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demagogia de bolso

Convencido . Corrompido . Corrosivo .

demagogia de bolso

Convencido . Corrompido . Corrosivo .

Até quando, Judite?

A mesma jornalista que pediu respeito quando passou por uma tragédia pessoal é aquela que agora faz diretos ao lado do corpo de uma vitima não é?

 

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Até quando, vai esta senhora conseguir olhar-se ao espelho?

Até quando, vai a comunicação social continuar a lucrar de forma tão escabrosa com o drama e a tragédia das pessoas?

Até quando, vai a ERC permitir que estes episódios aconteçam?

 

 

Não vale tudo nesta vida.

Agora, a Gaffe que eu sei lá.

Nunca aderi a isto de follow fridays. A única friday que eu gosto é a da Black Friday, para chegar à conclusão que somos tão materialmente fúteis que iludimo-nos com falsos descontos na ânsia de consumir - e como eu consumo! Mas isso são contas de outro rosário.

 

E Agora? Sei lá!

 

É tudo muito engraçado, ver blogues a tratar e retratar determinados assuntos, dedicados a vários tópicos e temáticas. Ora culinária, ora gatos, ora crianças, ora viagens, ora tudo isto e mais o diabo a 7.

 

Mas, sem prejuízo de a querida MJ também falar nisso tudo, e tratar e retratar - na quase dura e real perfeição - os nadas desta vida? Os pormenores que ninguém vê? As pessoas que nos cruzam? As marcas indeléveis do dia a dia que só as vemos se as olharmos com olhos de ver, que só as ouvimos se as escutarmos para ouvir. As coisas de nada são as que têm uma fonte inesgotável de interesse, todos os outros assuntos esgotam-se em si mesmo. 

 

"fiz chá quente e queria flores frescas para animar a manhã.

diz que é um dia sem graça. 

(...)

mas a paz que se sente por entre o correr das horas é de um laranja vivo."

 

 

A Gaffe e as avenidas

 

O dom de fazer as palavras bonitas por mais do que aquilo que elas são. Não sou versado, licenciado muito menos experenciado em letras, línguas ou literaturas. Mas creiam em mim e na minha juvenil inépcia de admirar quem nos faz acreditar que as palavras falam connosco.

Isto é tão certo ser poesia em prosa, como eu não perceber nada de poesia em prosa e, mesmo assim, ter a certeza absoluta de que os mais altos cânones da poesia em prosa e da prosa em poesia e dos vices e os versas concordariam comigo. Não sei muito desta pessoa maravilhosa que nunca comete gaffes a escrever. Sei um pouco de nadaa dela, mas sei o mais importante. Sei, que para mim - que é o que importa, porque sou eu que a estou a gabar - é um dos bons, realmente bons motivos de se ler um blogue.

 

"Há uma mulher ao longe à espera do autocarro.

Veste uma saia escarlate e parece nesta distância nocturna uma bandeira de uma qualquer revolução que não explodiu."

 

 

 

 

A democracia dos pequenos ditadores - uma visão triste sobre a nossa sociedade

Parece que toda a gente anda em polvorosa com as (novas) declarações da Maria Vieira - que eventualmente podem ser do seu marido, uma vez que é assumido que estes são pen pal no facebook desta -, desta feita, sobre o novo herói nacional Salvador Sobral.

 

Engraçado, é observar todo o encadeamento ilógico que este acontecimento gerou:

 

1.º momento - há um atentado em Manchester

2.º momento - Salvador Sobral profere um comentário sobre o atentado em Manchester

3.º momento - Maria Vieira profere um comentário criticando o comentário de Salvador Sobral

4.º momento - Manuel Cavaco, Ana Bola, Nuno Markl, entre outras 1072389172539817253 pessoas proferem comentários criticando o comentário de Maria Vieira sobre o comentário de Salvador Sobral.

 

Isto pela rama é muito assim, e nem importa aqui ao caso o que é que foi efetivamente dito pelos interlocutores. De referir, que depois também houve inúmeras pessoas a defender a Maria Vieira.

 

E aqui é que chegamos a uma conclusão, para mim, preocupante:

 

Desde quando, é que cada um de nós, enquanto emissor de opinião, tornamo-nos agentes fiscalizadores das opiniões dos outros? Desde quando, é que o direito à liberdade de expressão pode ser utilizado como cobertura para ataques infindáveis às opiniões dos outros?

 

Na minha opinião, vivemos cada vez mais numa era em que todos queremos ser ditadores. 

 

A propósito de uma discussão familiar, discutia-se lá em casa a questão das touradas. Como se tratava de um aniversário e estava muita gente presente e a tomar iniciativa no debate, havia inúmeras posições. Mas mais ou menos a balança dividia-se assim: os mais velhos eram a favor, os mais novos eram contra. Sinceramente, não sei porquê. Talvez o choque intergeracional faça com que nós mais novos sejamos mais revolucionários e mais crentes em mudar o mundo. Sinceramente não sei.

 

O que sei é que eu sou totalmente a favor das touradas. Repito, totalmente. E tenho 25 anos. E mais ainda, nem gosto de touradas. Mas a minha formação de jurista ensinou-me que quando está em causa a discussão de determinado assunto, numa forma referendada, digamos assim, em que se decide se se é a favor ou contra, o nosso gosto pessoal releva pouco. Como tal, mesmo não gostando, pessoalmente, de touradas, jamais seria contra touradas.

 

Acabo de dizer o mesmo que estou a escrever aqui, e foi o caos total. "Explica-te! Como é que podes defender o sofrimento daqueles animais?".

 

Expliquei-me.

Eu sou tão a favor das touradas, como sou a favor:

- da praxe;

- do casamento entre pessoas do mesmo sexo e a consequente adopção:

- da eutanásia;

- da descriminalização do incesto;

- da caça;

- da descriminalização (e regulamentação) da prostituição;

- da legalização de todas as drogas;

- da desconsideração de feriados religiosos;

 

 

E, acreditem, que sou mesmo. E, provavelmente, desse lado, do leitor, já está alguém a espumar-se todo com vontade de argumentar com ataques ad hominem a coberto da liberdade de expressão. Hoje em dia, e o Correio da Manhã só veio aumentar isso, é sintomático as caixas de comentários de qualquer orgão de comunicação estar carregados de ataques que pessoas a coberto do anomimato proferem contra outras pessoas só por estas discordarem de si. 

 

É absurdo mesmo. E, ainda para mais, quando são figuras públicas a utilizarem a sua imagem e a sua influência para propagarem mensagens ridículas e claramente discriminatórias e pejadas de preconceito. Vejam por exemplo a plataforma feminista CAPAZES, onde uma das suas redatoras escreveu um "brilhante" texto a clamar sobre justiça. Num texto onde podíamos ler a palavra "democracia" numa frase, e na frase imediatamente a seguir dizia qualquer coisa como:

 

"a suspensão temporária do direito de voto dos homens brancos é a única chance de produzir uma real alteração no mundo"

 

 

Entendem agora porque é que falo na "democracia dos pequenos ditadores"? Porque, infelizmente, cada vez há mais destas pessoas. Pessoas que falam em democracia, mas cujas ideias são norteadas apenas por preconceito, discriminação e completo niilismo.

 

A Maria Vieira começou a ser profundamente atacada por manifestar as suas opiniões pro-Trump através das redes sociais. Todo o mundo ficou chocado porque uma figura pública da sociedade portuguesa manifestou apoio a alguém que, vejam-se, foi eleito democraticamente presidente do país mais poderoso do mundo. O que mostra que afinal o apoio dela não era assim tão isolado e desfasado quanto isso. Mas esta profunda crença que nós portugueses temos de que achamo-nos no direito de opinar sobre tudo e sobre todos faz com que, por exemplo, o Cláudio Ramos tenha emprego. E não digo isto como crítica, digo como constatação de um facto.

 

O problema é que esta mentalidade está inviesada até à mais ínfima célula do nosso ser. Temos um líder de oposição - em quem eu votei, digo sem problema nenhum - que a única coisa que sabe dizer, juntamente com a sua bancada parlamentar e o partido aliado é que o atual Governo "não tem legitimidade para isto, não tem legitimidade para aquilo, bla bla bla". Mas a realidade, a dura realidade que estes pequenos ditadores não aceitam, é que têm legitimidade sim senhor. Tanto têm e tiveram que formaram governo.

 

A questão das praxes é outra dialética incrível. Na altura do acidente do Meco, ouviram-se pessoas a insurgir contras as praxes que: 1 - nunca frequentaram uma universidade; 2 - frequentaram uma universidade mas nunca frequentaram as praxes. Só por si isto já é ridículo, mas eles também têm direito à sua opinião, por mais desajustada com a realidade que possa ser. Em relação à praxe, tendo eu sido praxado e praxante, só tenho a dizer que:

 

 

Vou ser sempre a favor da praxe, enquanto houverem estudantes universitários que queiram ser praxados e queiram praxar. No dia em que não houverem, podem acabar com a praxe então à vontade.

 

E esta ideia aplica-se a tudo. Ok, eu não gosto de touradas, no entanto, sei e respeito que hajam milhares de pessoas que gostem e vibrem com aquilo - para além das dimensões relativamente a impactos comerciais, culturais, históricos, etc. E como tal, defenderei sempre as touradas com base no mesmo princípio, se houverem pessoas que gostam de assistir a touradas, se houverem pessoas que queiram participar, porque não? A propósito deste tema, e para verem a maldade humana, recentemente faleceu com cancro um menino em Espanha que tinha dito numa entrevista, posteriormente, difundida nas redes sociais, que gostaria de ser cavaleiro de touradas (não sei se é o termo correto, wtv). Acreditam que houveram pessoas, só porque são contra touradas, que desejaram a morte ao rapaz? Pessoas que disseram que no caso dele não valia a pena fazerem-se doações e tratamentos. Absurdo mesmo. Tudo porque o rapaz disse que era a favor de touradas.

 

http://www.dn.pt/mundo/interior/vais-morrer-meninocom-cancro-e-vitima-de-ciberbullyingetodoa-espanhareage-5438571.html

 

Quanto à eutanásia. E vou-me só dedicar mais a este tema porque creio ser o que está mais na ordem do dia e mais próximo de ser uma realidade. Antes de mais, dizer que embora seja completamente a favor da legalização da eutanásia entendo que o Governo deveria referendar esta questão, dar ao país a possibilidade de se manifestar individualmente e não através daqueles que nos "representam". E, se porventura isso vier a acontecer, e o NÃO ganhar, então pronto, sou democrata ao ponto de aceitar que a maioria do país mostrou não estar preparado. E não há mal nenhum nisso. As mentalidades mudam-se aos poucos.

 

Exemplo: Despenalização do Aborto

 

Referendo 1998 - mesmo não tendo carácter vinculativo

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Referendo 2007

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No caso do Aborto, bastaram 9 anos, mas que fossem precisos mais ou menos. O importante é saber respeitar!

 

E agora, venham lá esses comentários profiláticos a acusarem-me de tudo e mais alguma coisa.