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demagogia de bolso

Convencido . Corrompido . Corrosivo .

demagogia de bolso

Convencido . Corrompido . Corrosivo .

Cursar Direito ou posar nu como o Quaresma

Cada vez mais acredito que cresci com os sonhos errados. É verdade. Recuando no tempo até aos meus 14/15 anos, lembro-me perfeitamente que, ao contrário dos meus colegas, nunca ambicionei ser astronauta ou craque da bola. Quanto ao primeiro, tenho vertigens, quanto ao segundo, ainda tentei mas das quatro componentes que fazem um jogador de futebol : talento, dinheiro, gajas e lesões; Eu só consegui este último. De qualquer das formas até o futebol foi sempre um passatempo. Posso afirmar que sempre quis cursar Direito e ser advogado. Sempre. E acredito (ou acreditava) que era uma predisposição superior ou divina que me escolhia para esse caminho, ou não fosse eu ter nascido no dia do dos advogados, precisamente a 19 de Maio. E assim foi, completei o 12.º ano e ingressei na UM, a suposta melhor academia do país, no suposto curso de Direito com a média elevada. Tudo isto são factos. É verdade. Mas são factos subjetivos.

Atenção que não estou com isto a dizer que estou arrependido. Nada mesmo. 

 

Mas,

 

A realidade é que o curso de Direito não é nada do que eu estava à espera. E aqui o sentimento acho que é generalizado. Mas, hei, não desanimem, quando se corre por gosto não cansa. É duro, é muito duro. Não pela dificuldade das cadeiras em si, mas acima de tudo, pelo desânimo que acabamos por sentir em algum momento do curso. Eu digo-vos, senti-me desanimado. Senti-me desanimado no 1.º ano, no 2.º ano, no 3.º ano nem por isso, uma vez que faltei a quase todas as aulas, e no 4.º ano. E agora sinto-me desanimado no 1.º ano de Mestrado. 

 

Que isto não está fácil, já todos sabemos. Que todos os dias, temos portugueses, dos quais alguns são familiares, amigos, conhecidos, a pegar nas suas malas e a partirem, já todos sabemos. Que já existem demasiados advogados, já todos sabemos. Que o Marinho Pinto é um burro, também já todos sabemos. Enfim, uma série de considerações que já todos sabemos. E então o que fazer? Desistir? Virar as costas aquilo que sempre desejamos fazer?

Também não é só o contexto social que é mau. Podia gastar aqui horas e horas a descorrer sobre a incompetência e o não profissionalismo de grande parte do corpo docente do meu curso. Mas também não vale a pena, não quero estragar a surpresa para aqueles todos que ainda não apanharam certos professores(as).

No entanto, fazer aqui uma menção de honra, a um outro, restrito, grupo de docentes que realmente elevam o estatuto do curso de Direito da UM e "apagam" as "nódoas" que os outros, bem na maioria, são. Mas adiante.

 

Sempre ambicionei ser "patrão" de mim mesmo, ou, num carácter mais formal e estilizado, ser a minha própria entidade patronal. As chamadas profissões liberais. Mas não está nada fácil. E assim, é nestes momentos, que paro dois minutos para pensar na minha posição actual: será que é mesmo isto que quero para mim? Para a minha vida? 

 

E chego à conclusão que sim, quanto mais não seja, porque nunca gostei de atalhos nem de sucessos fáceis, sucedâneos e estanques. Nunca me interessou ser RP de bares e discotecas, e vender pulseiras a pitas de 16 anos com as feromonas aos saltos. Nunca me interessou procurar fama atráves de reality shows... Aqui estou a mentir, porque já me candidatei diversas vezes ao Secret Story, porque acho sinceramente que é o programa ideal para mim. Se não vejamos, eu e mais 20 pessoas fechadas numa casa, onde posso discutir o dia todo se quiser e eles são obrigados a ouvir-me, e no fim, basta-me sentar em frente a uma câmera a choramingar a dizer que tive uma namorada que já me bateu (obrigado por aquele estalo Joana, se estiveres a ler isto, estou-te eternamente agradecido) e quando sair cá fora, saco, já estou a papar a Mariana Monteiro ou outra equivalente. Era ouro sobre azul. Mas pronto, deixem-me sonhar que para já ainda não se paga imposto por sonhar.

 

Além de tudo isto, posso sempre recorrer ao modo Quaresma: tatuar meia dúzia de frases e símbolos rebeldes no corpo, andar 6 meses a enfiar anabolizantes pelo cu acima e a bombar-me ao máximo, armar zaragatas com metade dos ciganos de Famalicão, andar com 12 cachuços de ouro nos 10 dedos que tenho nas mãos e comprar uma "bomba" topo de gama, numa daquelas campanhas a leasing, a um stand duvidoso, igual aquele que vende BMW topos de gama com "ligações" ao céu, e que um gajo quando olha até se baba como se tivesse a comer uma sobremesa, ou em inglês, uma "D'zrt" (mania das abreviaturas dos putos de hoje em dia).

 

Para mim era relativamente fácil, confesso. Sou super vaidoso. Sempre fui. E sou daqueles que corre 10 kms por dia (isto é mesmo verdade) e, mal chega a casa, após o banho, ponho me a contemplar o meu porte físico ao espelho. É verdade. É um bocado vergonhoso, mas é verdade. Só que, tirando estes pormenores todos, falta me só "quase" tudo. E aqui, já é o meu lado irracional e demagógico a responder. Obviamente, que eu nunca vou ser, nem quero ser como o Quaresma. Agradecia a conta bancária dele é verdade. Mas não sei se compensaria o risco de ter que fazer análises de despiste de DST, desde a sífilis até ao HIV, de três em três semanas. Além disso, ter todas as quintas-feiras, putos de 4 anos a chorar e a bater me a porta a chamarem me pai também não ajudava nada.

 

Por isso, vou continuar no meu desânimo, a acreditar que a tese de mestrado vai realmente mudar alguma coisa, e que daqui para a frente a vida vai ser um mar de rosas. A minha única alegria, é saber que assim que terminar este ano, mal ou bem, acabou-se a UM. E no sentido de que acabaram-se os testes perdidos, as trocas de nomes (que mesmo com o número de aluno escrito teimavam em trocar), as caras lindas das primeiras filas, aqueles testes todos errados mas que apareciam com 18 valores só para não estragar médias, e muitas outras coisas. Mas hei, isto sou só eu a inventar. Não se passa nada disto na realidade... Só que não.

 

Só espero, e desejo com todo o meu coração, que nunca me convidem para falar da minha experiência no curso de Direito na UM, porque aí das duas três:

 

- ou desfeito tudo e todos, e retiram-me o grau de licenciado e, eventualmente, mestre, de modo retroativo e cá sem contemplações e ainda com dois sopapos no lombo;

 

- ou, na hora de falar e para não recorrer à 1.º via, dispo-me todo, pego num código cívil, uso-o para tapar a minha "personalidade jurídica" e tento o meu momento à Quaresma, mas em vez de ser na capa da revista da Cristina Ferreira, é no Auditório Nobre da ED (e provavelmente na cela da esquadra mais próxima) - mais um atentado ao pudor, o que já é normal, porque falta de pudor e vergonha é o que abunda por aqueles lados;

 

- ou então, abro um powerpoint, com um único slide, onde coloco lá a hiperligação/link para este post, e deixo toda a gente tranquilamente a ler isto, enquanto saio de mansinho, sem antes piscar um olho à minha professora "preferida" porque sei que ela gosta é dos rapazes e que me vai retribuir o piscar de olhos de certeza. 

 

Pois é, sua marota!