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demagogia de bolso

Convencido . Corrompido . Corrosivo .

demagogia de bolso

Convencido . Corrompido . Corrosivo .

Desabafo de quem vê mais um partir

"Desabafo de apenas mais um português que o destino decidiu não traçar um futuro risonho:

 

Hoje dia 30 de Janeiro estou de partida do país que me viveu nascer e crescer, foi com a maior tristeza que já senti na minha vida que tomei esta decisão, partir para outro país a procura do que teima em não aparecer neste.


Hoje deito a toalha ao chão, sinto me sem motivação para continuar a nem sequer obter uma resposta quando tento um trabalho, deito a toalha ao chão agora, mas não para sempre.


Parto sem certezas de nada, e com incertezas de tudo. Enquanto este país continuar assim dezenas e dezenas irão continuar a partir, tal como o meu pai partiu a 9 anos para poder proporcionar melhores condições a nossa família, é com a indignação de isso ter acontecido que tomei esta decisão, pois sei o que custa um filho estar longe do pai, não quero um dia sentir o que é um pai estar longe de um filho, custa me por mim mas muito mais pelo meu irmão pessoa que eu idolatro neste mundo, tal como a minha mãe que sempre fez tudo para nos ver bem, assumindo a dupla responsabilidade de nos criar, para mim a melhor mãe do mundo.


Não vou especificar ninguém mas também pelos meus verdadeiros amigos me custa pensar na ideia de não poder ir tomar café com eles , e agradeço desde já o apoio que me deram. Também não puder ver toda a minha família vai me custar e sem tirar importância a ninguém, mas ver a minha avó, minha segunda mãe triste deixa-me ainda mais triste.


Mas a vida não é feita como nos idealizamos, é feita pelas nossas decisões, tentando escolher os melhores caminhos.


Com isto tudo quero apenas dizer que a minha ambição de querer algo mais e melhor na vida leva me a procurar noutro sítio, pois Portugal não consegue oferecer a toda a gente essas condições.


Para os que cá ficam e cá tentam encontrar a melhor qualidade de vida, desejo a maior felicidade e muito sucesso, por agora eu desisto.


Voltarei com vontade, empenho e dedicação para poder usufruir daquilo que trabalhei para obter, e assim conseguir ter um dia um trabalho na minha área."

 

 

 

Hoje foi o meu melhor amigo que vi partir. Partiu com uma mala cheia de roupa, ansiedade e ilusões. As expectativas nem serão muitas, talvez os sonhos sejam mais. Mas os sonhos são ilusões até se concretizarem, e, até hoje, sonhar não dá de comer. É mais um jovem (24 anos) que nos deixa, e que, paradoxalmente, é deixado por nós, enquanto sociedade e país, ali à "porta" de um aeroporto, de semblante carregado por deixar para trás toda uma vida que já outrora conheceu. O tempo é o imediato, e, no imediato não há aqui lugar para ele. Não cabe nesta pequenez de país que não defende os seus.

 

 

Partes tu hoje, Vasco.

 

Mas não partes sozinho. Parto eu contigo também, bem como todos os teus amigos. Partimos juntos contigo, voltaremos juntos contigo, e estaremos juntos sempre. Sempre contigo. 

 

Levas de todos nós um pouco. E o que mais anseio é ver-te ser feliz, seja cá, de volta, ou lá, se este país não merecer o teu regresso. A partir de hoje, tornaste-te maior que o país que te viu nascer. Quem deixa a sua casa para ir para outro país, a sua casa passa a ser o mundo. 

 

 

Manda um beijo à Renata por mim. E voltem os dois.