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demagogia de bolso

Convencido . Corrompido . Corrosivo .

demagogia de bolso

Convencido . Corrompido . Corrosivo .

Agora Tancos

nunca fui conspirativista,

 

mas acho de uma coincidência enorme as armas que afinal foram roubadas em tancos - porque ainda andávamos no roubaram ou não havia nada para roubar que elas nunca existiram - terem aparecido hoje.

 

no dia em que a ministra da administração interna se demite,

no dia em que o primeiro ministro vai ao parlamento enfrentar uma moção de censura por parte da oposição, 

no dia em que o primeiro ministro vai se reunir com o presidente da república para ouvir o que será mais do que provável sermão paternalista,

 

se havia dia que alimentaria as teorias da conspiração acerca do que se passou realmente em tancos, era o dia de hoje. 

 

e vá se lá saber como, estavam as armas guardadinhas em chamusca, santarém, e foram recuperadas através de uma denúncia anónima, ANÓNIMA.

 

enfim.

 

Qual dignidade?

a ministra da administração interna, na carta com o seu pedido de demissão dirigida ao primeiro ministro, inicia dizendo que apresenta "agora, formalmente, o meu pedido de demissão, que tem de aceitar, até para preservar a minha dignidade pessoal".

 

como é que ainda há dois dias atrás enfrenta uma série de jornalistas para dizer em direto ao país que para ela seria mais fácil, pessoalmente, ir-se embora e ter as férias que não teve, mas que agora não era altura de demissões.

 

e agora vem dizer que, afinal, sempre se quis demitir? para preservar a dignidade pessoal? qual dignidade?

 

"Logo a seguir à tragédia de Pedrógão pedi, insistentemente, que me libertasse das minhas funções e dei-lhe tempo para encontrar quem me substituísse, razão pela qual não pedi, formal e publicamente a minha demissão". 

 

o tempo que não era de demissões há dois dias, passou a sê-lo agora, o que só mostra que a decisão foi tomada não por mostra de carácter, mas por falta dele. 

 

adeus, e até nunca mais senhora ministra.

Queimaram as minhas lembranças

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Quem me conhece sabe o carinho que tenho por S. Pedro do Moel.

 

 

Pequena aldeia, à beira-mar, de boas gentes, hospitaleiras, que recebem qualquer pessoa de braços abertos e com um sorriso rasgado na cara. Terra onde os verões são idílicos, onde o sol reflete nas varandas das casas brancas viradas para o mar, onde as ruas são estreitas e desniveladas num tracejado que termina na praia, onde a languidão dos dias acompanha os bocejos dos velhinhos que preenchem os bancos em dia de calor contemplando um horizonte de azul de céu e azul de mar. E toda esta preciosidade era honradamente guardada por um pinhal lindo e verdejante que protegia esta bela terra do passo apressado da vida mundana.

 

Ardeu o pinhal de Leiria, perderam-se as árvores, os animais, o cheiro e o chilrear de pássaros. Perdeu-se, em parte, Portugal. Que se consiga recuperar, que se consiga renascer e que possa um dia mais tarde, num futuro que desejo, levar os meus filhos e netos, por aquela mesma estrada, pelo meio daqueles lindos pinheiros, a S. Pedro de Moel, terra de gentes que merecem o mundo e que perderam o mundo que conheciam.

Rescaldo

são onze horas e quarenta e nove minutos e e a ministra da administração interna ainda não se demitiu. falta de noção é o que parece ser, falta de tempo é o que gostava de acreditar.

 

morreram já mais de noventa pessoas só este ano, em incêndios, à sua guarda. sob a sua responsabilidade. não que seja a culpada, pessoalmente, do calor, do vento, dos incendiários e do diabo a sete que pôs o nosso jardim plantado à beira-mar a ferro, fogo e brasas no passado domingo, mas, com o cargo que ocupa, tem que dar o peito às balas, assumir a sua responsabilidade e fazer o que Jorge Coelho fez na tragédia de entre os rios. a culpa não pode morrer solteira.

 

são já onze horas e cinquenta e três minutos. mais quatro minutos que passaram e a ministra ainda não se demitiu. lamentável.