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demagogia de bolso

Convencido . Corrompido . Corrosivo .

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A Matemática dos Refugiados

por oBomIdiota, em 14.09.15

Eu sendo licenciado em Direito, e tendo feito o meu secundário na área das Humanidades, confesso que nunca fui forte em Matemática. Mas Matemática A, porque com aquela matemática elementar posso eu bem. 

 

Posto isto, e segundo o que notícia (e bem) o Expresso, foi acordado que Portugal, por agora é certo, vai receber 1309 refugiados. Ver Aqui 

 

Era para colocar "apenas" 1309, mas não quero estar já a ferir susceptibilidades.

 

Assim sendo, cabe agora fazer algumas contas de Matemática elementar. "Que contas?" - Perguntam vocês e muito bem. São umas contas muito simples de fazer, e claro, feitas em abstrato, mas serve para eu poder explanar um cenário que em muito difere daquele que vem sendo propagado por todos aqueles que na cabeça só têm neurónios (ou se calhar ausência deles) ligados ao PNR.

 

Variáveis:

- Portugal vai receber 1309 refugiados

- Portugal tem, presentemente, 308 concelhos (ou municípios)

 

Aplicando então uma lógica simplista de redistribuição abstrata equitativa (tou a inventar os termos todos não se preocupem), dá qualquer coisa como:

 

1309 : 308 = 4,25

 

Para não dizerem que eu sou mau, até vou aceitar arrendondar por defeito para os 5. Pois bem, minhas senhoras e meus senhores, este número, apurado, mais uma vez saliento, de forma completamente abstrata, representa a quantidade de REFUGIADOS que, à partida, cada município teria de acolher.

 

5 REFUGIADOS !

 

5 REFUGIADOS!!!!!!!!!!

 

Mesmo que Portugal, venha a receber os cerca de 5000 refugiados que a comunicação falava ainda há dias. Aplicando a mesma lógica, dá qualquer coisa como cerca de 16 refugiados por município.

 

Por isso, a todos aqueles que são contra Portugal acolher refugiados, mas cujos únicos argumentos são:

 

- eles são todos sírios

- eles são todos muçulmanos

- eles são todos terroristas

- eles vão vir para Portugal rebentar coisas

- eles vão vir para Portugal violar as nossas mulheres

- eles não respeitam ninguém

- eles são piores que os ciganos, que os romenos, que os pretos, que os chineses, etc.

- "Recebe-os tu em tua casa então"

- "Sou contra eles virem para cá, mas já sou a favor de irmos lá para resolver as coisas"

- "Já temos muitos sem abrigos cá, porque é que não os ajudamos a eles?"

 

Pois bem,

Podia gastar aqui todo o meu latim, e tinha muito para gastar no que toca a este assunto, mas prefiro antes deixar como minha resposta, uma outra que subscrevo inteiramente, e que até à data, melhor espelha o ódio generalizado que se vem vindo a notar : "10 razões para não acolhermos refugiados", do Blog Por Falar Noutra Coisa.

 

Se vêm com comentários do género: "Ah, mas essas contas não fazem sentido", ou algo do género, poupem-me. Não vêm contar a missa ao padre se faz favor. Lisboa e Porto podiam muito bem acolher 500 refugiados, e ninguém os via ou identificava como sendo Os Refugiados, não passariam de mais uma "cambada" de "clandestinos" como o PNR gosta de lhes chamar.

 

Por isso, a todos aqueles que andam por aí a disseminar o ódio generalizado, e o preconceito, o racismo e a xenofobia de massas, sustentado em nada mais do que vídeos, quase todos eles editados, que mostram violência de muçulmanos, mas que não passam de casos pontuais. E SIM, CASOS PONTUAIS! Pelo menos na Europa, que é o que está em causa. Pensem assim: se em Portugal, por cada mulher vítima de violência doméstica, incluindo aquelas que infelizmente acabam por sucumbir às mãos de maridos, ex-maridos e namorados, fosse feito um vídeo que se tornasse viral por essa Internet fora, então também garanto que nenhum país quereria acolher qualquer cidadão português que fosse. A lógica é a mesma. Deixem de se "papar de sono" com vídeos sensacionalistas. 

 

E acima de tudo, deixem de ser hipócritas.

 

Por um lado, passam anos a bajular publicamente, e a contar histórias aos filhos e netos de pessoas como o Aristides de Souza Mendes, que sozinho e desafiando as ordens de um regime, salvou, e vou frisar outra vez, SALVOU mais de 20.000 REFUGIADOS judeus, e para todos nós, 70 anos depois, é um herói nacional, ao mesmo tempo, que por outro lado, recusam-se em estender a mão a um povo que só viu miséria e destruição. 

 

Pois bem, se Aristides de Souza Mendes fosse vivo agora, voltaria a morrer de vergonha com o seu "povo". E mais ainda, espero mesmo que os refugiados sírios não venham para Portugal, não que seja contra, porque sou totalmente a favor, mas aquele povo já passou por tanta miséria e tanto azar, que não merece vir para um país com "gente" como por aí se tem visto.

 

Quando nem os colegas de trabalho conseguem respeitar, como foi a pouca vergonha que se viu na manifestação dos taxistas. Mas pronto, sou democrata e sou obrigado a respeitar este "bando" de inergúmenos e racistas, que não passam de hipócritas frustrados, que falam tanto em salvar sem-abrigos, e são dos primeiros a recusar ajudá-los. Só convém falar neles para ser bonito.

 

A todos aqueles que são contra os refugiados, e que, mesmo para mim sendo difícil aceitar, conseguem justificar e argumentar factualmente e civilizadamente o porquê de serem contra, então só me resta dizer que respeito e compreendo a apreensão que se faz sentir, sem no entanto, deixar de salientar, para que não se deixem governar pelo medo. Assumam os riscos, mesmo que seja o mais díficil a fazer, o tempo dar-nos-á razão, e, daqui a muitos anos, que sejam lembrados pelos vossos netos e bisnetos, como aqueles que ajudaram quem precisou e não como aqueles que se arrependeram de ter fechado a porta a quem suplicou pela sua ajuda.

 

E esqueçam os deuses. Esqueçam as religiões. No fim do dia, o que importa, aquilo que realmente importa, é que saibamos que um pequeno gesto, minúsculo até, pode ter feito toda a diferença do mundo para alguém. E que hoje à noite, quando adormecermos, o Mundo seja um melhor lugar do que era quando acordamos de manhã. 

 

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