Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

demagogia de bolso

Convencido . Corrompido . Corrosivo .

demagogia de bolso

Convencido . Corrompido . Corrosivo .

À Margem da Marginalidade - Allen Halloween // Híbrido

Halloween.jpg

 

Peguem em Dante e na sua caminhada pelo Inferno, Purgatório e Paraíso. Agora peguem em Charles Bukowski e na sua poesia desregrada sobre o estilo de vida dos pobres e desfavoráveis, dos oprimidos e renegados. Agora juntem os dois num só e temos Allen Halloween. 

 

Poesia pura e dura "sem subterfúgios, com uma riqueza de cronista, talento de rapper com muita vida, sabedoria suficiente para nunca recorrer ao facilitismo do preto-e-branco". (in Público)

 

Não é fácil ver o que ele vê. Menos fácil é, absorver o que viu e apresentar-nos, sem filtros, a realidade do seu quotidiano, a vida de ghetto dele e dos seus. Muita marginalidade, muita criminalidade, muito preconceito e discriminação. Passou por todas elas, e, não fosse o talento inegável a pô-lo na boca de toda a comunidade nacional (e não só) apreciadora e seguidora de Rap e Hip Hop, provavelmente, seria só mais um anónimo passando por entre muitos outros anónimos na vida agreste deste país.

 

O seu mais recente trabalho, Híbrido, é o expoente máximo da cultura suburbana aliado a dois "pés na terra", ao mesmo tempo que narra, ao seu próprio ritmo, num encadeamento poético, carregado de analogias e metáforas, a vida, a verdadeira vida, de todos aqueles com que se cruza.

 

Já era mais do que merecido uma "caturrada" de prémios, inclusive literários. Mas Halloween não está para isso, prefere ficar quietinho no seu canto em Odivelas ao mesmo tempo que vai cantando (e apregoando) a realidade que ninguém quer ver:

 

Pagaram ao advogado mais caro do país
O juiz deu-lhes um saco de rebuçados envenenados a cada G
Eu comi 10 rebuçados e um dia saí
Velhos demais pa' voltar à street
Casado, sem dinheiro pá' minha velhice
Mas o tempo que me resta eu vou viver em peace
Tirar os meus putos da mão da police

(Bandido Velho)

 

E vem a cana, vem a prison, é a sina de quem anda na má vida
Assume a tua divida e um dia sais
Não culpes os teus amigos nem os teus pais
Só tu sabes onde vais

(Livre Arbítrio)

 

Há um trilho no vale que vai dar a 2 caminhos
Uma estrada larga um portão pequenino
Fui pela estrada até chegar a planície
Vi um velho com uma grande barba que me disse

Este é o caminho mal feitor
É cheio de armadilhas
Foi ele que levou a Alice para o país das maravilhas
País do pó e da pedra cristalina
Onde o sol nasce negro e neva todos os dias

(...)

Andei tanto para nada dread
Quais são as minhas chances mano a mano com o superman
Eu vou voltar para casa velho
Eu já sabia que esta estrada larga ia dar ao tejo
Já disse tudo não há mais nada pra dizer

(Zé Maluco)

 

De paragem em paragem

Sempre a mesma viagem

Tanta gente diferente

Na mesma carruagem

Uma velha a minha frente

Não pára de olhar

Tem calma avó, eu já não ando a roubar

Minha mãe dá-me a benção

De manhã, põe-me a mão na cabeça,

E pede a Deus para eu mudar,

Para eu encontrar

O meu lugar

(Marmita Boy)

 

Como o próprio Halloween diz: “Eu faço a minha parte. Não é pela política que se chega lá, o que percebi quando comecei a estudar a Bíblia. É pela pessoa, pelo coração das pessoas. Podes salvar o João, podes salvar o António. Agora, salvar uma sociedade? Salvar um país?"

 

"Allen Pires Sanhá, nome de guerra Allen Halloween, tem hoje 36 anos. Vive em Odivelas com a sua companheira e os três filhos. Mostra-nos o mundo, o nosso mundo, como mais ninguém é capaz de mostrar. Híbrido é uma obra-prima necessária. Obrigatória no presente. Uma dádiva para o futuro, quando quiserem ver o que fomos." (in Público)

Susceptibilidades #5

Claudia.jpg

 

 

Quando era mais novo, assim uma espécie de chavalito de 8/9 anos, achava que o apogeu do mundo feminino resumia-se à Claudia Raia. Claro está, que nessa altura, o programa televisivo que eu podia assistir o mais tarde possível antes de ir para a cama, por a conversa em dia com o menino Jesus e dormir, eram as novelas brasileiras (A Próxima Vítima, com a Glória Pires a protagonista confesso que me marcou). No entanto, de todas as "beauty milfs" que por lá andavam (que tendo eu 8/9 anos resumia se a todas as mulheres que apareciam), aquela que preenchia o meu mais-do-que-precoce imaginário erótico era a Claudia Raia. Aquele ar de transexual javardona tirava me do sério (o que é preocupante num rapazinho da minha idade eu sei, no entanto, transformei me num macho alfa bastante hetero, bem, se calhar sem a parte do alfa, mas adiante) e distraía-me das minhas "conversações" noturnas com o Divino.

 

Pois bem, cresci. Comecei a perceber o que realmente era uma mulher nas suas melhores virtudes, e esqueci por completo a Claudia. No entanto, como um primeiro amor que deixa marcas, mesmo com o passar dos anos ela nunca me é indiferente. Principalmente pela sua capacidade de me surpreender. E ela voltou-o a fazer. Aos 48 anos, Claudia com as suas curvas e ainda a cara de uma transexual javardona voltou a mexer comigo. Soube, agora mesmo, que ela voltou a casar. Pela terceira vez. E aqui está a capacidade de surpreender da Cláudia.

 

Não bastou, com os seus 18 aninhos, namorar para um senhor que podia ser pai dela (ou outro quarentão qualquer com fetiches por transexuais com cara de javarda, estou me a repetir eu sei, mas quero que fiquem com essa ideia entranhada quando virem a cara da "minha" Claudia), nomeadamente, o Sô Jô Soares.

Depois, não dando certo, redescobriu o verdadeiro amor, no seu primeiro matrimônio, com o Alexandre Frota. Esse bad boy bodybuilder, que assim como eu, deixou se enfeitiçar pelo ar travesti e safado (para não ser sempre a mesma coisa) da Claudia. Tanto isto é verdade que, anos mais tarde, já depois de ter beijado o Castelo Branco na boca, o grande Frota acabou mesmo por "deitar abaixo" uns quantos transexuais lá na sua carreira de actor de filmes alternativos.

Seguiu-se, anos mais tarde, um amor originado nos bastidores de uma novela - ou seja, aqueles relacionamentos clichês que atinge todo os actores -, concretizado em juras de amor eterno no segundo matrimônio de Claudia. O felizardo quem era? Edson Celulari, o homem do telemóvel (que piada mais absurda). Foram felizes durante 17 anos, nunca se preocupando com os rumores que propagavam a existência de dois pénis naquele casamento.

Voando agora para o presente, e lembrando, na reminiscência, de que os dois casamentos anteriores não resultaram, a Claudia apostou todas as "fichas" (por agora) na roleta russa do amor ao voltar a firmar promessas eternas de um amor conjunto entre duas almas como um só, com o melhor "candidato" dos três. O seu novo e terceiro marido chama-se, nada mais nada menos, Jarbas Homem de Mello. Tem tudo para dar certo. Tem nome de empregado/mordomo (basta-nos lembrar do porco concierge de Rato no Balas e Bolinhos 3) e de corno manso, o que deve dar jeito de certeza. E é Homem quanto mais não seja de nome, o que já ajuda a afastar as suspeitas que o casamento com o Edson (meu puto Edson, como na música do Valete) sofreu.

 

Mas pronto, vou esperar e ver. Confesso que estou a espera que corra mal. Porquê? Porque ainda mantenho a "ilusion" (lembrando as conferências de imprensa do Lotopegui) de dar umas curvas com as curvas da Claudia. Se ela se mantiver assim claro. Com curvas e com cara de transexual javardona.

 

Mas eu sou hetero ok? 

Bloqueio Mental

Ando há já mais de uma semana sem conseguir montar um mínimo texto com sentido. Nada de histórias, contos, exageros ou simples comentários. Nada me sai como eu quero. Fazendo uma analogia artística:

 

 

1. O meu objetivo ao escrever qualquer coisa (resultado final)

 

quadro2.jpg

 (Última Ceia - Leonardo da Vinci)

 

 

 

2. Aquilo que eu penso que estou a escrever

 

quadro1.png

 (O Grande Masturbador - Salvador Dali)

 

 

 

3. Aquilo que eu realmento escrevo

 

quadro3.jpg

(N.º5 - Jackson Pollock)

 

 

 

Obviamente, que com isto tudo só me posso sentir assim:

 

quadro 4.jpg

(O Grito - Edvard Munch) 

 

Perseguição - Pensa ele de que

Ai andas a fazer "perguntinhas" sobre quem é o autor deste blog? Até podia dissertar sobre o teu grau de competência sobre o facto de aproveitares o teu local de trabalho para te armares em detetive privado. Mas já que a tua inteligência não fez o "trabalho de casa" eu poupo-te o trabalho: tens um "pistãozinho" por aí no blog que redirecciona diretamente para o meu Facebook (Woooooow, que manifesta falta de sensatez e segurança da minha parte), assim já ficas a saber o meu nome, como sou e aonde moro. Qualquer coisa, podes sempre utilizar o chat - e quem diz tu, diz a tua "amiga" também -, para vires conversar. Duvido que o faças uma vez que não faço o teu género. Deves preferir aquelas do sexo oposto na faixa etária dos dezasseis até aos vinte e um, com preferência por aquelas que se seduzem e se derretem facilmente pela tua pele bronzeada, pelo teu olhinho azul ou pelo piercing no teu mamilo ou até pelos teus cocktails. De qualquer das formas, não passas de mais uma "cara bonita" alimentada pelo sucesso de um programa de televisão. Não tenho nada contra isso, e respeito, acima de tudo a forma de cada um ganhar a vida da forma (legal) que quiser, mas convinha que, quando descesses à terra, mostrasses muito mais do que o exterior. Agora, até era gajo de me apresentar formalmente e pedir-te um Gin, mas não bebo álcool.

Um grande abraço de alguém que te acha ridículo, mas, que ainda assim, te tem em mais consideração do que à tua amiga das páginas amarelas.

 

P.S: espero não ir outra vez para a TV7 Dias. Ups.

Regresso a Casa

Sob pena de ser spoiler, aviso já que este post contém uma dose extrema de saudosismo. 

Atenciosamente, o Autor.

 

 

 

regresso.jpg

 

 

Regressar a casa. À nossa casa.

 

Eu, com todos os meus defeitos e qualidades, e alguns (ou algumas), sendo defeitos ou qualidades conforme a situação, sou, com toda a certeza, um sentimentalista do mais elevado grau que existe. Tive fora uma semana. Apenas uma semana. Sendo do Norte do país, fui, como de costume, visitar o Sul. Ver como andava o vento por lá, cumprimentar as palmeiras, a areia quente e a água translúcida. Abraçar o pôr-do-sol, virado para Norte, mandando beijos aos montes para lá do Douro. Fui matar saudades das bolas de berlim. Fui pôr a conversa em dia com os vendedores ambulantes que deambulam de um lado para o outro, incessantemente, na mesma praia. Fui dormir com a companhia do sol. Fui visitar avenidas. Fui sorrir a turistas. Fui ao Barlavento Algarvio compreender as falésias e as suas escarpas. Fui dançar na areia vermelha ao som dos sunsets que nos aquecem a alma. Fui retemperar as minhas forças no dorso das vagas. Fui pasmar na orla das praias. Fui de férias e fui feliz. 


Acabou. Passaram os sete dias. Passou a semana. 

 

Regressar a casa. À nossa casa. 

 

Cheguei. Cheguei com saudades do meu quarto, das paredes brancas de minha casa. Cheguei com ânsia de ver, da janela do meu quarto, o sol esconder-se sob as nuvens enquanto medram as sombras dos eucaliptos lá ao longe onde o monte começa. Cheguei com vontade de cheirar o perfume das flores silvestres que inundam a passagem pelos campos, enquanto pela beira da estrada vemos os rostos, agrestes e queimados, dos vizinhos, mais idosos, na sua imperturbável caminhada no fim de mais um dia de labor. Cheguei com saudades das pessoas. Daquela gente da minha terra, qual fado cantado pela Mariza. 

 

Começou. Passaram aqueles sete dias. Passou aquela semana. Passou a viagem de regresso a casa. À nossa casa.

 

É sempre bom voltar. É a melhor sensação de todas. O regressar a casa.

 

Numa viagem de ida e volta, por mais preenchida e completa que a ida seja, por mais feliz que a ida te faça, é só na volta, quando voltas ao local de partida, que às voltas que deste, vês que a maior volta das voltas, é a volta que te traz para casa. Tive fora uma semana. Sou saudosista eu sei. Não foi preciso chorar ou beijar o chão, eram só saudades. Eram só saudades do que é nosso. Do que é uma parte de nós. Mas, e se não fosse uma semana? E se fossem meses? Anos? E se não fosse por férias? Mas por necessidade e trabalho? Aí chorava sim. Não só com as saudades, mas com a alegria de ver e viver uma parte que é "arrancada" de nós. Quem me conhece sabe que tenho uma certa "espécie" a emigrantes, à sua maneira de ser. Mas, se há coisa que me comove, é ver alguém chorar por abraçar pessoas desencontradas há já bastantes anos. É ver alguém ficar com a voz embargada ao reencontrar um sobreiro, um riacho, um caminho que lhe trazem a mil à hora flashbacks de uma infância vivida numa outra longínqua vida. Nunca menosprezem a vossa casa. O vosso lar. Sejam quatros paredes ou não. Seja um ribeiro passando calmamente, ao mesmo tempo que reluz o brilho do sol. Seja o chiar de pássaros ou o esvoaçar de borboletas ou os sussuros do vento por entre a aridez dos campos. Seja o que for a vossa casa, é, sempre, a vossa casa. E não há nada como voltar a casa, e ver que nada mudou, e que tudo mudou, porque nós mudamos.

 

 

 

Não é este o caso. Mas e se fosse?

Boa viagem a todos os que vêm para casa. Para vossa casa.

 

 

Mas não abusem no "avec".

Susceptibilidades #4

Hoje, o almoço caiu-me mesmo mal. Ando para aqui aziado, cheio de dores de barriga. O que vale é que não me morreu nenhum filho, se não enchia-me de barbitúricos e anti-depressivos enquanto bebia de "tolada" uma de Jack D, e depois ia para a unidade de saúde mais próxima de onde estou afirmando que tinha sido aquela salada tropical que me caiu mal.

 

Esperemos que não, vou saltar a segunda parte e esperar que passe.

 

#JeSuisJudite

Suicídio Assistido

Sei que é um tema forte e que ainda não estamos preparados para o debater na nossa sociedade. Foi o que foi com o Aborto e, mais recentemente, com o Casamento entre casais homossexuais.

 

No entanto, venho aqui colocar o foco na temática do suicídio assistido e, consciencializar as pessoas que é preciso legitimar o suicídio assistido em Portugal.

 

Não estou a falar de eutanásias, nem de mortes medicamente assistidas (a mesma coisa dita de duas formas). Não. Nada disso. Estou a falar da maior "espécie" de suicídio assistido que "grassa" em Portugal. É aquele tipo de suicídio em que uma pessoa mata-se (ou tenta, uma vez que a tentativa também é "punível", no que importa aqui para o caso), e as pessoas vão logo a correr para o Facebook na tentativa de saber, desesperadamente, o nome, a idade, o sexo, a altura, a cor do cabelo, quantas vezes arranjava as unhas por mês, a filiação política, se era destra ou canhota, se era apoiante do Passos ou do António Costa, se fosse grega se teria votado Sim ou Não no referendo, se tinha alguma opinião formada sobre o aquecimento global e o que achava das imagens mais recentes de Plutão.

 

É este tipo de suícidio assistido, senhoras e senhores, que tem vindo a "imperar" e a proliferar em Portugal. Ainda ontem, no meu concelho, bem perto de onde eu nasci e sempre morei, uma "jovem" com um historial já longo de "depressões e instabilidades psicológicas", tentou-se suicidar atirando-se abaixo de uma ponte. Estes são os factos. Mas não são aqueles que importam, aqueles que importam é saber tudo o que se passa agora na vida da senhora para podermos cada um de nós opinar sobre a vida dela. É para este comportamento que eu quero consciencializar as pessoas. Porque os idiotas que fazem isto, que se humilham e humilham as pessoas envolvidas neste tipo de tragédias, em busca de uma qualquer informação só para alimentar a sua curiosidade mórbida e desprovida de racionalidade e bom senso, também são pessoas, e temos de saber ser superiores a esta mediocridade que se vai expandindo no nosso país.

 

Eu, sinceramente, não me interessa se a jovem se matou ou não, quais eram as motivações dela, se o fez por desespero ou por desporto. Todas as hipóteses são válidas quando não passam de pura especulação. E, nisso, nem os corretores da bolsa de Wall Street, senhoras e senhores, são melhores que nós. Porque em especulação ninguém nos bate.

 

E especulando um pouco, só espero que a jovem não tenha estragado a estrada com a queda, é que passo lá diariamente de carro e não queria estar a ter de trocar de pneus. 

 

Pág. 1/4