Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

demagogia de bolso

Convencido . Corrompido . Corrosivo .

demagogia de bolso

Convencido . Corrompido . Corrosivo .

Catalunha, quatrocentos anos depois.

Porque este caminho já é irreversível.

 

Porque o povo é quem mais ordena.

 

Porque quem tem uma identidade cultural própria, nomes próprios distintos, uma lingua própria, um hino próprio, uma bandeira própria e uma vontade popular por trás merece a sua auto determinação.

 

E, historicamente, nós portugueses devemos o gesto solidário de compreensão e apoio à causa catalã. Porque a História não esquece e ensina que a 1 de Dezembro de 1640 só foi possível a restauração da independência porque em Espanha as preocupações concentravam-se na rebelião da Catalunha. Não esqueçamos. 

 

Nós obtivemos a nossa justiça em 1640 e eles obtiveram-na hoje, 27 de Outubro de 2017.

 

Catalunha é um país. Viva a Catalunha!

 

1.JPG

 

Portugal e Grécia

Hoje é um dia crucial para a soberania da Grécia. Está em jogo muita coisa, muitas decisões e muito poder para além de tudo aquilo que o referendo parece abranger. Hoje, é "Nai" (Sim) ou "Oxi" (Não), mas seja qual for a que prevalecer e sair vitoriosa do referendo, o impacto além fronteiras, nomeadamente na União Europeia, será em espécie de "efeito dominó". Só para dar um exemplo, a Grécia é das economias mais pequenas da UE, representando apenas cerca de 2% do PIB Europeu, no entanto, se o "Oxi" (Não) ganhar o referendo, dando mais margem de manobra e acima de tudo peso político para o Syriza continuar a sua campanha e luta anti-austeridade, pode servir de catalisador para que em Espanha nas próximas eleições que se seguem, os partidos e movimentos anti-austeridade ganhem mais força, o que para a UE já se torna bastante preocupante uma vez que a Espanha representa a 4.º economia europeia, e, hipoteticamente, um cenário na Espanha de uma situação semelhante à Grécia, seria catastrófico para a coesão e estabilidade do projeto europeu e da própria moeda, o euro. É por isso, que a Alemanha tanta pressão faz sobre a Grécia e o povo grego, para que o "Nai" (Sim) ganhe hoje, e para que o Syriza saia de cena. Porque a Merkel e o Schauble (Ministro das Finanças) sabem que se este movimento anti-austeridade se alargar a mais países que enfrentam crises ou recessões económicas, como é o nosso caso ou da Espanha, deixam de poder "segurar o barco" e manter a posição e a influência dominante que exercem, uma vez que passam a ser obrigados, em prol de um "bem maior" a mudar totalmente a estratégia do jogo. E nem falo de nós, Portugal, mas sim da Espanha e da Itália. E se nestes países, o "Syriza" que há no interior de cada um dos contestatários à política de austeridade se começar a revelar e a "vir cá para fora", então podemos estar na iminência, da maior crise política de sempre no Velho Continente.

 

Quanto a nós, Portugal, não podemos aceitar o discurso de quem nos governa, dizendo que estamos numa situação muito diferente da Grécia, e que os problemas deles não nos dizem respeito. Isso é uma completa falsidade. Nós somos, dentro da UE, uma espécie de "irmão gémeo" da Grécia, por isso, todos os problemas que assolam a Grécia dizem-nos, intimamente, respeito. Sempre foi assis, e sempre será.

 

Eça de Queiroz (1845-1900), (grande) escritor e diplomata português, já afirmava em pleno século XIX:

 

"Nós Estamos num Estado Comparável à Grécia"

"Nós estamos num estado comparável, correlativo à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade política, mesmo abaixamento dos caracteres, mesma ladroagem pública, mesma agiotagem, mesma decadência de espírito, mesma administração grotesca de desleixo e de confusão. Nos livros estrangeiros, nas revistas, quando se quer falar de um país católico e que pela sua decadência progressiva poderá vir a ser riscado do mapa – citam-se ao par a Grécia e Portugal. Somente nós não temos como a Grécia uma história gloriosa, a honra de ter criado uma religião, uma literatura de modelo universal e o museu humano da beleza da arte."

Eça de Queirós, in 'Farpas (1872)'

OAE: Ordem dos Advogados Esfomeados

advogados.jpg

 

 

Com uma frequência quase diária, cada vez mais sinto me inseguro em relação ao meu futuro. Começo a acreditar que a minha licenciatura em Direito, e o subsequente Mestrado (em que me encontro de momento) pouco ou nada me valerão na prática durante a minha vida profissional. Sinto me como se fosse um dos protagonistas daquele icónico filme japonês, o Battle Royale, em que tratando-se de uma luta pela sobrevivência, fui "atirado" para o meio de uma selva e deram-me como "arma" apenas um "canudo". Eu que, confesso, sempre gostei de apostar, numa situação destas, apostava claramente tudo contra mim. E como se não bastasse o meu futuro agoirento, as entidades competentes na matéria entenderam que o panorama ainda não era negro o suficiente e então trataram de "escurecer" as coisas. Sinceramente, eu, neste momento, até tenho medo de querer ser advogado só por saber o que me espera.

 

- "Mas se é o teu sonho tens de lutar por ele."

- "Pois. É verdade. Mas como é que eu vou lutar se já não como há 3 dias?"

 

Parece-me a resposta mais plausível e mais aproximada realidade que se avizinha. Eu sempre quis ser advogado. Sempre. Nasci no Dia Mundial dos Advogados, ou pelo menos no dia do padroeiro dos advogados (Dia 19 de Maio), e desde que me lembro, desde que tenho consciência, que sempre quis ser advogado. Fiz tudo para isso, tive as notas que me foram exigidas, ingressei no curso que queria e na universidade que queria ( Universidade do Minho ) e fiz o meu percurso acadêmico com moderado sucesso e sem sobressaltos. Concluí a licenciatura e iniciei o Mestrado que queria, em Direito Tributário, na mesma instituição. Optei por não me inscrever logo na OA, para não apressar as coisas e poder fazer a minha caminhada em passos firmes.

 

E agora, findado o ano curricular do Mestrado, e na altura em que me preparo (mais psicologicamente do que outra coisa) para me inscrever na OA e dar início à minha vida profissional na condição de Advogado Estagiário, vêm as tão aclamadas mudanças nos estatutos da OA e não só. Basicamente, até aqui, andavam o advogados estágios a trabalhar como escravos e "pagos", salvo raríssimas excepções, a pão e água. Mas agora até o "pão" querem tirar. E pior ainda , vamos ter de passar a pagar o "pão" que não comemos. O mercado está saturado de advogados e solicitadores é verdade. E o número de aposentados a beneficiarem do CPAS (a "Segurança Social" dos advogados e dos solicitadores) já ultrapassa o número gritante de mais de 4000. Ou seja, são aqueles que estão no activo que têm de manter a sustentabilidade deste sistema. O problema está a quem é que se vai exigir o esforço de aguentar o barco. Até agora, os advogados estagiários tinham a "benesse" de estarem isentos da contribuição mensal para o CPAS, e tinham a opção de se manterem isentos nos primeiros três anos da sua carreira profissional como um incentivo à produtividade dos mesmos. No entanto, as regras do jogo parece que mudaram, para pior claro está.

 

E o panorama resume-se neste ponto: um advogado estagiário, com o novo estatuto da OA (já nem vou falar do antigo) vai andar 18 meses - na teoria, porque na prática vão ser 24 meses ou mais ate -, a trabalhar como um "mineiro chileno", para ser pago ao fim do mês com dinheiro do Monopoly e uma gratificação em forma de palmadinha nas costas ao mesmo tempo que nós dizem ao ouvido "Segunda-feira cá estamos outra vez. Pensa assim, já faltou mais".

 

E enquanto andarmos assim, a sermos colocados de quatro ao mesmo tempo que por trás nos violam na nossa dignidade humana, vamos ao mesmo tempo, contribuindo mensalmente com a módica quantia de 23 euros. Deve ser para pagar os métodos contraceptivos de quem nos molesta laboralmente. Sem entrar no campo da constitucionalidade das normas em causa, parece-me que a possibilidade de termos muitos advogados estagiários a comprar, em vez de códigos, apenas enlatados e embalagens de massa e arroz um cenário cada vez mais perto na linha do horizonte.

 

Até lá, espero pacientemente que abram as inscrições, para me juntar de forma voluntária a essa grande instituição de advogados estagiários subnutridos que é a "nova" OAE: Ordem dos Advogados Esfomeados.

Quem salvaguarda o meu futuro?

Há bocadinho, ouvindo atentamente a entrevista a António Costa, dei por mim a concordar com muitas coisas do que ele dizia. Estava, a meu entender, com um discurso coerente e bastante modesto até. Só que depois fiquei com medo. A partir do momento em que ele diz e passo a citar: "Já deu para ver que este modelo de austeridade fracassou. Basta de experimentalismos. Temos de voltar ao básico." Confesso que fiquei apavorado. Mesmo não concordado com o modelo actual, em muitos pontos, digam-me, não foi o básico que nos levou até aqui? E não distingo lados, seja direita ou esquerda. Daquilo que vejo, e essencialmente me lembro, foi o caminho "básico" levado pelos governos de outrora que nos trouxeram à situação insustentável que este Governo herdou, e atenção, que o Governo anterior do N.º44, não é o maior culpado. Acredito piamente, que também eles tentaram colocar um travão, só que lá está, não dava para parar a carruagem com o modelo "básico". Agora, andamos a pagar os erros cometidos pelos governos anteriores, quer da direita e da esquerda repito, no entanto, o povo tem a memória curta, e como tal o N.º44 é visto como o Diabo, mas não é. Os piores são aqueles que agora apontam o dedo e que na altura deles podiam ter evitado a calamidade em que nos encontramos agora. Eles sabem quem são: Ferreira Leite, Bagão Félix, G. de Oliveira Martins, Teixeira dos Santos, o falecido Sousa Franco, Eduardo Catroga, Manuel Pinho, Jardim Gonçalves, Ricardo Salgado, entre tantos outros. Tantos que ao longo dos anos, ocuparam cargos governamentais, institucionais, posições chave no sector da banca. Já para não falar de autarcas agarrados ao poder quais autênticos Salazares, ou então dos lobbys de grandes escritórios de advocacia. É vê-los em todo o lado. Até no Sindicatos, símbolos da resistência, e da vitória do povo sobre os regimes, mas que mesmo assim tinha o mesmo líder há mais de 30 anos. Portugal, continua e há-de continuar a ser o País de Salazar e de Cunhal, da direita e da esquerda, do PS e do PSD, como o futebol é do Ronaldo e do Messi. A obrigação e o dever de "lutarem" e governarem pelo bem superior de um povo, que se exausta diariamente na tentativa vã de dar um rumo melhor aos seus filhos e netos, esbarra nos conflitos de interesses, nos debates demagógicos, nas moções de confiança, nos acordos bilaterais, nas PPP's, nos "swaps", nas holdings, nos bolsos do "Rei" de Angola, e em tantos outros cantos recônditos, onde a luz da opinião pública não chega, e assim, com as "negociatas" de bastidores a ocorrerem de modo continuado e perpétuo, lá vamos nós caminhando para mais umas eleições legislativas. As campanhas estão à porta, e todos eles, quais vampiros com os dentes afiados, ultimam a estratégia para enganar o povo mais uma vez. O Passos Coelho não é a solução. O António Costa não é a solução. Nem o Portas, nem o Jerónimo, nem nenhum dos cerca de 230 deputados que por lá andam a apostar o nosso futuro. A solução não tem nome, nem partido, nem orientação política. Desengane-se quem pensa o contrário. A solução não pode passar por isso. A solução só podem ser valores, e os valores estão em nós, no nosso sangue, e temos de os trazer cá para fora: sacrifício, honradez, seriedade, transparência, e acima de tudo, acima de qualquer um destes, COMPROMISSO. Compromisso com aqueles a quem devemos. Compromisso com aqueles que nos devem. Compromisso com quem nos ajuda e nos pede ajuda. Compromissos com os PALOP, não com famílias ricas de Angola (Van Dúnen e Dos Santos). Compromissos com a União Europeia e os seus estados-membros, não com as ideias da Merkel ou com os améns de Junckers e outros que por lá andam. E compromissos com o povo português. Compromisso com os portugueses, não só com aqueles que moram ali ao pé do Terreiro do Paço, ou perto dos Aliados, mas com os portugueses de Vila Praia de Âncora, da Régua, de Valpaços, de Serpa, de Vila Velha de Ródão, de Satão, de Olhão, da Marinha Grande, de Freixo de Espada à Cinta. Mas não só estes. não esquecer os portugueses de New Jersey, de Toronto, de Paris, do Luxemburgo, de todos os cantões da Suíça, dos que restam em Macau, dos que já partiram para Angola, Moçambique e Cabo Verde.

Em todo o lado do mundo onde houver um português, há um dever e uma obrigação incindível e inquebrável de quem nos governa, de zelar pelos seus melhores interesses, e fazer tudo o que está ao alcance para que o "povo", esta grande enchente, esta grande moldura humana, esta raça mística de gente, continue mais do que feliz, a sentir orgulho de ser português. Porque podem nos tirar tudo, menos o orgulho de ser português. E este orgulho, está nas páginas de Saramago, nos fados de Amália e do Carlos do Carmo, nos golos do Ronaldo e do Eusébio, no Abril de Salgado Maia, nos poemas de Manuel Alegre, no ouro da Rosa Mota e do Carlos Lopes, na bicicleta de Joaquim Agostinho, nas conquistas do Benfica e do Porto, nas palavras de Fernando Pessoa, nas investigações de António Damásio, na contestação da Catarina Eufémia, nos filmes de Manoel Oliveira, na sabedoria de José Hermano de Saraiva, no riso de Raúl Solnado, nas caravelas de Vasco da Gama, nas acções de Aristides de Sousa Mendes, nas canções de Zeca Afonso, nos sermões do Padre António Vieira, na guitarra de Carlos Paredes, nos autos de Gil Vicente, nos poemas de Bocage, nos quadros da Paula Rego, nas construções de Siza Vieira e na pena de Camões.

Se podemos ter orgulho em todas estas figuras, porque não podemos ter também orgulho em quem nos governa? Custa muito "servir" o povo? Portugal não é a Assembleia da República, nem é Lisboa. Portugal somos mais de 10 milhões por todo mundo fora. Portugal é um jardim plantado à beira-mar.


Camões escrevia:

"As armas e os barões assinalados
Que da Ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca dantes navegados
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados
Mais do que prometia a força humana
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram"


Já fomos tanto, e agora somos tão pouco.
Não está na hora de querermos mais? Sermos mais? Fazermos mais?


Eu não quero um Passos Coelho. Não quero um António Costa. Nem quero outro qualquer. Quero um futuro. Quero um futuro em e para Portugal. É só isso que eu peço. E é por isso que eu voto.

É pedir demais?