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demagogia de bolso

Convencido . Corrompido . Corrosivo .

demagogia de bolso

Convencido . Corrompido . Corrosivo .

Hoje, orgulho em ser português!

"A adoção de crianças por casais homossexuais foi aprovada, esta sexta-feira, no Parlamento."

 

 

Acordei para um Mundo melhor hoje. Pequenas vitórias, que para muitos nada significam, mas que para poucos - mesmo que muito poucos - representam o Mundo. E esses também merecem viver com dignidade e igualdade.

 

Os meus parabéns!

O que eu sonharia se fosse um mentecapto

Esta família de refugiados que a TVI está a passar neste momento, têm mesmo caras de terroristas realmente. Olho para aquelas miúdas que não têm mais de 8 anos, mas que se calhar têm mais quilómetros nas pernas do que muita gente nos carros, e não me enganam, são autênticas terroristas. Nem sei porque é que vêm para o meu país, podiam bem ficar no seu país, com a sua gente e a sua família.

 

Ah pois, já não tem país, a sua gente é marginalizada e família só a que têm com eles. Realmente, que vida de reis que eles têm, só porque lhes arranjaram um tecto, sinto-me mesmo injustiçado.

 

Acho que me vou fazer de refugiado. Não deve ser difícil, é só rebentarem me a casa, matarem me pelo menos metade da família, e fazer milhares de quilómetros a pé, à pata ou a penante - ou pronto, de barco se for rico -, sem sequer saber se volto a ver o Sol nascer, que depois me dão uma casa e um emprego. Onde é que assino para ser refugiado também?

 

E ainda vou para um país impor a minha cultura e a minha religião. Acho muito bem, até porque por mim eram todos do FC Porto. Quase que parece um sonho ser refugiado. Mas lá está, nasci num país sem oportunidades dessas. Uma pessoa quer ser refugiada e não pode, de que é que me serve uma licenciatura em Direito? De que é que me serve um país que não é mais do que um jardim à beira mar plantado? Quem me dera andar pelas Sírias desse mundo fora a fugir de bombas, drones, balas, jihadistas, granadas, mísseis, mais jihadistas, pessoas que querem matar jihadistas, e mais bombas, e bombas. Muitas bombas. No fim valeria a pena, se me safasse. Pois ia ter uma vida de lorde à minha espera num T2 ou T3 bafiento em Penela, Coimbra. Sim senhor, é melhor do que as virgens que os outros têm quando se explodem. Uma casa em Penela era o que eles queriam, e com um bocadinho de sorte, se fizer bem o meu papel de refugiado ainda me arranjam um empregozinho a ganhar um ordenado mínimo e a ser mais um explorado como tantos outros.

 

Não me digam que não vão conseguir! Deixem-me sonhar!

 

Ah, espera. Não consigo sonhar, tampouco consigo dormir, as bombas não cessam durante a noite e não posso parar. Só me resta fugir. Tenho que fugir.

 

E o Sol? Será que o Sol vai nascer mais um dia para mim?

Vergonha alheia

Então, basicamente, a Alemanha garante o seu apoio (de peso) e influência junto da União Europeia, no sentido de agilizar a entrada da Turquia na UE, se estes travarem o fluxo migratório sírio. Ou seja, como a vergonha alheia é muita em ver todos os dias aqueles pobres desgraçados às "portas" das fronteiras da Sérvia, Áustria, Croácia, etc.., passando assim uma imagem de uma Europa que não convém que passe, a Turquia compromete-se a ser o "carrasco" de milhares (senão milhões), em troca de um lugar à mesa? E ninguém se insurge? Ninguém diz nada? Peguem na Declaração Universal dos Direitos do Homem e na Convenção Europeia dos Direitos do Homem e deitem-nas ao lixo. Metem nojo!

Tristeza intrínseca

O que o parlamento húngaro fez hoje, foi algo histórico. Algo historicamente estúpido e uma completa e pura barbárie.

 

"O texto confirma a possibilidade de destacar militares em massa para as fronteiras e autoriza em determinadas condições que o exército e a polícia disparem contra os migrantes, desde que os tiros não sejam "mortais".

 

Como é que isto é possível e ninguém faz nada?

 

E ainda defendem uma intervenção militar na Síria? Por mim "corríamos" ao tiro era estes políticos húngaros. Há 70 anos atrás, quando eram eles (e outros) que estavam por trás de um muro e de uma "cortina de ferro", não se faziam mais do que vítimas e coitadinhos, e agora querem fazer o mesmo? Não há decência. Valores universais como a dignidade da pessoa humana contam pouco ali para os lados de Budapeste.

 

A hipocrisia é tanta, mas tanta que já não dá simplesmente para "varrer para debaixo do tapete".

 

Como é possível um povo que foi contra e que clamou vitória quando foi destruído um muro como este:

muro_berlim_01.jpg

 (Muro de Berlim)

 

Ser agora o primeiro a construir um muro e a ser a favor daquilo que por tanto tempo foram contra?

 

murohungria.jpg

 

Hoje é um dia muito triste e negro para os Direitos Humanos em todo o mundo.

 

Hoje, estou triste. Muito triste mesmo.

A Matemática dos Refugiados

Eu sendo licenciado em Direito, e tendo feito o meu secundário na área das Humanidades, confesso que nunca fui forte em Matemática. Mas Matemática A, porque com aquela matemática elementar posso eu bem. 

 

Posto isto, e segundo o que notícia (e bem) o Expresso, foi acordado que Portugal, por agora é certo, vai receber 1309 refugiados. Ver Aqui 

 

Era para colocar "apenas" 1309, mas não quero estar já a ferir susceptibilidades.

 

Assim sendo, cabe agora fazer algumas contas de Matemática elementar. "Que contas?" - Perguntam vocês e muito bem. São umas contas muito simples de fazer, e claro, feitas em abstrato, mas serve para eu poder explanar um cenário que em muito difere daquele que vem sendo propagado por todos aqueles que na cabeça só têm neurónios (ou se calhar ausência deles) ligados ao PNR.

 

Variáveis:

- Portugal vai receber 1309 refugiados

- Portugal tem, presentemente, 308 concelhos (ou municípios)

 

Aplicando então uma lógica simplista de redistribuição abstrata equitativa (tou a inventar os termos todos não se preocupem), dá qualquer coisa como:

 

1309 : 308 = 4,25

 

Para não dizerem que eu sou mau, até vou aceitar arrendondar por defeito para os 5. Pois bem, minhas senhoras e meus senhores, este número, apurado, mais uma vez saliento, de forma completamente abstrata, representa a quantidade de REFUGIADOS que, à partida, cada município teria de acolher.

 

5 REFUGIADOS !

 

5 REFUGIADOS!!!!!!!!!!

 

Mesmo que Portugal, venha a receber os cerca de 5000 refugiados que a comunicação falava ainda há dias. Aplicando a mesma lógica, dá qualquer coisa como cerca de 16 refugiados por município.

 

Por isso, a todos aqueles que são contra Portugal acolher refugiados, mas cujos únicos argumentos são:

 

- eles são todos sírios

- eles são todos muçulmanos

- eles são todos terroristas

- eles vão vir para Portugal rebentar coisas

- eles vão vir para Portugal violar as nossas mulheres

- eles não respeitam ninguém

- eles são piores que os ciganos, que os romenos, que os pretos, que os chineses, etc.

- "Recebe-os tu em tua casa então"

- "Sou contra eles virem para cá, mas já sou a favor de irmos lá para resolver as coisas"

- "Já temos muitos sem abrigos cá, porque é que não os ajudamos a eles?"

 

Pois bem,

Podia gastar aqui todo o meu latim, e tinha muito para gastar no que toca a este assunto, mas prefiro antes deixar como minha resposta, uma outra que subscrevo inteiramente, e que até à data, melhor espelha o ódio generalizado que se vem vindo a notar : "10 razões para não acolhermos refugiados", do Blog Por Falar Noutra Coisa.

 

Se vêm com comentários do género: "Ah, mas essas contas não fazem sentido", ou algo do género, poupem-me. Não vêm contar a missa ao padre se faz favor. Lisboa e Porto podiam muito bem acolher 500 refugiados, e ninguém os via ou identificava como sendo Os Refugiados, não passariam de mais uma "cambada" de "clandestinos" como o PNR gosta de lhes chamar.

 

Por isso, a todos aqueles que andam por aí a disseminar o ódio generalizado, e o preconceito, o racismo e a xenofobia de massas, sustentado em nada mais do que vídeos, quase todos eles editados, que mostram violência de muçulmanos, mas que não passam de casos pontuais. E SIM, CASOS PONTUAIS! Pelo menos na Europa, que é o que está em causa. Pensem assim: se em Portugal, por cada mulher vítima de violência doméstica, incluindo aquelas que infelizmente acabam por sucumbir às mãos de maridos, ex-maridos e namorados, fosse feito um vídeo que se tornasse viral por essa Internet fora, então também garanto que nenhum país quereria acolher qualquer cidadão português que fosse. A lógica é a mesma. Deixem de se "papar de sono" com vídeos sensacionalistas. 

 

E acima de tudo, deixem de ser hipócritas.

 

Por um lado, passam anos a bajular publicamente, e a contar histórias aos filhos e netos de pessoas como o Aristides de Souza Mendes, que sozinho e desafiando as ordens de um regime, salvou, e vou frisar outra vez, SALVOU mais de 20.000 REFUGIADOS judeus, e para todos nós, 70 anos depois, é um herói nacional, ao mesmo tempo, que por outro lado, recusam-se em estender a mão a um povo que só viu miséria e destruição. 

 

Pois bem, se Aristides de Souza Mendes fosse vivo agora, voltaria a morrer de vergonha com o seu "povo". E mais ainda, espero mesmo que os refugiados sírios não venham para Portugal, não que seja contra, porque sou totalmente a favor, mas aquele povo já passou por tanta miséria e tanto azar, que não merece vir para um país com "gente" como por aí se tem visto.

 

Quando nem os colegas de trabalho conseguem respeitar, como foi a pouca vergonha que se viu na manifestação dos taxistas. Mas pronto, sou democrata e sou obrigado a respeitar este "bando" de inergúmenos e racistas, que não passam de hipócritas frustrados, que falam tanto em salvar sem-abrigos, e são dos primeiros a recusar ajudá-los. Só convém falar neles para ser bonito.

 

A todos aqueles que são contra os refugiados, e que, mesmo para mim sendo difícil aceitar, conseguem justificar e argumentar factualmente e civilizadamente o porquê de serem contra, então só me resta dizer que respeito e compreendo a apreensão que se faz sentir, sem no entanto, deixar de salientar, para que não se deixem governar pelo medo. Assumam os riscos, mesmo que seja o mais díficil a fazer, o tempo dar-nos-á razão, e, daqui a muitos anos, que sejam lembrados pelos vossos netos e bisnetos, como aqueles que ajudaram quem precisou e não como aqueles que se arrependeram de ter fechado a porta a quem suplicou pela sua ajuda.

 

E esqueçam os deuses. Esqueçam as religiões. No fim do dia, o que importa, aquilo que realmente importa, é que saibamos que um pequeno gesto, minúsculo até, pode ter feito toda a diferença do mundo para alguém. E que hoje à noite, quando adormecermos, o Mundo seja um melhor lugar do que era quando acordamos de manhã. 

 

O preconceito é isto

Quando um refugiado sírio é igual a muçulmano ou extremista. Pensava mesmo que refugiado era uma condição social, e sírio uma nacionalidade. Pelos vistos não há sírios cristãos, nem judeus, nem ateus nem nada. São todos muçulmanos, extremistas, fanáticos, e principalmente, maus. E vêm todos para a Europa rebentar com isto tudo. Só que já diziam isto dos refugiados do Ruanda. Só que já diziam isto dos refugiados do Kosovo e da antiga Jugoslávia. Só que já diziam isto dos georgianos durante a Guerra dos Caucasis. Só que já diziam isto dos refugiados do Kuwait durante a Guerra do Golfo. Só que já diziam isto dos refugiados da Libéria durante a guerra civil. Quando o preconceito não e mais do que isso, preconceito. Santa Ignorância.