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demagogia de bolso

Convencido . Corrompido . Corrosivo .

demagogia de bolso

Convencido . Corrompido . Corrosivo .

A injustiça da Justiça

A tragédia abateu-se sobre a minha terra.

 

Sinopse:

Alguém, assassinou barbaramente 4 (+1 - o nascituro) pessoas, apenas porque estas não quiseram testemunhar a seu favor num processo de violência doméstica, em que este monstro foi condenado por agredir a filha e um outro familiar com um ferro.

 

Prólogo:

O homem foi julgado e condenado pelo crime de violência doméstica numa pena de 3 anos e alguns meses de prisão. Pena essa suspensa pelo mesmo período, uma vez que o homem pelos vistos era primário (ou seja, não tinha cadastro) e ainda uma pena acessória de não contactar com as vítimas do processo, sendo esta pena acessória complementada com a utilização de instrumentos de vigilância, neste caso, a pulseira eletrónica.

 

Fast foward agora:

A indignação no Facebook é viral. Parece que o maior culpado nem é o monstro, mas sim o Juiz que o "mandou para casa com pulseira eletrónica". Incrível. O Juiz cumpriu a lei, em sentido formal e material, e mesmo assim é o culpado. O homem tinha estado internado a receber tratamento psiquiátrico, e saiu porque recebeu alta médica, e mesmo assim o culpado é o Juiz que o "mandou para casa".

 

Podia dizer quid iuris, mas vou lançar as perguntas concretas:

 

1 - Quantas pessoas sabemos nós, no dia a dia, que batem ou já bateram na mulher, no filho, no pai, no irmão, na mãe, no cão, no canário, etc, e quantas delas foram logo "presas"?

2 - Obviamente que a violência doméstica não tem cabimento na nossa sociedade, mas deixo a pergunta, sempre que alguém for condenado por 1 crime (diferente de "crimes" em sentido plurar) e seja uma pessoa sem cadastro, vamos prender essa pessoa?

É que embora os pressupostos do crime de violência doméstica, os pressupostos da aplicação da pena suspensa, e basicamente os pressupostos de qualquer coisa tipificada quer no Código Penal e no Código Processo Penal sejam objetivos, a aplicação a cada caso concreto depende de uma interpretação casuística.

3 - Pensei, se ele tinha uma pulseira eletrónica como é que as autoridades não atuaram em prevenção?

Ora, esta foi me respondida por um agente da GNR. Ele tinha sido proíbido de contactar com as vítimas do processo de violência doméstica, não com as pessoas que barbaramente assassionou. E a GNR, infelizmente no caso nada pode fazer no sentido prevencional, porque do ponto de vista das limitações impostas pela pulseira eletrónica, o homem não infringiu nada. 

4 - A culpa é do Juiz que o "mandou para casa"? E então os médicos que lhe deram alta médica após tratamento psiquiátrico?

5 - Como é que podem culpar alguém pelos atos de outrem?

 

A indignação é muita. E muita dela disparatada. E disparada, em todas as direções, porque a busca de culpados não cessa, e pelos vistos o facto do homem se ter entregado às autoridades e confessado, não chega para a "população" deixar de procurar outros culpados. Culpados esses que não existem.

 

Mas a falta de moral e noção é generalizada, ao ponto de eu já ter visto posts de pessoas a indignarem-se com a Justiça portuguesa, culpando o Juiz pela aplicação de pena suspensa, quando estas pessoas estão, atualmente, também elas em pena suspensa, por crimes como: tráfico de droga, furtos e roubos (juridicamente é diferente), simples e qualificados, injúrias, ofensas à integridade física, desobediência, entre mais alguns. 

Pergunto: se também estes, amanhã, lembrarem-se de matar alguém, a culpa vai voltar a recair na Justiça e no Juiz?

T.A.O.S.D

A meu ver, e só a meu ver, é a melhor coisinha que a música nacional já produziu desde "O Monstro Precisa de Amigos" dos Ornatos no já longínquo ano de 1999.

 

E ai daquele que se atrever a estereotipar o Slow J a um determinado género musical. Se há algo que ele provou ser com o seu álbum de estreia, é que é totalmente omnisciente em relação a todos os géneros que o rodeiam e rodearam.

 

Tão, mas tão bom:

 

1. Arte

 

2. Menina estás à janela 

 

 

3. Mun'Dança

 

 

4. Cristalina

 

 

um ano de triste saudade ou um pequeno monólogo para o meu avô

eu não sei qual é a tua experiência com avós, mas eu recomendo a toda a gente. os avós, a gente nunca mais vai ter amor daqueles. os avós amam de uma maneira especial, porque têm tempo, experiência e disponibilidade. por exemplo, a minha avó... os velhotes almoçam cedo e a minha avó não queria que me faltasse nada, era uma espécie de obsessão: ah, não vai faltar nada ao menino. ao meio dia e meio a gente vai almoçar, ela às onze já tinha tudo pronto. vamos supor que era bife com batatas fritas, para a gente comer ao meio dia e meio ela fritava as batatas às onze, e depois punha as batatas num prato com a tampa da panela em cima, o que é que sucede? há uma condensação de água que vai para a panela e depois cai para cima das batatas e as batatas ficam moles. eu nunca comi batatas estaladiças na vida, porque as batatas já estavam prontas uma hora e meia antes de ser altura de almoçar. sempre que eu como batatas estaladiças, eu percebo a pessoa que fez estas batatas não me ama, porque ela arriscou que as batatas não estivessem prontas na hora de comer. batatas moles são feitas por uma pessoa que está empenhada no meu bem estar, e que não quer que as coisas falhem. eu gosto de batatas moles

 

            Ricardo Araújo Pereira sobre a sua avó – Alta Definição

 

 

 

não sou crente, mas gosto de acreditar que, a estares em algo lado, não te falta boa gente por perto.

um ano passou a voar.

passa a voar.

 

 

ainda não sei lidar com a tua ausência avô. ainda acordo a pensar que vou tomar o pequeno-almoço contigo. ainda guardo o teu lugar à mesa aos almoços de sábado. ainda guardo o baralho de cartas com que jogamos da última vez. ainda olho para o relógio que me deste – mesmo estando parado e eu não lhe troque as pilhas. ainda ando com a tua fotografia comigo. ainda falo contigo, embora não me respondas tanto quanto gostaria.

 

desculpa as poucas vezes que te fui ver, mas não gosto muito do sítio onde supostamente estás. e inquieta-me tanto saber que podes precisar de mim e eu não estou aí para ti. tenho tanto medo que precises de mim. foste tu que me deixaste eu sei, mas és tu que estás só avô. estás bem? eu sei que tenho de acreditar que sim.

 

tiveste mesmo de ir não foi? sei que não sou só eu que tem saudades tuas, mas sei que sou o mais egoísta de todos. sou o único que não queria que este dia chegasse. não queria ter de admitir que o tempo passa depressa, tão mais depressa quando já aqui não estás.

 

tenho anos de saudades neste ano que vivi sem ti.

promete-me que ficas bem, e dá um beijo à avó por mim.