Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

demagogia de bolso

Convencido . Corrompido . Corrosivo .

demagogia de bolso

Convencido . Corrompido . Corrosivo .

A meritocracia do Ídolos

Há uns tempos atrás lembro-me de ter visto o Carlão (Pacman) no Alta Definição, e durante a entrevista, a dada altura, e recordando episódios de racismo durante a sua adolescência e confrontado com uma questão: Se achava que lhe tinham sido colocados muitos obstáculos no seu caminho profissional. E ele respondeu que, hoje em dia, está muito na moda falar em meritocracia, ou seja, as oportunidades devem ser dadas a quem tem mérito, mas o problema, frisado por ele e muito bem, é que nem todas as pessoas partem em condições iguais por isso a conversa da meritocracia acaba por cair em "saco roto" uma vez que há uns que têm de batalhar muito mais do que outros para alcançarem o mesmo patamar.

 

Mas isto é a lei da vida, e sabemos  o quanto ela é madrasta. Há de haver sempre uns com mais que fazem pouco do mais, e uns com menos que fazem muito do pouco. 

 

E agora estava a ver o Ídolos, prestando atenção às actuações dos candidatos, e centrei a minha atenção nos comentários do júri ao longo das actuações. Qual não é o meu espanto ao observar que a postura/posição dos júris em relação aos candidatos é a mesma, perdoem-me a analogia, que a de Pôncio Pilatos no julgamento de Cristo. Eles, basicamente, estavam ali para "lavar as mãos" da "injustiça" que seria a expulsão de qualquer um daqueles.

 

De facto, ao longo das actuações que fui vendo (umas gostando, outras nem por isso como é normal), o que mais me chocava era ouvir mesmo o júri. Porque na hora de avaliar, aquele respeitado painel (tirando a espaços o Pedro Boucherie Mendes) dizia sempre o mesmo:


- "Acho que tens tudo para continuar em frente"

- "Seria uma pena se te mandassem já embora"

- "Espero que os portugueses percebam que deves ficar connosco"

- "Tenho a certeza de que ainda te vamos ouvir cantar muitas vezes"

 

Conclusão: chega-se às galas, onde realmente é tudo a doer e onde se tem de olhar para o mais ínfimo pormenor para separar os exelentes dos geniais, e o júri faz exatamente o contrário. 

 

Começa-se a embandeirar em arco, e são todos brilhantes, e merecem todos ganhar. Até aqueles que foram criticados durante o casting, com o Luís Travassos, que foi chamado de "palhacinho" e "alternativo" no casting porque cantou Jorge Palma (que é só um dos grandes vultos nacionais), e que hoje foi cantar fado (e cantar muito bem diga-se de passagem) e passou a ser um "herói", um "verdadeiro ídolo".  A Sara Martins aquela que nem se inscreveu e que foi "repescada" de um programa para o outro digamos assim, foi um talento fora de série, esteve irrepreensível e não sei quê. A Andresa, nas palavras do Paulo Ventura, parecia já uma daquelas artistas feitas já com uma carreira feita em palco. O das cunhas, o filho do Moura dos Santos (que no casting ainda patinou, porque, nas palavras do júri, não mostrava levar aquilo muito a sério) segundo a MJB, está-se a tornar um cantor mais sólido a cada dia que passa. O Paulo (o penúltimo a actuar), e que interpretou a Fix You dos Coldplay de uma forma que, por momentos, toda a gente pensou que já era o Diogo Piçarra a actuar, esteve perfeito, tanto que o Paulo Ventura pelos vistos só conseguia implicar com ele se fosse pela gravata. E o último a actuar, o Gonçalo, segundo o Boucherie, parecia um ídolo em estado puro, pelos vistos entrou em transe e tudo. Ou seja, no fim de contas, foi tudo um mar de rosas, foram todos geniais e merecem todos ficar. Isto pelo júri.

 

Por isso, é que se chega a conclusão que este júri afinal deve perceber muito pouco, ou então, estão como os gatos e têm o rabo preso. São as únicas explicações para não terem feito críticas veementes e convincentes a um candidato que fosse. Como é que é possível serem todos fenomenais? Então isto vai ser um totoloto até ao fim. Da parte da MJB ainda compreendo, visto que ela percebe tanto de música como eu de patinagem artística. Mas esperava mais do Paulo Ventura e do Boucherie Mendes. A MJB como júri do Ídolos faz-me lembrar a Alexandra Lencastre naquele programa em que os famosos interpretavam músicas dos outros. Os comentários basicametne resumem-se a dizer que gostam muito da música e a falar um bocadinho do background do cantor/banda da música em causa. Vê-se mesmo que enquanto o concorrente está a actuar, a preocupação dela deve ser ir ao Wikipédia à procura de alguma informação para ter o que dizer no fim. É rídiculo. Mas também escolherem a Liliane Marise para júri, é porque não precisavam nem estavam à espera de mais.

"Adoro esta música dos Portishead" - MJB sobre o Gonçalo

"Este fado diz-me muito" - MJB sobre o Luís

"Adoro o Hozier" - MJB sobre a Sara

"Os Coldplay são das minhas bandas preferidas" - MJB sobre o Paulo

 

Foda-se a gaja percebe mesmo muito!

 

Mas pronto, a continuar assim o programa, no fim vai ganhar sempre o preferido do júri, o que não é díficil visto que são todos praticamente.

 

Quanto à gala de hoje, confesso que só vi as actuações e nem sei quem foi expulso, mas a atender aos comentários do júri em que são todos lindos e maravilhosos e merecem todos ficar, sabendo que o público é soberano nas decisões. Sem precisar de ver, aposto que sei quem foi expulso. Sabem quem foi?

 

Exatamente, esse mesmo.

Até porque em caso de dúvida, o primeiro a ir é sempre o preto.