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demagogia de bolso

Convencido . Corrompido . Corrosivo .

demagogia de bolso

Convencido . Corrompido . Corrosivo .

A Caminho de Casa

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Este é o título do livro do Fabio Volo, que acabei mesmo hoje de ler.

 

A história de dois irmãos, que se parece mesmo muito com a minha própria história. Tudo bem que eu tenho dois irmãos, o que perfaz a conta de três, mas como eu não me dou com o mais velho, exclu-o já da história, e assim encaixa que nem uma luva.

 

Ao longo do livro, é descorrida a vida deles desde a adolescência até à fase dos quarenta. É o Marco e o Andrea. Por minhas palavras, o Marco, o mais novo, é o rebelde, o gajo que papa as garinas, que faz tudo o que quer e o que bem lhe apetece e que não quer saber de nada. Não é dado a paixões nem a amores eternos. Troca de babe como quem muda de camisa. Fuma e bebe só para mostrar que é um bad boy, e sempre olhou para o irmão mais velho um bocado com desprezo por este ter tentado "mandar" nele, após a morte da mãe. O Andrea, bem, é um xoninhas. Sempre direitinho, sem mijar fora do penico, estudava 38 horas por dia, de preferência no quarto da mãe, que como ela tava encamada e mal falava, dava-lhe a paz de espírito que ele precisava para se concentrar. 

 

Marco amou sempre Isabella. Nunca quis nada com ela. Quem diz sempre, diz durante o decorrer do livro claro.

Andrea nunca amou Daniella. Casou com ela e foi encornado. Quem diz nunca, neste caso, diz durante o livro, fora do livro, pela capa e pela contracapa, porque aqui entre nós aquela Daniella era uma puta. Depois havia a Irene, mas a Irene era só para umas voltinhas.

 

A mãe ficou doente e morreu. Os irmãos afastaram-se.

O pai adoeceu (e eventualmente acabou por morrer), e os irmãos aproximaram-se e afeiçoaram-se para cuidar do pai.

 

Esta é a moral do livro: quando morre um pai/mãe, zangam-se as comadres, quando morre o segundo, pai/mãe, juntam-se quanto mais não seja para ver o que lhes toca na herança. Chupistas.

 

Mas tou a gozar, não é esse o caso.

 

No fim, e vou já ser spoiler, acontece exactamente aquilo que se espera:

 

O Marco que sempre amou Isabella, fica com a Isabella e vai viver com a Isabella e fornicar com a Isabella.

O Andrea que nunca amou a Daniella, que foi encornado pela Daniella, que encornou a Daniella, com a Irene, e que foi deixado e deixou a Daniella, foi de férias sozinho para a Austrália. O verdadeiro xoninhas.

 

Verdadeira moral da história: "Faças o que fizeres. Digas o que disseres. Somos e seremos sempre família, para o bem e para o mal." - disse Marco a Andrea quando, encurralados, se preparavam para enfrentar a polícia após o assalto ao Banco Nacional Italiano, com duas bisnagas já sem água, e de capacete de hóquei em gelo na cabeça para não os reconhecerem, e com t-shirts pretas, com um estampado de Jesus Cristo atrás de uma mesa de mistura de headphones nos ouvidos, com a seguinte legenda: "Jesus del Campo"



Tirando isto tudo que inventei, bom livro. Recomendo.