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demagogia de bolso

Convencido . Corrompido . Corrosivo .

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Portugal e Grécia

por oBomIdiota, em 05.07.15

Hoje é um dia crucial para a soberania da Grécia. Está em jogo muita coisa, muitas decisões e muito poder para além de tudo aquilo que o referendo parece abranger. Hoje, é "Nai" (Sim) ou "Oxi" (Não), mas seja qual for a que prevalecer e sair vitoriosa do referendo, o impacto além fronteiras, nomeadamente na União Europeia, será em espécie de "efeito dominó". Só para dar um exemplo, a Grécia é das economias mais pequenas da UE, representando apenas cerca de 2% do PIB Europeu, no entanto, se o "Oxi" (Não) ganhar o referendo, dando mais margem de manobra e acima de tudo peso político para o Syriza continuar a sua campanha e luta anti-austeridade, pode servir de catalisador para que em Espanha nas próximas eleições que se seguem, os partidos e movimentos anti-austeridade ganhem mais força, o que para a UE já se torna bastante preocupante uma vez que a Espanha representa a 4.º economia europeia, e, hipoteticamente, um cenário na Espanha de uma situação semelhante à Grécia, seria catastrófico para a coesão e estabilidade do projeto europeu e da própria moeda, o euro. É por isso, que a Alemanha tanta pressão faz sobre a Grécia e o povo grego, para que o "Nai" (Sim) ganhe hoje, e para que o Syriza saia de cena. Porque a Merkel e o Schauble (Ministro das Finanças) sabem que se este movimento anti-austeridade se alargar a mais países que enfrentam crises ou recessões económicas, como é o nosso caso ou da Espanha, deixam de poder "segurar o barco" e manter a posição e a influência dominante que exercem, uma vez que passam a ser obrigados, em prol de um "bem maior" a mudar totalmente a estratégia do jogo. E nem falo de nós, Portugal, mas sim da Espanha e da Itália. E se nestes países, o "Syriza" que há no interior de cada um dos contestatários à política de austeridade se começar a revelar e a "vir cá para fora", então podemos estar na iminência, da maior crise política de sempre no Velho Continente.

 

Quanto a nós, Portugal, não podemos aceitar o discurso de quem nos governa, dizendo que estamos numa situação muito diferente da Grécia, e que os problemas deles não nos dizem respeito. Isso é uma completa falsidade. Nós somos, dentro da UE, uma espécie de "irmão gémeo" da Grécia, por isso, todos os problemas que assolam a Grécia dizem-nos, intimamente, respeito. Sempre foi assis, e sempre será.

 

Eça de Queiroz (1845-1900), (grande) escritor e diplomata português, já afirmava em pleno século XIX:

 

"Nós Estamos num Estado Comparável à Grécia"

"Nós estamos num estado comparável, correlativo à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade política, mesmo abaixamento dos caracteres, mesma ladroagem pública, mesma agiotagem, mesma decadência de espírito, mesma administração grotesca de desleixo e de confusão. Nos livros estrangeiros, nas revistas, quando se quer falar de um país católico e que pela sua decadência progressiva poderá vir a ser riscado do mapa – citam-se ao par a Grécia e Portugal. Somente nós não temos como a Grécia uma história gloriosa, a honra de ter criado uma religião, uma literatura de modelo universal e o museu humano da beleza da arte."

Eça de Queirós, in 'Farpas (1872)'

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