidade branca das paredes. John Nash faleceu aos oitenta e seis anos, vítima de um sinistro automóvel. Era tolo mas não era burro. Via coisas, imaginava pessoas e ouvia vozes. Era tolo mas não era burro. Já o taxista que o levava e ele e à mulher, provavelmente era tolo e burro, faltava-lhe era o atestado a certificar essa condição.

 

John: "Oh mulher, acho que este taxista não é de confiança."

Alicia: "Tomaste a medicação de manhã? Lá estás tu a ver coisas onde elas não existem. Comporta-te. E deixa de te babar."

 

Era uma vez um John Nash e a mulher. Uma mente brilhante. E uma morte quase brilhante. Só não foi, porque ele já estava a ver isto, só que pensava que era só na sua cabeça. Afinal não foi.