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demagogia de bolso

Convencido . Corrompido . Corrosivo .

demagogia de bolso

Convencido . Corrompido . Corrosivo .

Procura-se Treinador de Penaltis

E começa a ser este o nosso fado:

 

"Jogamos como nunca, perdemos como sempre", nos penáltis diga-se.

 

Foi assim na Nova Zelândia, no Mundial de sub20, voltou a ser o mesmo desfecho, na República Checa, no Europeu de sub21. É sintomático, pelos vistos, na Selecção. Não. Não se trata de azar, ou falta de sorte. Não é a estrelinha que não está lá. É a capacidade e o empenho, ou melhor, a falta deles. Um jogo desta dimensão, tem muito mais do que 120 minutos. Tem o tempo que for preciso para trazer a taça para casa. Só que pelos vistos, começa a parecer que ninguém lhes diz isso. Andam todos com os meninos ao colo, fazem deles todos heróis ainda antes de ganharem alguma coisa.

 

E depois, chegados à hora das grandes decisões, é sempre a mesma coisa. "Partimos" para a bola com aquele ar sobranceiro de superioridade, com aquele jeitinho de que é só chutar a bola que isto já está ganho e depois o resultado é o mesmo: vemos os outros a levantar a taça, e nós prostrados no chão a "chorar o morango" como se não houvesse amanhã.

 

Mas o pior de tudo, nem é perder sequer, é ver a arrogância naqueles que já se acham os melhores do mundo e esquecem-se que isso prova-se em campo, e não cá fora. Prova-se com golos e com títulos e não com vitórias morais. Ouve-se sempre aquela máxima: "Só falha quem lá está". Pois bem, dessem-me a oportunidade a mim, e eu mesmo com este joelho direito cheio de artroses e reumático fazia bem melhor que o Guzzo, que o Nuno Santos ou agora que o William Carvalho. Nem que me fodesse todo. Nem que partisse o pé a chutar a bola. Eventualmente até poderia falhar, no entanto, com toda a minha certeza e consciência, garanto que só conseguiria bater o penálti, se tivesse completamente determinado e com confiança. E quando partisse para a bola, iria fazê-lo com a convicção de que era uma situação de vida ou de morte.

 

Agora "craques" como o William Carvalho não precisam. Para quê? Eles já valem 30 e 40 milhões de euros. Já andam nas bocas do mundo. Já são vendidos todos os dias aos melhores clubes de futebol.

 

Pois bem, é bem verdade todo esse "chinfrim" de que voltamos a ter uma "geração de ouro" e que podemos esperar grande coisas destes talentos enquanto futebolistas. Além dessa expectativa toda, só desejo uma coisa, que se façam Homens também, e que respeitem, quer o jogo, quer a bola, quer o adversário e os sonhos de uma nação.

Carta aos meus Amigos

Segunda-feira, 

29 de Junho de 2015

 

 

É sempre difícil começar um texto de agradecimentos, principalmente quando há muita coisa para agradecer e muitas pessoas a quem agradecer. No entanto, esta é a minha tentativa de querer mostrar-vos o que representam para mim. 

 

Reconheço, inclusive para mim próprio, que não sou propriamente a pessoa mais afável do mundo. Sei que sou bastante rigído em muitas coisas, e tenho um pouco a mania de querer "controlar" tudo. É a minha forma de estar, acho eu. O querer ser sempre responsável e certinho, levado ao extremo, pode fazer parecer que eu seja uma pessoa severa, fria e que não se sabe divertir. Sei também que resmungo imenso, e sou praticamente "intolerável" quando toca a discutir. Vocês que me conhecem, sabem que mais vale deixarem-me "levar a bicicleta" do que ficarem simplesmente a teimar comigo. Não que eu tenha sempre razão, mas não viro as costas a nenhuma discussão seja pelo que for. 

 

No entanto, sei também que não sou só defeitos. Embora, se calhar, poucas, qualidades tenho, e, de acordo com aquilo que me é possível deduzir, tenho-as em quantidade suficiente para me fazer valer enquanto pessoa, e, principalmente, enquanto amigo. Vocês que me conhecem, sabem, modéstia à parte, que sou bom amigo, e que me esforço ao máximo para vos dar o melhor de mim, mesmo quando o faço da forma errada, o que leva a "estragar as coisas" muitas vezes. Devo ser, provavelmente, das pessoas com melhores intenções no mundo, para toda a gente. Amigos ou não. No entanto, peco por alguma ingenuidade e inocência na hora de expressar essas boas intenções. Sei que o meu sentido de humor, bastante por sinal, negro também me deixa muitas vezes em xeque. Há sempre aqueles momentos, em que aquela piada não foi dita no timing correcto, ou a minha forma de racionalizar humoristicamente as coisas também não cai muito bem no goto das pessoas. É normal, acho eu, e assumo plena responsabilidade por isso. 

 

Mas o que me deixa orgulhoso e de coração cheio é saber que posso contar convosco e que vos tenho na minha vida. Não há nada que me deixe mais feliz, do que partilhar aquilo que é meu convosco. Não há melhor noite do que aquelas passadas na vossa companhia. Aquilo que eu, porventura, vos posso dar, retribuem-me vocês em quantidades dez vezes superiores em forma de um abraço ou um sorriso. E receber-vos em minha casa, para festejarem e celebrarem comigo (ainda que mais de um mês depois) uma data que me é importante, como é o meu aniversário, só me pode deixar a transbordar de alegria.

 

Por isso, quero agradecer:

 

Ao Dany. Por uma amizade infindável. Por seres o meu parceiro, o meu irmão, o meu camarada, o meu sô 04. Desde que me conheço que te conheço a ti. E em 23 anos de existência, levo 20 anos da tua amizade. A minha infância é preenchida por momentos nossos. Em putos, no jardim de infância mascarados de árvores, nos carnavais, nas brincadeiras, na tua casa. Crescemos, moldamo-nos enquanto pessoas, tornamo-nos adultos. Mas permanecemos os mesmos de sempre aos olhos um do outro. Hás de ser sempre um irmão para mim, na verdadeira e mais pura acepção da palavra.

 

Ao Vasco. Por seres a pessoa mais verdadeira que eu conheço. Por seres a pessoa que mais valor dá a uma amizade. Por seres aquele que melhor descreve o que é ser "Amigo" de alguém. E por Deus, ou quem for o caralho que manda nesta merda toda, ter conseguido reunir estas qualidades no monte de esterco que tu és. "Aaaahh filho de uma grande puta, vai ser paneleiro à puta que te pariu oh filho da puuuuuutaaaa". És o gajo mais improvável de todos. Nunca vi ninguém tão agressivo, excessivamente mal educado e ao mesmo tempo cheio de valores e princípios. Devias ser fechado num filho da puta de um laboratório e seres estudado como os macacos. Realmente, com uma fronha dessa parecido a eles já és.

 

Ao Cunha. Por seres um perfeito anormal. E por seres o perfeito anormal mais responsável que eu conheço. Para ti não existe a palavra "Não", pelo menos quando dita da seguinte forma: "Oh Cunha, NÃO és gajo de ir à beira daquela gaja e chamar lhe puta", "Oh Cunha, queria te ver Homem de pegares numa pedra e foderes um vidro". Tu és aquele que testa os limites dos impossíveis. Também és o gajo que me arranja o pc sempre que eu preciso, o que também não é mau. És o companheiro de todos os momentos, aquele que nunca falha, e que está sempre disponível para fazer qualquer merda. Se há amizades que duram 24 horas por dia, a tua de certeza que é uma delas.

 

À Paulinha. O facto de seres a minha ex-namorada, ainda causa estranheza a muita gente. "Não percebo como é que podem ter acabado e continuarem a dar-se tão bem". Continuem sem perceber, não vos devo justificações. Mas a ti, Paulinha, devo. És das melhores pessoas que eu conheço. Compensas as tuas falhas (principalmente intelectuais, embora leias muitos artigos, e matemáticas, no que toca a contar moedas de um euro), com um sentido de dever e lealdade excepcionais. O teu empenho e dedicação, por vezes, só me fazem sentir envergonhado. Sei que o teu "amor" por mim é incondicional assim como o meu por ti. Embora te falhe muitas vezes, e nem sempre demonstre o quanto gosto de ti. Sabes que és das pessoas mias importantes da minha vida, e a tua amizade, além de todas as recordações, é dos laços que mais prezo.

 

À Lúcia. Por seres a minha alma gémea. A pessoa que melhor me conhece. A pessoa que está quase como "telepaticamente" ligada a mim. Já te disse mais do que uma vez, que para mim, és o maior exemplo da minha vida a seguir. Os teus valores e princípios. Aquilo que defendes. Aquilo que te fascina. Aquilo que fazes. Tudo o que a ti te diz respeito, provoca em mim dois sentimentos: orgulho e admiração. E não consigo quantificar nem um nem outro. É muito mais que muito. Embora, possa parecer um pouco injusto para todos os outros, é com extrema sinceridade, modéstia e objetividade que digo que és a melhor pessoa que eu conheço. Se é graças aos meus amigos que me torno melhor pessoa, então, cabe-te a ti grande parte dessa responsabilidade.

 

À Sara e à Anabela. "A nossa amizade não está sujeita a prescrições nem caducidades". Foram, sem dúvida, das melhores (e realmente poucas, e ainda bem, aumenta o valor que vos dou) coisas que a vida académica que Braga me deu. O meu (eventual) sucesso profissional, estará intimamente ligado à vossa paciência, generosidade, ombridade, lealdade, empenho e amor. O amor que vos tenho, assim como a admiração e o dever de lealdade, é a minha "pouca" forma de tentar todos os dias retribuir tudo aquilo que me dão. Se o meu coração é grande, o vosso é enorme. Se o meu for enorme, o vosso é imenso. Mas, mesmo que, porventura, o meu coração, pequeno ele fosse, haveria sempre espaço lá para vocês as duas.

 

À Graciela. Meu amor perfeito. Sei que, sem sombra de dúvida, vejo qualidades onde muitos outros vêem defeitos. E todos aqueles defeitos que te possam apontar, não são, nada mais nada menos, do que a tua maneira de ser. Para mim, que te conheço verdadeiramente, e sei a "verdade" da tua pessoa, posso com toda a certeza afirmar: és melhor pessoa do que 90% das pessoas pensa, se calhar até do que tu pensas muitas vezes. Somos amigos há anos. Muitos anos. E mesmo assim, todos os dias me dás mais e mais a conhecer de ti. Só te posso agradecer por isso, e por fazeres parte da minha vida e deixares me que faça parte da tua. Até podem dizer que sou eu que não sou exigente. Mas, a realidade, sendo exigente ou não, sempre que precisei estiveste lá para mim. Basta-me isto. E basta-me ter-te na minha vida.

 

Ao Henrique. Por estares lá desde a primeira hora. Por seres dos resistentes. Por seres dos que não abandonam o barco. E, realmente, por seres aquele tipo de amigo que chega a tua casa e ainda te dá ordens. Aquele que come o que é teu e ainda reclama contigo. Não tenho muito de positivo para dizer acerca da tua pessoa na realidade. Desculpa Henrique. Amigos para sempre à mesma.

 

À Celina. Agradeço-te essencialmente por duas coisas: pela tua imparcialidade e pelos sonhos que já tive com as tuas mamas. Tirando isso, acho que deves ser das pessoas mais parecidas comigo que conheço, excluindo claro está o meu lado conflituoso.Tens muito mais valor do que aquele que te dão, incluindo eu próprio. És aquela amiga que muitas vezes nem damos por ela, mas que está lá sempre. Manténs-te nos bastidores, discreta e atenta. Mas, embora até possa deixar parecer muitas vezes, a realidade no entanto, é que tu para mim tens um valor inestimável. E agradeço-te todos os conselhos e sabedoria que me dás.

 

À Rita (Pinto). Por seres a minha pequena estrela. Por seres a pessoa mais fofa e adorável que conheço. Por teres o dom de tornares as pessoas melhores. Pelo teu sorriso, pelos abraços super apertados e pelos milhões de beijos. Num sentido artístico, e até literal, dás bastante cor e brilho à minha vida e à minha pessoa. Estou eternamente agradecido a "quem" te colocou no meu caminho. Sabes que gosto "milhões" de ti. Sou um padrinho babado, e tu dás me todos os motivos para assim ser. 

 

Ao Ximi. Ou André se preferires. Por seres o gajo mais genuíno que eu conheço. Por estares sempre bem disposto. Por seres a pessoa que mais facilmente me põe a rir, mesmo que seja de algo completamente idiota e sem sentido. O meu humor negro encontrou em ti um aliado de peso. Só tu para me fazeres rir com um puto com paralisia cerebral a fazer de conta que estava no Titanic ou com feitiçaria negra e voodoos para fazerem crescer o cabelo no seio das tribos africanas. Aplica-se a máxima que tu, bêbado de preferência, tantas vezes dizes: "Não há cá misericórdias". Pois, não há Ximi, realmente não há, e não tenho nenhuma misericórdia para todos aqueles que não conseguem ver em ti o mesmo que eu vejo. Alguém extremamente afável, sociável, genuíno e bem disposto. Ou seja, tudo aquilo que alguém pode querer num parceiro de copos. E tu és sem dúvida o melhor parceiro de copos que eu tenha. Mesmo que sejas tu a beber o teu e o meu.

 

À Rita (Sousa). Por seres das melhores surpresas que me aconteceram na vida. Sinto como se te conhecesse desde sempre, e gosto de ti como se gostasse desde sempre. Entraste de mansinho na minha vida, para aí reclamares o teu espaço e a tua importância. E sim, és extremamente importante para a manutenção do meu bem estar e da minha felicidade. A única coisa que odeio, é a distância física que nos separa, que impossibilita-me estar contigo tantas vezes como gostaria. No entanto, cada momento passado contigo comporta meses e anos de verdadeiro amor.

 

À Mariana. Se eu tivesse uma irmã mais nova, serias tu de certeza. Mas é como se já fosses. Fazes parte tanto da minha família, como eu sei que faço parte da tua. Acolheste-me e abriste-me a porta da tua vida, como se realmente fosse teu irmão. E o incondicional amor que me dás deixa-me eternamente agradecido por te ter na minha vida. Guardo e guardarei para sempre todos os bons momentos passados contigo, com o único desejo de poder vir a passar ainda muitos mais momentos deses contigo.  

 

À Diana (Real). Por mesmo, sem dar conta disso, teres marcado a minha vida nos últimos 7 anos. Guardo na memória como se fosse ontem, o primeiro dia em que falamos, ou quando nos conhecemos. Guardo na memória as horas infindáveis de conversas que tínhamos, falando de tudo e de nada. Ambos com igual importância. Eras das pessoas com quem menos tinha oportunidade de estar, no entanto, o tempo acabou por encarregar-se de resolver isso e trouxe-te para mais perto de mim. Não que a amizade não estivesse lá, mas confesso que me alegra muito mais ter-te mais presente na minha vida. Nunca me faltaste com um sorriso, com uma palavra amiga, um pequeno gesto que fosse. Pequenos gestos que marcam, e que me acompanham há já muito tempo, e que tenho a certeza irão continuar a acompanhar-me por muito tempo.

 

Ao Jorge, ao Santos, ao João Carlos, ao Chihuauha, ao Rui, ao Rafa e ao Bruninho. Por serem a minha "malta". Por serem os camaradas de todas as horas, juntamente com os animais do Cunha, do Vasco e do Ximi. A todos vós, vos devo muito. E de todos vós tenho histórias e momentos para contar, de muitas horas passadas juntos. Para onde for, levo-vos comigo. São a minha "família", não tenham dúvidas disso.

 

À Ana e à Inês (Caleiro). Foi na chocolateria que tudo começou é verdade. Mas os verdadeiros "chocolates" são vocês. Sabem que gosto imenso de vocês, e que vos admiro, tanto uma como outra, profundamente por tudo aquilo que representam para mim. Sendo vós mais velhas do que eu, não posso deixar de vos agradecer além dos diferentes pontos de vista sobre as mais variadas coisas, a maturidade, a sabedoria, a generosidade e a infindável paciência que têm para comigo. Embora, o tempo que passamos juntos tenha-se tornado mais escasso, não estreitou nem enfraqueceu o valor que vocês e a vossa amizade têm para mim.

 

À Diana (Araújo) e ao TT. Há quem faça amizades graças à praxe. Não é este o caso. Até pode ter ajudado, mas não é o caso. Vocês fazem parte daquela mão cheia (não devem ser muitos mais) de pessoas que levo comigo da minha vida académica. Quanto a ti Dii, além de seres, sem sombra de dúvida, a pessoa mais doce que eu conheço, és a total antítese de mim. Se eu sou a tempestade, és sem dúvida a calmia. E onde eu exagero, e por vezes sou bruto, tu és serena e só tens palavras doces e gentis. Disse e digo muitas vezes, que és a rapariga de sonho da maioria dos rapazes, e eu sinto-me um felizardo por ter o prazer de te ter conhecido e te ter na minha vida. Quanto a ti TT, és o parceiro de combate e de guerra (na caça aos pombos). Contigo é sempre para #DarTudo. Se um de nós sozinho já é dose, então juntos a escala arrebenta. Um mata e o outro esfola. És um bom amigo e só te tenho a agradecer por isso.

 

À Cathy, à Andrea, à Cristiana, à Renata e às Dianas (Borges e Torres). Não é por serem só namoradas de amigos meus que fazem parte da minha vida. Nada disso, também vocês, por direito próprio, fazem parte da minha vida. E só tenho de vos agradecer por essa presença. Obviamente que, tendo mais contacto com umas do que outras, possa existir mais afinidades com A ou B, não deixam de, todas vós, terem um lugar só vosso na minha vida. Um aparte aqui à Renata, que embora estejas longe de momento, estarás sempre perto. E além de te agradecer pela amizade, e pelo carinho que me tens, também te quero agradecer, como amigo dele, por cuidares do Vasco e o fazeres feliz.

 

À Isabel. Por seres a maior prova viva, de que todos nós merecemos segundas oportunidades. Tu deste-me essa oportunidade e estou-te eternamente grato. A vida dá muitas voltas, e agradeço que de tantas voltas que a minha vida à volta deu, na volta trouxe-te para junto de mim outra vez. Percebes-me melhor do que muita gente, e eu percebo-te melhor do que muita gente. O teu ar gingão e popstar são 1% da imensidão que és e não mostra o enorme coração que tens. Mas eu sei que ele está aí, por debaixo desse macacão azul e dessa pele cor de "caramelo chocolate" à custa de muito solário. És muito mais do que aquilo que mostras, e ainda bem que tenho a oportunidade de poder ver por "debaixo" disso.

 

À Catarina. Por seres, hoje e sempre, a minha "becas". Por me dares o teu amor incondicionalmente, mesmo que a mais de 300 kms de distância. És o único motivo que me faz ter vontade de ir a Lisboa, embora prefira sempre que venhas antes tu ter comigo cá acima. És, com toda a certeza, dos grandes amores da minha vida, por tudo aquilo que és, e sabes que és, para mim. A minha casa é a tua casa. Sempre foi, é e sempre será.

 

À Inês (Silva), às Danielas (Mendes Silva e Carvalho), ao Chico, ao Beninho, à Fanny, à Melody, à Diana (Miranda), às Joanas (Sousa e Sousa Pinto), ao Pikasso, e mais alguns que posso não estar a recordar agora. Obrigado também a vocês, que de uma maneira ou de outra, deram-me o privilégio de poder considerar-vos amigos. Das mais variadas formas medidas, os laços que nos unem vão se solidificando, permitindo-me a mim desfrutar da vossa presença na minha vida, aprendendo convosco, partilhando convosco, divertindo-me convosco e passando bons momentos convosco. Uns há já muitos anos (Beninho, Melody, Diana, Joana Sousa), outros há relativamente pouco tempo (Chico, Inês, Joana Sousa Pinto), no entanto, as amizades mais do que uma cronologia, ou melhor dito, uma marca de quantidade, importa sim a qualidade intrinseca do laço que nos une. E em todos vós, vejo e revejo qualidade. Qualidade de Amigo na melhor e mais verdadeira acepção da palavra. E por isso, estou-vos eternamente grato.

 

À Joana (Mota ou Ferreira, ou como ela quiser ou mandar). Por tudo aquilo que sempre foste para mim, mesmo não o tendo reconhecido em devida altura. Ter-te na minha vida, é mais do que prémio suficiente. E o desafio que é aturar-te, assim como o teu feitio, é para mim a maior satisfação. Quando estás presente, por muito mau que esteja a ser o dia, torna-se instantaneamente melhor. É um poder que tens sobre mim, acho eu. E ainda bem, conserva-o por favor. A minha felicidade agradece.

 

 

Agradeço também a todas aquelas pessoas que em dados momentos da minha vida foram parte dela, e exerceram em mim grande influência e também foram em certa medida responsáveis pelo que sou hoje. As circunstâncias da vida, momentos menos bons de ambas as partes, levaram a que nos afastassemos. A vida é mesmo assim, acho eu, feita de amores e desamores. E mesmo que a porta esteja fechada para muitas dessas pessoas, assim como muitas portas se fecharão para mim, o amanhã será sempre diferente, mas, espero conservar boa memória para, apesar de tudo, poder agradecer-vos todos os bons momentos passados, e todas as memórias de partilhas que ficam. A vossa importância pode já não relevar  mas não se encontra, nem nunca será, esquecida.

 

 

Espero que estas parcas palavras, vãs na tentativa de exprimir tudo aquilo que vocês, meus amigos, representam para mim, tenham tido o condão de vos colocar um sorriso nos lábios. Pelo menos um parecido, com aquele que estou agora, ao recordar e evocar as minhas velhas e boas memórias passadas convosco.

 

Para sempre vosso amigo

Pedro Pereira

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Revisitando o passado. Vivendo o presente. Desejando o futuro.

Manuel Alegre, num dos seus inúmeros e magníficos poemas declamava assim:
 
"Vou deixar este livro. Adeus.
Aqui morei nas ruas infinitas.
Adeus meu bairro página branca
onde morri onde nasci algumas vezes.

Adeus palavras comboios
adeus navio. De ti povo
não me despeço. Vou contigo.
Adeus meu bairro versos ventos.

Não voltarei a Nambuangongo
onde tu meu amor não viste nada. Adeus
camaradas dos campos de batalha.
Parto sem ti Pedro Soldado.

Tu Rapariga do País de Abril
tu vens comigo. Não te esqueças
da primavera. Vamos soltar
a primavera no País de Abril.

Livro: meu suor meu sangue
aqui te deixo no cimo da pátria
Meto a viola debaixo do braço
e viro a página. Adeus."
 
 
Este é o nosso legado. 40 anos após a liberdade, observando agora de longe, chegamos à conclusão que aquele 25 de Abril, não foi mais do que um acontecimento natural. Não querendo com isto mitigar ou desvalorizar o valor que o momento tem, nada disso. Mas a realidade, é que os grandes feitos democráticos quando analisados muito posteriormente, representam nada mais do que o evoluir das sociedades e do que pensam as sociedades. É claro que o momento de ruptura é sempre um marco, principalmente quando essa ruptura se dá da forma como se deu o 25 de Abril, através de um golpe de estado. Pacífico, mas um golpe de estado. 
 
Ora, estes marcos vão se sucedendo no tempo. Citando desde o 25 de Abril, podemos citar exemplos como: a queda do muro de Berlim, o fim da guerra na antiga Jugoslávia, a independência do Kosovo, ou o fim da luta armada do IRA ou da ETA. 
 
Óbvio, que estes momentos históricos não são todos exclusivamente de caracter político/bélico. Fez-se história em tantos lados e sobre tantas coisas: a legalização do aborto assim como o casamento homossexual em Portugal, o referendo pró-independência de regiões como a Catalunha ou o País Basco, a luta pela educação de uma rapariga (Malala) num país como o Paquistão, etc.
 
E podia dar aqui mais mil e um exemplos.
 
No entanto, o ontem, fica marcado por mais um passo enorme na valorização da dignidade humana e na concepção de que somos todos iguais não importa a raça, o sexo, a religão, a idade ou a orientação sexual. O Supremo Tribunal dos EUA aprovou o casamento entre pessoas do mesmo sexo em todos os seus 50 estados. Recuperando as palavras de Neil Armstrong quando pisou a superfície lunar pela primeira vez:
 
- "That's one small step for a man, one giant leap for mankind"
 
 
Então porquê citar Manuel Alegre e um poema onde se encontra patenteada a dor de ter de deixar a pátria para lutar no exílio e na clandestinidade por um futuro melhor?
 
Porque, toda a nossa vida é marcada por três medidas: o que vivemos no passado, o que recebemos no presente e o que esperamos do futuro.
 
E se Portugal, hoje, se pode orgulhar da despenalização do aborto ou do casamento entre pessoas do mesmo sexo, como exemplos do valor constitucionalmente consagrado e protegido do ser humano enquanto pessoa e cidadão, foi muito à custa do sangue, suor e lágrimas de quem muito lutou, muito sacrificou e de muito abdicou no passado, como foi o caso, entre muitos, de Manuel Alegre, que, apenas sonhando com um (seu) futuro melhor, garantiu-me, a mim, um presente melhor. Daí que só me possa ser exigido, nada mais nada menos, do que fazer sempre mais e melhor, para daqui a 40 ou 50 anos, estar alguém deste lado a escrever as mesmas palavras que eu.
 

Quem salvaguarda o meu futuro?

Há bocadinho, ouvindo atentamente a entrevista a António Costa, dei por mim a concordar com muitas coisas do que ele dizia. Estava, a meu entender, com um discurso coerente e bastante modesto até. Só que depois fiquei com medo. A partir do momento em que ele diz e passo a citar: "Já deu para ver que este modelo de austeridade fracassou. Basta de experimentalismos. Temos de voltar ao básico." Confesso que fiquei apavorado. Mesmo não concordado com o modelo actual, em muitos pontos, digam-me, não foi o básico que nos levou até aqui? E não distingo lados, seja direita ou esquerda. Daquilo que vejo, e essencialmente me lembro, foi o caminho "básico" levado pelos governos de outrora que nos trouxeram à situação insustentável que este Governo herdou, e atenção, que o Governo anterior do N.º44, não é o maior culpado. Acredito piamente, que também eles tentaram colocar um travão, só que lá está, não dava para parar a carruagem com o modelo "básico". Agora, andamos a pagar os erros cometidos pelos governos anteriores, quer da direita e da esquerda repito, no entanto, o povo tem a memória curta, e como tal o N.º44 é visto como o Diabo, mas não é. Os piores são aqueles que agora apontam o dedo e que na altura deles podiam ter evitado a calamidade em que nos encontramos agora. Eles sabem quem são: Ferreira Leite, Bagão Félix, G. de Oliveira Martins, Teixeira dos Santos, o falecido Sousa Franco, Eduardo Catroga, Manuel Pinho, Jardim Gonçalves, Ricardo Salgado, entre tantos outros. Tantos que ao longo dos anos, ocuparam cargos governamentais, institucionais, posições chave no sector da banca. Já para não falar de autarcas agarrados ao poder quais autênticos Salazares, ou então dos lobbys de grandes escritórios de advocacia. É vê-los em todo o lado. Até no Sindicatos, símbolos da resistência, e da vitória do povo sobre os regimes, mas que mesmo assim tinha o mesmo líder há mais de 30 anos. Portugal, continua e há-de continuar a ser o País de Salazar e de Cunhal, da direita e da esquerda, do PS e do PSD, como o futebol é do Ronaldo e do Messi. A obrigação e o dever de "lutarem" e governarem pelo bem superior de um povo, que se exausta diariamente na tentativa vã de dar um rumo melhor aos seus filhos e netos, esbarra nos conflitos de interesses, nos debates demagógicos, nas moções de confiança, nos acordos bilaterais, nas PPP's, nos "swaps", nas holdings, nos bolsos do "Rei" de Angola, e em tantos outros cantos recônditos, onde a luz da opinião pública não chega, e assim, com as "negociatas" de bastidores a ocorrerem de modo continuado e perpétuo, lá vamos nós caminhando para mais umas eleições legislativas. As campanhas estão à porta, e todos eles, quais vampiros com os dentes afiados, ultimam a estratégia para enganar o povo mais uma vez. O Passos Coelho não é a solução. O António Costa não é a solução. Nem o Portas, nem o Jerónimo, nem nenhum dos cerca de 230 deputados que por lá andam a apostar o nosso futuro. A solução não tem nome, nem partido, nem orientação política. Desengane-se quem pensa o contrário. A solução não pode passar por isso. A solução só podem ser valores, e os valores estão em nós, no nosso sangue, e temos de os trazer cá para fora: sacrifício, honradez, seriedade, transparência, e acima de tudo, acima de qualquer um destes, COMPROMISSO. Compromisso com aqueles a quem devemos. Compromisso com aqueles que nos devem. Compromisso com quem nos ajuda e nos pede ajuda. Compromissos com os PALOP, não com famílias ricas de Angola (Van Dúnen e Dos Santos). Compromissos com a União Europeia e os seus estados-membros, não com as ideias da Merkel ou com os améns de Junckers e outros que por lá andam. E compromissos com o povo português. Compromisso com os portugueses, não só com aqueles que moram ali ao pé do Terreiro do Paço, ou perto dos Aliados, mas com os portugueses de Vila Praia de Âncora, da Régua, de Valpaços, de Serpa, de Vila Velha de Ródão, de Satão, de Olhão, da Marinha Grande, de Freixo de Espada à Cinta. Mas não só estes. não esquecer os portugueses de New Jersey, de Toronto, de Paris, do Luxemburgo, de todos os cantões da Suíça, dos que restam em Macau, dos que já partiram para Angola, Moçambique e Cabo Verde.

Em todo o lado do mundo onde houver um português, há um dever e uma obrigação incindível e inquebrável de quem nos governa, de zelar pelos seus melhores interesses, e fazer tudo o que está ao alcance para que o "povo", esta grande enchente, esta grande moldura humana, esta raça mística de gente, continue mais do que feliz, a sentir orgulho de ser português. Porque podem nos tirar tudo, menos o orgulho de ser português. E este orgulho, está nas páginas de Saramago, nos fados de Amália e do Carlos do Carmo, nos golos do Ronaldo e do Eusébio, no Abril de Salgado Maia, nos poemas de Manuel Alegre, no ouro da Rosa Mota e do Carlos Lopes, na bicicleta de Joaquim Agostinho, nas conquistas do Benfica e do Porto, nas palavras de Fernando Pessoa, nas investigações de António Damásio, na contestação da Catarina Eufémia, nos filmes de Manoel Oliveira, na sabedoria de José Hermano de Saraiva, no riso de Raúl Solnado, nas caravelas de Vasco da Gama, nas acções de Aristides de Sousa Mendes, nas canções de Zeca Afonso, nos sermões do Padre António Vieira, na guitarra de Carlos Paredes, nos autos de Gil Vicente, nos poemas de Bocage, nos quadros da Paula Rego, nas construções de Siza Vieira e na pena de Camões.

Se podemos ter orgulho em todas estas figuras, porque não podemos ter também orgulho em quem nos governa? Custa muito "servir" o povo? Portugal não é a Assembleia da República, nem é Lisboa. Portugal somos mais de 10 milhões por todo mundo fora. Portugal é um jardim plantado à beira-mar.


Camões escrevia:

"As armas e os barões assinalados
Que da Ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca dantes navegados
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados
Mais do que prometia a força humana
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram"


Já fomos tanto, e agora somos tão pouco.
Não está na hora de querermos mais? Sermos mais? Fazermos mais?


Eu não quero um Passos Coelho. Não quero um António Costa. Nem quero outro qualquer. Quero um futuro. Quero um futuro em e para Portugal. É só isso que eu peço. E é por isso que eu voto.

É pedir demais?

(Não) Somos todos João Almiro

A propósito da reportagem especial da TVI, transmitida ontem à noite, só queria dizer que, durante cerca de 30 minutos, também eu voei. "Até voares", era o nome dado à peça, mas, muito mais do que um título, muito mais do que uma mensagem, era uma chamada de atenção, um apontar o dedo até se quisermos. E o dedo foi-me apontado a mim. Senti isso a ver a reportagem, as palavras de João Almiro a ecoarem-me na cabeça: "E tu? O que fizeste hoje de que te possas orgulhar?". 

 

A realidade daquelas imagens, transpôs para o interior das nossas casas a realidade, nua e crua, daquilo que nós, pessoas, somos na sociedade:

- ou aflitos, pobres diabos;

- ou alguém com poderes de ajudar os aflitos, os pobres diabos;

 

Como é que alguém com tão pouco consegue fazer tanto? É a pergunta que se impõe. Não preciso de estar aqui a escalotear a Segurança Social, já bastou ontem o dedo ser colocado na ferida pelo próprio. Faz falta mais coração, mais vontade, mais dedicação e mais amor. 

Ainda me custa apreender a dimensão daquela vida, daquele "doutor" de 89 anos que abdicou de tudo, que abdicou de si (do seu bem estar), em prol dos outros. E que passou a retirar da felicidade que proporciona motivos para continuar a querer fazer mais e melhor. 

 

"Também eu matava essas pessoas, no lugar dele" - ouvimos-lo a dizer a certa altura. Não, não é da boca para fora. E não, também não é com ódio que é dito. É sim com sinceridade, com pragmatismo até, mas acima de tudo, é dito com sabedoria. Sabedoria de quem é sabedor do quanto é dura a puta da vida. 

 

"Não há conta num banco que pague o amor que me dão" . "Quando eu morrer, levo o caixão cheio de amor". Leva sim senhor. De amor e gratidão. E agora não só dos pobres diabos que acolhe. Mas daqueles que viram, que passaram a conhecer. Não há finais felizes se não fizermos por isso, a prova está aqui. Na abnegação, no espírito de sacrifício, no altruismo. Todos sabemos que a vida é madrasta. Todos sabemos que a realidade sabe ser severa. E o mal que fazemos, pagamos neste mundo não em nenhum outro.

 

Somos todos pobres diabos que cá andamos. 

Mais pobres ainda se podíamos fazer algo para ajudar um irmão e não o fizemos.

 

- "[Tenho] ânsia de morrer. Estou cansado, preciso de descansar. Mas não os queria abandonar."

 

Só pensa assim quem tem a clarividência, a humildade, e o saber intrinseco de que, quando a hora chegar, partem deste mundo como vieram, mas, com a certeza e a satisfação de que deixaram um mundo melhor do que aquele que encontraram quando cá chegaram.

 

#DevíamosSerTodosJoãoAlmiro

 

Os Interessantes - Isabel

Isabel tinha tudo para ser astronauta. Já vivia constantemente na lua, por isso não teria problemas de adaptação ao espaço. No entanto, essa não era a sua vontade.

 

Isabel era uma rapariga normal, não como as outras, mas, no meio de tantas outras, outras tantas no meio de outras, e no meio destas, não tantas outras, mas apenas ela. Era uma rapariga normal sem, no entanto, deixar de ser diferente. Quanto mais igual às outras ficava, mais destoava no meio delas. Tudo bem que meses de solário e calções curtinhos de bombazine fazem com que te destaques em qualquer lado, mas não era esse o caso de Isabel.

 

Isabel tinha sonhos. Sonhava todas as noites com alguma coisa. Nunca lhe disseram foi que só sonhar a dormir não conta nem chega para nada. Mas Isabel sonhava, e, entre as noites e os sonhos sonhados, germinavam as ideias do que iria ser Isabel no dia seguinte ao acordar. Todos os amanhãs eram um novo amanhã, um amanhã diferente. E o amanhã de ontem, não seria igual ao amanhã de hoje, nem este seria igual ao amanhã de amanhã. Isabel não sabia disto, não desta forma, Isabel limitava-se a sonhar.

 

Isabel era apressada. E distraída. E aluada. E despassarada. Tudo a mesma coisa, tudo Isabel. Às vezes chegava a ser rídicula até. O seu mundo, presentemente, e à parte de todo o resto do mundo, era constituído por princípes, fadas, castelos, dragões e Direito da Família. Os primeiros quatro por teimosia dela, o último por teimosia da professora dela. Mas Isabel não desistia. Embora vontade tivesse muitas vezes a sua teimosia não a deixava ir em frente e voltar para trás. Para trás nos sonhos que ela sonhava. O segredo estava em não se preocupar. Às preocupações seriam só para as coisas más mesmo sérias, aqueles problemas irremediáveis com que se deparava no seu dia a dia: "Onde raio é que pus o meu piercing falso do nariz? Não posso sair de casa sem ele. Não quero." (entretanto já a chorar) "Porquê? Porque é que tenho não consigo marcação para o solário hoje? Oh mãeeeeeeeeeeeeeee, ajuda-me!"

 

Mas a mãe de Isabel não ajudava. Era díficil também visto que Isabel era adoptada. Mas nisso tinha orgulho, fizeram um bom trabalho com ela, e ela tinha feito um bom trabalho consigo própria em relação a isso, daí ninguém tirando os seus íntimos sequer imaginarem a adoptividade da sua pessoa. Ontem mesmo, ao dar uma esmola a um peditório, foi agraciada com um elogio pela senhora que fazia a colecta de fundos (basicamente "estava" a comprar umas palavras de apreço, mesmo tendo o feito de livre e espontânea vontade e de coração cheio): "Continue assim menina, cheia de valores". Ela sorriu para a senhora.

 

E depois riu-se para mim: "Sou adoptada tipo?"

 

E eu ria-me para ela: "Valores tu? Só se for na carteira."

 

Mas Isabel tinha valores sim senhor. Agora a questão de saber se estes valores eram próprios ou comuns é outra discussão, mas confesso que há divergência na doutrina quanto à titularidade dos mesmos. Eu, cá para mim, acho que ela está enganada, mas não lhe quis dizer se não ela não se ia calar. Quando ela teima num tema, e não o ultrapassa, lá está, podemos falar para ela à vontade, que ela fica em modo astronauta. 

 

Mas aquilo que a tornava mesmo especial era o facto de Isabel pensar no que mais ninguém pensava. E assim era a nossa relação: Ela falava, falava e falava. Descorria à volta das suas teorias durante horas. E eu ouvia e ria-me. Às vezes com ela. Outras vezes, e sinceramente a maioria delas, ria-me dela.

 

Lá vinha Isabel pela calçada acima:

 

"Acho que as gajas ao serem violadas, deviam simular que estão a gostar, porque para os violadores é mais uma questão de superioridade. Eu, se tivesse a ser violada, fazia tudo para que ele visse que estava a gostar."

 

Ok, Isabel.

A meritocracia do Ídolos

Há uns tempos atrás lembro-me de ter visto o Carlão (Pacman) no Alta Definição, e durante a entrevista, a dada altura, e recordando episódios de racismo durante a sua adolescência e confrontado com uma questão: Se achava que lhe tinham sido colocados muitos obstáculos no seu caminho profissional. E ele respondeu que, hoje em dia, está muito na moda falar em meritocracia, ou seja, as oportunidades devem ser dadas a quem tem mérito, mas o problema, frisado por ele e muito bem, é que nem todas as pessoas partem em condições iguais por isso a conversa da meritocracia acaba por cair em "saco roto" uma vez que há uns que têm de batalhar muito mais do que outros para alcançarem o mesmo patamar.

 

Mas isto é a lei da vida, e sabemos  o quanto ela é madrasta. Há de haver sempre uns com mais que fazem pouco do mais, e uns com menos que fazem muito do pouco. 

 

E agora estava a ver o Ídolos, prestando atenção às actuações dos candidatos, e centrei a minha atenção nos comentários do júri ao longo das actuações. Qual não é o meu espanto ao observar que a postura/posição dos júris em relação aos candidatos é a mesma, perdoem-me a analogia, que a de Pôncio Pilatos no julgamento de Cristo. Eles, basicamente, estavam ali para "lavar as mãos" da "injustiça" que seria a expulsão de qualquer um daqueles.

 

De facto, ao longo das actuações que fui vendo (umas gostando, outras nem por isso como é normal), o que mais me chocava era ouvir mesmo o júri. Porque na hora de avaliar, aquele respeitado painel (tirando a espaços o Pedro Boucherie Mendes) dizia sempre o mesmo:


- "Acho que tens tudo para continuar em frente"

- "Seria uma pena se te mandassem já embora"

- "Espero que os portugueses percebam que deves ficar connosco"

- "Tenho a certeza de que ainda te vamos ouvir cantar muitas vezes"

 

Conclusão: chega-se às galas, onde realmente é tudo a doer e onde se tem de olhar para o mais ínfimo pormenor para separar os exelentes dos geniais, e o júri faz exatamente o contrário. 

 

Começa-se a embandeirar em arco, e são todos brilhantes, e merecem todos ganhar. Até aqueles que foram criticados durante o casting, com o Luís Travassos, que foi chamado de "palhacinho" e "alternativo" no casting porque cantou Jorge Palma (que é só um dos grandes vultos nacionais), e que hoje foi cantar fado (e cantar muito bem diga-se de passagem) e passou a ser um "herói", um "verdadeiro ídolo".  A Sara Martins aquela que nem se inscreveu e que foi "repescada" de um programa para o outro digamos assim, foi um talento fora de série, esteve irrepreensível e não sei quê. A Andresa, nas palavras do Paulo Ventura, parecia já uma daquelas artistas feitas já com uma carreira feita em palco. O das cunhas, o filho do Moura dos Santos (que no casting ainda patinou, porque, nas palavras do júri, não mostrava levar aquilo muito a sério) segundo a MJB, está-se a tornar um cantor mais sólido a cada dia que passa. O Paulo (o penúltimo a actuar), e que interpretou a Fix You dos Coldplay de uma forma que, por momentos, toda a gente pensou que já era o Diogo Piçarra a actuar, esteve perfeito, tanto que o Paulo Ventura pelos vistos só conseguia implicar com ele se fosse pela gravata. E o último a actuar, o Gonçalo, segundo o Boucherie, parecia um ídolo em estado puro, pelos vistos entrou em transe e tudo. Ou seja, no fim de contas, foi tudo um mar de rosas, foram todos geniais e merecem todos ficar. Isto pelo júri.

 

Por isso, é que se chega a conclusão que este júri afinal deve perceber muito pouco, ou então, estão como os gatos e têm o rabo preso. São as únicas explicações para não terem feito críticas veementes e convincentes a um candidato que fosse. Como é que é possível serem todos fenomenais? Então isto vai ser um totoloto até ao fim. Da parte da MJB ainda compreendo, visto que ela percebe tanto de música como eu de patinagem artística. Mas esperava mais do Paulo Ventura e do Boucherie Mendes. A MJB como júri do Ídolos faz-me lembrar a Alexandra Lencastre naquele programa em que os famosos interpretavam músicas dos outros. Os comentários basicametne resumem-se a dizer que gostam muito da música e a falar um bocadinho do background do cantor/banda da música em causa. Vê-se mesmo que enquanto o concorrente está a actuar, a preocupação dela deve ser ir ao Wikipédia à procura de alguma informação para ter o que dizer no fim. É rídiculo. Mas também escolherem a Liliane Marise para júri, é porque não precisavam nem estavam à espera de mais.

"Adoro esta música dos Portishead" - MJB sobre o Gonçalo

"Este fado diz-me muito" - MJB sobre o Luís

"Adoro o Hozier" - MJB sobre a Sara

"Os Coldplay são das minhas bandas preferidas" - MJB sobre o Paulo

 

Foda-se a gaja percebe mesmo muito!

 

Mas pronto, a continuar assim o programa, no fim vai ganhar sempre o preferido do júri, o que não é díficil visto que são todos praticamente.

 

Quanto à gala de hoje, confesso que só vi as actuações e nem sei quem foi expulso, mas a atender aos comentários do júri em que são todos lindos e maravilhosos e merecem todos ficar, sabendo que o público é soberano nas decisões. Sem precisar de ver, aposto que sei quem foi expulso. Sabem quem foi?

 

Exatamente, esse mesmo.

Até porque em caso de dúvida, o primeiro a ir é sempre o preto.

Um ensaio sobre Saramago

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Fez hoje 5 anos que o mestre partiu. Fez 5 anos que o maior intérprete da língua portuguesa deixou-nos "abandonados" à nossa mediocridade no que toca à escrita em língua portuguesa. É verdade. Basta ver que o Prémio Literário Revelação Augustina Bessa-Luís em 2014 não foi entregue por falta de qualidade das obras submetidas a concurso. Isto é ridículo. E enquanto acharmos que estamos bem servidos com Margarida Rebelo Pinto, Valter Hugo Mãe (ele pode escrever o nome em mínusculas mas eu não!), Pedro Chagas Freitas e escritores do género, não auspício bons caminhos para a literatura portuguesa.

Tudo bem que temos o Lobo Antunes, que espera, pacientemente, a cada livro que publica, a sua cogitação para um eventual Nobel da Literatura. E aí sim, alcançará o apogeu e subirá de patamar e poderemos chamá-lo de mestre. Mas até lá, mestre houve só um. Saramago e mais nenhum. (Parecia agora um daqueles frustrados que vão para a frente da Assembleia da República reclamar com A e B)

 

Irá sempre existir alguém que afirmará, de dentes cerrados, que Camões ou o próprio Pessoa eram muito mais magnânimes do que Saramago na hora de "escrever Portugal". Não concordo. E não concordo por motivos que nada tem a ver com o "trabalho" de uns e outros, mas sim com motivos subjetivos, ligados à personalidade do escritor. Camões escreveu a nossa "Bíblia", consagrada na obra dos Lusíadas, mas reparem, tirando aquela travessia do rio a nado com uma mão enquanto segurava a obra na outra mão, que barreiras é que Camões quebrou? Os Lusíadas, sem pôr em causa a sua inegável qualidade, representam algum marco de rutura com a cultura praticada até então? Não, pelo contrário, até caiu no goto do Rei D.Sebastião que lhe concedeu uma "tensa" até ao final da sua vida. Uma espécie de "royalties" pelos Lusíadas. Ou seja, Camões acabou a vida o mais parecido possível com um funcionário público.

E Fernando Pessoa? Um visionário sem dúvida. Alguém muitos séculos à frente do seu tempo é verdade. Dominava a arte da sedução através da escrita, encantando-nos a cada poema, fosse este seu, ou da "mente" de um heterónimo seu. Mas, que reconhecimento da sua genialidade teve este escritor em vida? À data da publicação da revista Orpheu na qual publicou pela primeira vez os seus textos e poemas escandalizou toda uma sociedade de então. E, praticamente, mais não o fez, remetendo o seu processo de criação para o foro privado, privando toda a gente da sua genialidade e, privando-se a si de toda a gente, o que de certo contribui em boa medida para a sua partida precoce deste mundo. Se Fernando Pessoa fosse cantor, seria um vocalista de uma banda de rock de certeza, e viveria perpetuado no mito que envolve todas as estrelas desse meio que partem deste mundo cedo demais. Mas lá está, o impacto, mais do que merecido obviamente, de Fernando Pessoa na literatura portuguesa só o veio a acontecer postumamente, com a posterior descoberta de muitos poemas, textos e cartas inéditas no meio de todo o seu espólio. A mesma genialidade que o condenou a uma vida de isolamento e segregação em vida, foi a mesma que serviu de expiação e de caminho ao estrelato já depois de morto. 

 

Saramago não foi nem um nem outro. Foi sim um contestatário. Foi, ao mesmo tempo, um ídolo e um herege. E foi, essencialmente, um homem simples e modesto. Uma sagacidade do tamanho do mundo comprimida numa alma do tamanho de um tronco de uma figueira de uma terrinha qualquer na sua Golegã. Foi mecânico, jornalista, tradutor, funcionário público e por aí em diante, sem no entanto, nunca desistir de escrever. Escrever aquilo que nunca tinha sido pensado. E isso mais do que fama, ou melhor, falsa fama, trouxe-lhe dissabores. À data da publicação de "O Último Evangelho segundo Jesus Cristo", José Saramago viu-se atacado por uma sociedade tacanha ainda presa às garras do conservadorismo religioso, e sob estes holofotes viu o seu talento renegado pelo então senhor primeiro ministro Cavaco Silva, que pau mandado que era (e sempre foi, fosse qual fosse o seu cargo institucional) cedeu à pressão dos enraivecidos membros de um clero em claro declínio na nossa sociedade. Mas Saramago aguentou o golpe, e num gesto de autoritarismo, vaidade e resistência, auto exilou-se num cantinho ao pé de nós, chamado de Lanzarote, de onde fez sua casa. Casa de habitação. Porque o seu lar, seria sempre onde estivesse o seu coração. E esse, estava na Golegã que o viu nascer, estava em Portugal, sua pátria e sua língua. O reconhecimento tardou mas chegou, primeiro o Prémio Camões (1995), seguido da maior distinção literária do mundo, o Prémio Nobel (1998), que assim permitiu, com inteira justiça, a Saramago conquistar a sua "imortalidade" no Olimpo dos escritores dos nossos dias.

Saramago chegou a ser odiado por aqueles que acabaram a amá-lo. E, ainda assim perdoou-os, e fez-lo continuando o seu trabalho, para que o seu legado nos fosse deixado e nos servisse de exemplo, de farol, de poço de sabedoria e de inspiração para ambicionarmos fazer sempre mais e melhor. Por nós. Por Portugal.

 

"E que não se tenha pressa, mas que não se perca tempo".

Para cada Casamento um Divórcio se faz favor

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Aproveitando a velha máxima de, "Para cada panela, há um testo", devia haver outra do género:

 

"Para cada Casamento um Divórcio se faz favor".

 

Juro que se o meu mestrado fosse em Direito da Família ao invés de Direito Tributário seria o meu tema de dissertação. Com este título e tudo.

 

Okay, estou a formular esta teoria neste preciso momento com base em argumentos nada jurídicos, mas também não preciso deles, visto que só está em causa a praticabilidade do, latu sensu, Casamento. Mas o timing de tudo é mesmo engraçado. Parece que o "destino", "Deus", "A Santa Providência", "Karma", etc, está-se a encarregar de criar um completo enredo à volta de merdas sem interesse nenhum. Digo isto, porque hoje comprei e comecei a ler o mais recente livro de um dos meus autores preferidos, o James Rollins. E esse livro tem por título, nada mais nada menos, de "Sangue Inocente". Ora, voltando às minhas cogitações sobre o matrimónio, e em termos metafóricos, quando um casamento chega ao fim o que mais há é "Sangue Inocente". Sejam os filhos, os pais, os avós, os amigos, o cão, o gato, o canário ou a tartaruga, há sempre alguém "inocente" que sai mal no meio disto tudo.

 

Juntamente com isto, aplico a minha visão "contratualista" sobre os Casamentos. Esqueçam o amor. Mandem foder o amor, literalmente. Nos dias que correm, todos aqueles que ainda casam, casam sempre por amor. Pode não ser à pessoa, mas sim aos bens da pessoa, mas de uma maneira ou outra casam sempre por amor. Aqui a diferença para o passado é que o nosso amor não é eterno, e deviamos tirar essa valoração da definição de casamento. E porquê? Porque o casamento pressupõe uma vida em conjunto, ou dito de melhor forma, a "plena comunhão da vida". NÃO FAZ SENTIDO!!! Devíamos substituir esta expressão por uma semelhante a: "Comunhão de vida com prazo de validade". Toda a gente casa por amor, ou quase toda a gente. Mas, ao contrário das gerações dos nossos pais e mais ainda dos nossos avós, o "nosso" amor já não é para sempre. E digo mais, nem tem de ser. Se tudo nesta vida, incluindo a própria vida, tem um início e um fim, porque é que o sentimento de amor por uma pessoa que não nos é nada (não partilha connosco um laço de filiação que faça com que haja uma ligação inquebrável entre duas pessoas) tem forçosamente de ser ad eternum para ser verdadeiro?

 

"Ai só namoraste 6 meses? É porque não gostavas mesmo dela" - dito por quem namora há um ano e pouco

"Ai só namoraste 1 ano? É porque não gostavas mesmo dela" - dito por quem namora há 3 anos

"Ai só namoraste 3 anos? É porque não gostavas mesmo dela" - dito por quem namora há 6 anos.

 

E por aí em diante.

 

Ou seja, sempre o mesmo argumento da treta. O amor numa perspetiva de algo infindável ou infinito. Não é verdade. O amor tem sempre um fim, e não deixa de ser verdadeiro por isso. 

Agora, o que falta é coragem. Coragem para nós próprios, de termos a honestidade, a sinceridade, a ombridade de reconhecermos que já não amamos aquela pessoa, seja isso ao fim de 2 dias, 1 mês ou 34 anos. Acredito piamente que existe para o amor um prazo de validade, agora óbvio que não tem de estar especificamente explicitado.

 

Admiro imenso aquelas pessoas que se casam 5 e 6 vezes. E atenção, não estou a falar daqueles ricos que têm niveis de vida absurdamente elevados, e que só casam para aparecer na capa da Vanity Fair. Não, estou a falar daquelas pessoas que amam mesmo de verdade. Aquelas que amam:

De peito aberto.

De amo-te na ponta da língua.

De olhar embargado pela felicidade.

De mãos entrelaçados em passeios no parque.

De elogiarem-te como se tu fosses realmente a/o mulher/homem mais linda/o do mundo.

De serem parte de ti, sendo tu complemento dele/dela.

De rirem das tuas parvoíces.

De se levantarem quando entras.

De te abraçarem quando te encontram.

De andarem com a tua fotografia na carteira e mostrarem-na a toda a gente. 

De não terem pudores.

De se envergonharem e te envergonharem.

 

Isto tudo, umas quatro ou cinco vezes na vida. Não será possível? Tenho a certeza que sim.

Um casamento é um contrato, e um contrato acaba quando uma das duas partes deixa de ter vontade de estar vinculado ao contrato. Logo, o casamento acaba quando uma das pessoas deixa de ter vontade (deixa de amar) de estar presa a um compromisso com outra pessoa.

 

E aqui, a minha visão fatalista. No presente, em 99% dos casos, isso acontece. E ainda bem que acontece! Somos nós a quebrar barreiras e a acabar com mitos e tabus que vigoravam na nossa sociedade. Não somos menos por deixar de gostar de uma pessoa. Não somos "pecadores" por isso, nem muito menos vamos para o "Inferno" ou para uma hipotética realidade metafísica de punição e castigo. 

 

Os casamentos devem acabar. Repito, os casamentos devem acabar. Seja à morte dos cônjuges, ou à morte do amor entre os cônjuges. E quer numa situação, quer noutra, fica sempre a esperança de refazer a vida junto de outra pessoa. Nós só somos monogâmicos no sentido de compromisso, não no campo instintivo e animal. Isso são apenas reflexos da nossa condição como "animal". Agora, o livre arbítrio deu-nos a capacidade (bela merda) de nos sujeitar mos a compromissos perpétuos em troca de uma hipotética/aparente/ilustrativa realidade. E a verdade é que isso servia. E serviu. Durante anos, décadas e séculos. Mas caraças, o 25 de Abril foi à 40 anos. Somos uma sociedade emancipada, civilizada, consciencte, informada e preparada para lidarmos com as roturas do passado.

 

Autoritariamente falando, devia, na minha óptica, ser imposto um divórcio obrigatório a cada casamento, ou pelo menos, no primeiro casamento. Poupavam-se as crianças por exemplo, visto que passava a ser regra, e assim aquele panorama negro  de culpabilização que todas as crianças assumem (quer uma pessoa queira quer não) pelo facto de o papá e da mamã não estarem mais juntos, deixava de pairar, assim como a diferenciação (e por vezes discriminação) entre filhos de pais solteiros e pais casados.

 

Atenção que não sou contra o casamento. Pelo contrário, sou totalmente a favor. Acho que toda a gente tem o direito de ser e viver miserável sozinhos ou acompanhados.

Aquilo que sou contra é a ideia que nos vendem de que os casamentos são para sempre. Não são. E como tal, nada de campanhas para compras de casa e planos de poupança a 40 anos, e menos propaganda à mobília para o quarto de casal por parte do IKEA. Já bastou estas centenas de anos em que o Casamento, na sua génese pura, andou a ser subvertido pelas regras do Vaticano.

 

Um casamento não tem de ser para sempre.

Um casamento só tem de durar enquanto ambas as partes quiserem. O amor é um elemento de valoração subjetiva e discricionária. Cada um de nós dá-lhe a dimensão que bem entender. Agora, ancorarmos ao amor, a necessidade de compromisso, o sentimento de posse de outra pessoa, a mim parece-me uma noção exacerbada e errada do que deveria ser a realidade. Mas, visto que fui moldado por estas regras, e mesmo combatendo-as com todas as minhas forças, sei que há alturas em que imaginava como seria "facilmente" bom optar por uma relação eterna. No entanto, não vejo assim as coisas. Não as penso assim. E, mais importante, não sou assim.

 

Devemos amar, sim. E na plenitude do nosso ser. Mas tendo sempre por limites, a "quantidade" de amor que estamos dispostos a dar aquela pessoa. Quando essa "quantidade" se esgotar. Siga para bingo e procurar outra. Se a primeira deixou um vazio, há que o preencher com a segunda, e se a segunda não for boa a tapar buracos siga para a terceira, e assim sucessivamente. Mas não com o objetivo de acertarmos Naquela, na Especial, no Amor das nossas vidas. Não, nada disso. Devemos, acho eu, andar assim sucessivamente sempre à procura da que mais nos completa naquele momento (presente) até chegarmos ao fim das nossas vidas e podermos dizer que sempre, ou quase sempre, amamos e fomos amados. Tenha sido por 1 só ou por 758 pessoas.

Sempre vi as coisas desta maneira, e guardo os ensinamentos da minha mãe sobre este assunto, mesmo ela não sendo propriamente instruída nesta matéria:

 

"Quando casei com o teu pai, casei por amor, mas, sempre preparada para assinar os papéis do divórcio no dia seguinte".

 

São casados e felizes, acredito eu, há já 25 anos. E que continuem assim, é sinal de que continua a ser melhor viverem miseravelmente juntos do que sozinhos. Para mim são um exemplo de superação das adversidades. Mas, nem por isso mudo o que penso. Aliás, às discussões que têm, às vezes penso se não seria melhor se divorciarem. Não. Se calhar não. Seria pior. Já me considero fatalista e, se realmente assim fosse, passaria muito rapidamente de fatalista para bombista-suicida no que toca a casamentos. 

 

Concluindo:

Eu gostava de casar um dia. E sei que se o fizer vou ter duas certezas:

- Que vou gostar mesmo da pessoa

- E que não vou gostar dela para sempre

 

Parece contraditório? Pois parece, e eu quero é que vocês se fodam.

Fazer praia a dias de semana

Exceptuando os autênticos meses de Verão - Julho e Agosto -, os remanescentes não podemos dizer que sejam meses exclusivamente dedicados à pratica balnear de captura de raios solares. Dito isto, fazer praia quer em Maio/Junho/Setembro, só é possível naquelas alturas em que, além da meteorologia, a nossa vida profissional e pessoal assim o possibilitam.

 

Pensava eu.

 

Hoje fui à praia. Nem é que seja grande fã, mas confesso que, sendo uma praia assim para o discreta, até gosto de "botar o lombo" ao sol a ver se ganho assim um bronzeadozinho. E, anti-social que sou, acabei por ir para um "spot" assim para o escondido. Então era assim: a praia é pequeníssima a nível de largura, ao chegar ao mar é só godos, pedregulhos, paralelos, calçada portuguesa e com um bocado de sorte até deve estar alcatroada em algumas partes, mas, contudo, encontrava-se razoavelmente limpa (o que mau era se assim não fosse ainda em Junho), tinha vigilância, e tinha/tem lá ao pé um bar mesmo à patrão com uma esplanada brutal.

 

Óbvio que se fosse domingo aquele areal mínimo estaria abespinhado de gente. É o costume.

 

No entanto, tratando-se de uma terça-feira estava praticamente deserto. Estavam na praia, além de mim e de uma amiga minha, um casal de namorados a comerem-se à força toda no meio das dunas. Estavam tão empenhados no marmelanço que a dada altura pareciam dois croquetes, um em cima do outro. Se bem que pelo tamanho dela, quando estava por cima, não tenho a certeza se tava a beijar o gajo ou a fazer lhe respiração boca a boca. Uma coisa é certa, os gordos, para além de amarem, também javardam como gente grande. Encontrava-se também um casal com dois miúdos pequenos a jogar à bola. Ele, o pai, trolha de certeza, provavelmente no estrangeiro, e a gozar uns dias de férias cá: bronzeado excessivo até meio bícep em ambos os braços, em tronco nu, com uma barriga de 8 meses bastante saliente e recheada à base de picanhas, enchidos e cerveja das mais variadas marcas, e de calças de ganga vestidas. Ou seja, um típico parolo da Lourinhã. Os catraios entretidos a jogar à bola, sob o olhar atento do nadador-salvador, que nestes casos parecia mais o nadador-pescador-de-fanecas dada a falta de gente e a obrigatoriedade de ali permanecer até às 20h. Além destes, encontrava-se mais um casal já de 3.º idade a caminhar para a 4.º, que só não estavam a fazer as mesmas figuras que o primeiro casal, porque faltavam os dentes, provavelmente a ambos, e porque o esforço físico diário possível foi empreendido em "espetar" o tapa-vento na areia e em estender a toalha. E pronto, estava composta a clientela daquele espaço balnear do dia de hoje.

 

No entanto, a verdade é que estivemos lá deitados cerca de 30 minutos, depois o vento tomou conta das ocorrências e tratou de nos expulsar de lá. A mim e à minha amiga só. Mas foi melhor assim, foi a desculpa perfeita para vir para a já referida esplanada brutal lá mesmo juntinho à praia, e por lá ficamos a fazer de conta que estudávamos para o exame que vamos ter sexta. Enquanto cravava um olho nos textos que tinha para ler e o outro no rabo de uma das gajas que entretanto chegara, acabei por reparar, que do nada, a população veraneante daquela praia aumentou exponencialmente. Do nada, apareceram aí uma dúzia de fósseis ambulantes. Acho que era uma excursão de antigos colegas de turma do Manoel de Oliveira mas não tenho a certeza. Uma dessas idosas, por momentos pareceu-me a Aniki Bobó, mas depois reparei melhor, e cheguei à conclusão que só pensei isso pelo tamanho da boca da senhora. Os velhinhos lá caminharam em espécie de fila indiana até ao areal, sentaram-se todos em rodinha, e começaram-se a despir. Ao ver este processo cheguei a três conclusões sobre a minha pessoa daqui a 70 anos:

 

1.º - os velhinhos têm as mamas do tamanho das suas velhinhas

2.º - as velhinhas ao despirem-se para se colocarem em fato de banho, vão acabar por ficarem ainda "mais" vestidas, com aqueles fatos de banho pretos enormes, quase de gola alta.

3.º - eu, junto com a minha eventual e futura esposa, provavelmente, ficaremos iguais daqui a 70 anos.

 

Não foram conclusões felizes, portanto.

 

O resto da tarde foi bastante produtivo no estudo. Sei que foi, porque às 19h quando estávamos para vir embora, ao arrumar as coisas, reparei que os meus "apontamentos" ao que tinha estado a ler (supostamente) mais não era do que os contornos do rabo da tal gaja, mil trezentas e quarenta e quatro vezes desenhadas nas margens das folhas. 

 

Ou seja, o dia não valeu de nada, e foi um desperdicío de tempo.

Exacto, amanhã estou lá outra vez.

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