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demagogia de bolso

Convencido . Corrompido . Corrosivo .

demagogia de bolso

Convencido . Corrompido . Corrosivo .

Moção de Confiança à Política Portuguesa

Antes de iniciar o meu ainda extenso manifesto de apoio e solidariedade para com a classe política portuguesa dominante, quero deixar bem claro que não está em causa a minha independência política, ou seja, entendo ser defensável ou, melhor escrito, pretendo defender uma classe política que não se restringe ao "meu" partido ou à minha cor política.

 

Dito isto, impõe-se uma pergunta:

 

Com as eleições à porta, serão realmente credíveis as soluções ou as propostas apresentadas quer pelo (ainda) Primeiro Ministro Sr. Pedro Passos Coelho, quer pelo Dr. António Costa?

 

Pois bem, a resposta a essa questão fica ao critério de cada um, não pretendo responder. Não pretendo tampouco fingir que sei responder. Não pretendo sequer preocupar-me com uma eventual resposta a essa pergunta. Não é isso que me traz aqui agora.

 

Com todo o panorama de crise - social, económica, política, de segurança e cultural até - que se encontra instalado no seio de Portugal, é perfeitamente legítimo que se questione a competência, o carácter e a idoneidade da classe política que temos - escolhidos ou quasi-impostos - a governar-nos. Nada contra. 

 

No entanto, e não querendo encarreirar em critícas exageradas, em campanhas de linchamento político - e muitas vezes pessoal, como aqueles ignóbeis que ousaram, num autêntico ataque de verborreia mental, classificar a aparição da esposa do Primeiro Ministro a seu lado num evento, enquanto se encontra a lutar contra uma doença do foro oncológica, como uma jogada política de angariação de votos e de solidariedade popular -, ou em autênticas vendettas de pessoas, ligadas a movimentos partidários secundários ou simplesmente inergúmenos a quem a imprensa nacional sensacionalista, infelizmente, ainda dá algum crédito e destaque, acho, sincera e humildemente, que a toada ofensiva que tem sido dirigida quer ao Sr. Primeiro Ministro Passos Coelho, quer ao Dr. António Costa,  por parte desta "cambada" que só joga nos bastidores, é, absolutamente e absurdamente, ridícula.

 

Defendo até que a classe política portuguesa merecia um louvor. E falo a sério, sarcasmos metafóricos à parte. Senão vejamos umas comparações muito rápidas sobre as classes políticas - que de politíca têm pouco ou muito pouco - de alguns dos países com os quais somos, por vezes, forçados a ter que olhar como ditos exemplos.

 

1.º - Estados Unidos - Podia estar aqui a escrever um artigo de 20.000 palavras apenas sobre o penteado do Donald Trump. Se dizem mal da classe política portuguesa, o que dizer de um país cujas sondagens apontam como o preferido do Povo, um multimilionário que tem feito sucesso graças, unicamente, ao seu dinheiro e às suas gaffes políticas, com discursos a incitar o ódio, o preconceito e a discriminação? É preferível a um Passos Coelho, ter um sujeito que classifica um povo inteiro - o povo mexicano -, como uma cambada de "violadores e traficantes de droga"? Um sujeito que pretende invadir esse dito país ao mesmo tempo que constrói um muro ao longo de 3000 kms de fronteira? Um sujeito que pretende deportar milhões e milhões de imigrantes, muitos deles com filhos já cidadãos nacionais? Mas reparem, isto não é a pior face da comédia que é o sistema política dos Estados Unidos. Já qualquer um serve para ser candidato presidencial, uma vez que os requisitos são mínimos: basta ter dinheiro e ser famoso. Provas? Kanye West. Repito, Kanye West. Não é que este artista - e aqui, sou forçado a ter que usar a palavra artista com um significado perjorativo -, decidiu auto promover-se em praça pública, num autêntico devaneio mental, anunciando a sua corrida a candidato presidencial em 2020? É este o exemplo que pretendemos seguir? No dia em que a Kim Kardashian for a Primeira Dama norte-americana, a Casa Branca passa a Casa Cor-de-Rosa. Há uma comédia protagonizada pelo Chris Rock, já com alguns anos, onde ele interpreta um delinquente que sem saber muito bem como acaba a concorrer para presidente e, no climax final do filme, acaba por consegui-lo. Pois bem, o que era para ser uma sátira Hollywoodesca ao sistema presidencial e político americano, acaba, cada vez mais, por tornar-se a regra, num mundo de representação, onde os políticos não passam de meros actores, uma vez que, a ser verdade, são realmente actores. Conseguem imaginar o Kanye West a discutir um acordo bilateral sobre a diminuição do armamento nuclear no Irão? Ou numa conferência de paz entre as duas Coreias? E vai fazê-lo como? Com concertos? Vamos passar a ter os MTV White House Awards? 

 

2.º - Brasil. O sistema político brasileiro é assente num único e exclusivo valor: Corrupção. Citando a famosa frase de Buscapé no início do filme Cidade de Deus, no Brasil impera a máxima - sim, no Brasil inteiro e não só nas favelas : "Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come". Pois bem, desde o Mensalão, à investigação do enriquecimento (mais do que) ilícito de Lula da Silva, aos escândalos de frequência quase diária que assolam a, mais do que manifesta, (in)tranquilidade de Dilma Roussef. No Brasil, é mais difícil encontrar um político honesto do que uma agulha num palheiro. Mas pronto, temos sempre o Tiririca não é? "O que faz um deputado federal? Na verdade, eu não sei. Mas vota em mim que eu te conto", o épico slogan do apaixonado da Florentina. A palhaçada do sistema político é tanta, que nas corridas para deputado federal contam-se milhares e milhares de candidatos. Os boletins de voto parecem as Páginas Amarelas dada a extensão de candidatos disponíveis.

 

3.º - Espanha. Nuestros hermanos são outro bom exemplo de como a classe política lá é melhor que a nossa. Só que não. Para não estar a falar no caso Bárcenas - escândalo que rebentou no PP (Partido Popular), a que pertence o primeiro-ministro espanhol Mariano Rajoy, e que consistia em pagamentos por fora feitos a Rajoy e a outros altos membros do partido pelo partido financiado ilegalmente por empresas -, uma vez que esse caso trata-se de um verdadeiro "crime à político", prefiro citar outros exemplos. Para começar, são representados por uma família real que é tudo menos um exemplo, sendo os "problemas" da Infanta Cristina, irmã do Rei Filipe, a ponta do icebergue. Até podem dizer que a família real espanhola não governa, mas assim como no Reino Unido dá a cara pelo país "fora de portas" e espelha a imagem do seu governo. E quando assim é, e tens pessoas da família real com problemas na justiça por crimes fiscais não é lá bom agoiro para o que se passa no resto do país. Mas temos mais situações, como a forma totalmente anti-democrática que o governo espanhol, qual regime ditatorial, decidiu recusar referendar uma possível independência da Catalunha, ao mesmo tempo que reconhecia a Palestina - contra a vontade de Israel -, como um país e um estado soberano e independente. E ainda temos a questão do País Basco! Mas não importa, agora as atenções estão viradas para o Iglesias. Não, não é o cantor, e que se saiba ainda não decidiu fazer como o Kanye West. Não. Falo de Pablo Iglesias, fundador do movimento Podemos, o qual lidera e dá a cara, e com o qual protagonizou a maior surpresa nas últimas eleições. O homem do rabicho é a rock star do panorama político espanhol. Com um discurso ponderado mas de veia radical, este jornalista pensa que ser do contra é bagagem suficiente para liderar uma das maiores potências económicas da UE. "Ah e tal, mas com ele temos mudanças. É uma alternativa ao que existe", a ver vamos até que ponto vai a essa mundança. Aposto aqui o que quiserem, que no que toca a matérias constitucionais e de organização do território vai manter a mesma toada que os antecessores se, por acaso, Iglesias chegar à chefia do Governo espanhol.

 

4.º - França. Muito sucintamente que eu não gosto muito de franceses. Desde Jean Marie Le Pen a fazer discursos xenófobos e racistas, defendendo a expulsão dos imigrantes, qual Drulovic a fazer cruzamentos da extrema-direita, à deportação dos ciganos por um presidente socialista - Hollande -,  e passando por os casos extra conjugais deste, com a sua mulher (ou ex mulher) a vir lavar roupa suja em praça pública desgastando assim ainda mais a imagem de um presidente que já vinha sendo contestado por inúmeras facções dentro do próprio partido. Ou então, Sarkozy a mais a sua primeira dama italiana que servia bem para encantar com as suas baladas dos 80's com as suas tiradas históricas do género: "O Islão é uma das maiores e mais bonitas civilizações que o Mundo já conheceu". E, finalmente, citando mais um exemplo político francês: Dominique Strauss-Kahn. Figura de proa da esquerda socialista que Sarkozy via como um adversário e que tratou de o despachar ao nomear o seu nome para o FMI. Pois bem, o resto da história é conhecido e envolve putas e vinho verde. Se bem que o vinho não devia ser abundante ao contrário das primeiras.

 

5.º - Alemanha. Além de uma chanceler que diz a uma imigrante prestes a ser deportada juntamente com a família que "esteve bem" no seu discurso, mas que a vida é mesmo assim. Temos políticos para todos os gostos, desde um Ministro das Finanças que acha que é o patrão de tudo e todos e que pode decidir quem paga o quê e a quem. A um ministro da defesa cujas habilitações académicas, veio-se a descobrir, mais não eram do que fruto de um plágio descarado. Passando por partidos, ou movimentos partidários que subrepticiamente alimentam e fomentam campanhas e manifestações de extrema-direita contra imigrantes e refugiados, numa proliferação de ideologias radicais e xenófobas que faz relembrar o período coincidente com a ascendência de Hitler ao poder. E culminado num deputado do partido do governo investigado por posse de pornografia infantil, e cuja investigação foi atrapalhada por um Ministro da Agricultura que, eventualmente, acabou por demitir-se dada a evidência das provas contra ele apresentadas.

 

6.º - Reino Unido. Família real mais do que extensa a consumir o erário público. Referendo sobre a independência da Escócia que quase divide o Reino Unido. E um lord inglês, vice presidente da Câmara dos Lordes, a snifar cocaína das mamas de prostitutas. E, alimentando teorias da conspiração, não esquecer as ligações do Gerry McCann (pai da campeã mundial indiscutível e medalha de ouro das escondidinhas, Madeleine McCann - no masculino, para já, vai ganhando o Rui Pedro) ao governo britânico, ou não tivesse este, na altura presidido por Gordon Brown, interferido diretamente na investigação.

 

E podia continuar aqui a dar muitos mais exemplos. O clima caótico da Bélgica, o regime terrorista da Argentina e tantos outros mais.

 

E porque é que refiro isto tudo? Porque a classe política portuguesa, ao menos, é composta por políticos! Quer para o bem, quer para o mal. Já imaginaram o Mickael Carreira a dizer que em 2025 vai se candidatar a Primeiro Ministro? Rídiculo. Sim, é verdade que temos um ex Primeiro Ministro detido por suspetia de crimes fiscais, mas caraças, ao menos é crime de e à político. Prefiro isso a ver um ex Primeiro Ministro matar alguém ou andar por aí a snifar coca pelos cantos da porta 18 do Estádio da Luz. Em Itália o Berlusconi era um boneco da Máfia e da Camorra. Regimes políticos comprados e governados por sindicatos do crime organizado. Aqui em Portugal não. Até os bastidores é composto por políticos. São as chamadas ordens maçónicas, onde homens de negócios impõem toda a sua masculinidade vestindo aventais e empunhando colheres de pau.

 

Vejamos:

 

- Pedro Passos Coelho, deputado desde os 26 anos, vice-presidente da JSD com 20 e poucos anos, ou seja, quase 30 anos de experiência política.

- António Costa, eleito deputado da Assembleia Municipal de Lisboa aos 21 anos, dirigente de associações académicas, um passado ligado ao socialismo.

 


Sem estar aqui a apregoar qualidades e defeitos, de um e de outro. Sem querer entrar na discussão de qual dos dois será a melhor solução para o país no próximo mandato. E sem esquecer outros nomes claro, como Paulo Portas, Jerónimo de Sousa, entre alguns outros. A realidade, é que na classe política portuguesa quem manda ainda são os políticos, quer mandem bem, quer não. E ainda bem que assim é! Porque no dia em que o candidato a Primeiro Ministro for alguém cuja popularidade apenas serve para vender CD's e encher o Coliseu, então, aí sim estaremos em crise. Política não sei, mas de identidade de certeza. Costuma-se dizer na minha terra, "cada macaco no seu galho". Pois bem, assenta que nem uma luva à realidade portuguesa. Podemos não ter os melhores macacos, até podem ser os piores, mas são efetivamente os corretos para ficarem naquele "galho".

 

E quando forem a criticar quer o Passos Coelho, quer o António Costa, pensem um bocadinho no que irão passar os americanos quando tiverem um gold digger a tentar mudar-se de malas e bagagem para a Casa Branca. Ponham a mão na consciência e pensem. Pensem realmente se preferiam o Zé Milho dos DZR'T a governar o nosso país. Já estou a vê-lo a dar o seu contributo para o problema dos refugiados e dos emigrantes africanos que tentam uma vida melhor deste lado do Mediterrâneo: "Para mim tanto me faz, que sejas grego, pobre ou incapaz".

 

Pois é.

Primeira epístola do Presidente Trump segundo John Carlin

É pena ser só mesmo um pequeno conto em artigo de jornal, porque se John Carlin tivesse decidido aprofundar o conto e transformá-lo numa história completa, com início, meio e fim, então de certezar que teríamos em mãos um best seller.

 

Trump a presidente dos Estados Unidos.

Varoufakis a chefiar a Grécia.

O Podemos à frente na Espanha.

El Chapo Guzman a fazer de defensor do México.

Putin a alastrar os tentáculos a uma União Europeia enfraquecida de apoios.

 

Tudo tão bom de se ler.

Tudo tão bom de se imaginar.

Tudo tão mau se acontecer.

 

 

Por Acaso Não Foi Ideia Minha

Bem, já a minha avó dizia que a mentira tinha perna curta. E, aposto, que já a avó da minha avó lhe dizia o mesmo. 

 

O nosso Exelentíssimo Senhor Primeiro Ministro, Pedro Passos Coelho, tentou no outro dia, segunda-feira, dar um ar da sua graça ao anunciar que a ideia do fundo grego da qual originou a possibilidade de um acordo entre a Grécia e os seus credores internacionais, tinha sido "por acaso uma ideia" sua.

Pois bem, de brilhante estratega e um solucionador de conflitos, passou, Pedro Passos Coelho, a um tristezinho ser que só é realmente bom a fazer figura de "urso", passe-se a expressão. Porque veio, hoje, a público, o senhor Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu, afirmar que a ideia do fundo grego, que toda a gente pensava (ao mesmo tempo que se pasmava por tamanha lucidez) tinha vindo da cabeça do nosso excelso Primeiro Ministro, foi ou partiu do Primeiro Ministro, sim, (esta parte até que é verdade) mas do holandês, o senhor Mark Rutte.

 

Fica assim provado que o nosso Passos Coelho, não é mais do que uma espécie de "El-Rei Tadinho" coitado sem ideias, cuja cabeça serve simplesmente para ostentar o cabelo (o que muitos já não podem dizer o mesmo, incluindo a mulher dele), e o título de primeiro-ministro.

 

Esta situação, faz-me lembrar aqueles trabalhos de grupo no secundário, onde há sempre o "chico-esperto" que delega as suas tarefas nos outros e, depois, na apresentação assume o "porta-estandartes" como se ele fosse o líder e os outros fossem todos os carrapachinhos que andam atrás dele.

 

Sinceramente, Senhor Primeiro Ministro, sinceramente.

 

#PorAcasoNãoFoiIdeiaMinha

Quem salvaguarda o meu futuro?

Há bocadinho, ouvindo atentamente a entrevista a António Costa, dei por mim a concordar com muitas coisas do que ele dizia. Estava, a meu entender, com um discurso coerente e bastante modesto até. Só que depois fiquei com medo. A partir do momento em que ele diz e passo a citar: "Já deu para ver que este modelo de austeridade fracassou. Basta de experimentalismos. Temos de voltar ao básico." Confesso que fiquei apavorado. Mesmo não concordado com o modelo actual, em muitos pontos, digam-me, não foi o básico que nos levou até aqui? E não distingo lados, seja direita ou esquerda. Daquilo que vejo, e essencialmente me lembro, foi o caminho "básico" levado pelos governos de outrora que nos trouxeram à situação insustentável que este Governo herdou, e atenção, que o Governo anterior do N.º44, não é o maior culpado. Acredito piamente, que também eles tentaram colocar um travão, só que lá está, não dava para parar a carruagem com o modelo "básico". Agora, andamos a pagar os erros cometidos pelos governos anteriores, quer da direita e da esquerda repito, no entanto, o povo tem a memória curta, e como tal o N.º44 é visto como o Diabo, mas não é. Os piores são aqueles que agora apontam o dedo e que na altura deles podiam ter evitado a calamidade em que nos encontramos agora. Eles sabem quem são: Ferreira Leite, Bagão Félix, G. de Oliveira Martins, Teixeira dos Santos, o falecido Sousa Franco, Eduardo Catroga, Manuel Pinho, Jardim Gonçalves, Ricardo Salgado, entre tantos outros. Tantos que ao longo dos anos, ocuparam cargos governamentais, institucionais, posições chave no sector da banca. Já para não falar de autarcas agarrados ao poder quais autênticos Salazares, ou então dos lobbys de grandes escritórios de advocacia. É vê-los em todo o lado. Até no Sindicatos, símbolos da resistência, e da vitória do povo sobre os regimes, mas que mesmo assim tinha o mesmo líder há mais de 30 anos. Portugal, continua e há-de continuar a ser o País de Salazar e de Cunhal, da direita e da esquerda, do PS e do PSD, como o futebol é do Ronaldo e do Messi. A obrigação e o dever de "lutarem" e governarem pelo bem superior de um povo, que se exausta diariamente na tentativa vã de dar um rumo melhor aos seus filhos e netos, esbarra nos conflitos de interesses, nos debates demagógicos, nas moções de confiança, nos acordos bilaterais, nas PPP's, nos "swaps", nas holdings, nos bolsos do "Rei" de Angola, e em tantos outros cantos recônditos, onde a luz da opinião pública não chega, e assim, com as "negociatas" de bastidores a ocorrerem de modo continuado e perpétuo, lá vamos nós caminhando para mais umas eleições legislativas. As campanhas estão à porta, e todos eles, quais vampiros com os dentes afiados, ultimam a estratégia para enganar o povo mais uma vez. O Passos Coelho não é a solução. O António Costa não é a solução. Nem o Portas, nem o Jerónimo, nem nenhum dos cerca de 230 deputados que por lá andam a apostar o nosso futuro. A solução não tem nome, nem partido, nem orientação política. Desengane-se quem pensa o contrário. A solução não pode passar por isso. A solução só podem ser valores, e os valores estão em nós, no nosso sangue, e temos de os trazer cá para fora: sacrifício, honradez, seriedade, transparência, e acima de tudo, acima de qualquer um destes, COMPROMISSO. Compromisso com aqueles a quem devemos. Compromisso com aqueles que nos devem. Compromisso com quem nos ajuda e nos pede ajuda. Compromissos com os PALOP, não com famílias ricas de Angola (Van Dúnen e Dos Santos). Compromissos com a União Europeia e os seus estados-membros, não com as ideias da Merkel ou com os améns de Junckers e outros que por lá andam. E compromissos com o povo português. Compromisso com os portugueses, não só com aqueles que moram ali ao pé do Terreiro do Paço, ou perto dos Aliados, mas com os portugueses de Vila Praia de Âncora, da Régua, de Valpaços, de Serpa, de Vila Velha de Ródão, de Satão, de Olhão, da Marinha Grande, de Freixo de Espada à Cinta. Mas não só estes. não esquecer os portugueses de New Jersey, de Toronto, de Paris, do Luxemburgo, de todos os cantões da Suíça, dos que restam em Macau, dos que já partiram para Angola, Moçambique e Cabo Verde.

Em todo o lado do mundo onde houver um português, há um dever e uma obrigação incindível e inquebrável de quem nos governa, de zelar pelos seus melhores interesses, e fazer tudo o que está ao alcance para que o "povo", esta grande enchente, esta grande moldura humana, esta raça mística de gente, continue mais do que feliz, a sentir orgulho de ser português. Porque podem nos tirar tudo, menos o orgulho de ser português. E este orgulho, está nas páginas de Saramago, nos fados de Amália e do Carlos do Carmo, nos golos do Ronaldo e do Eusébio, no Abril de Salgado Maia, nos poemas de Manuel Alegre, no ouro da Rosa Mota e do Carlos Lopes, na bicicleta de Joaquim Agostinho, nas conquistas do Benfica e do Porto, nas palavras de Fernando Pessoa, nas investigações de António Damásio, na contestação da Catarina Eufémia, nos filmes de Manoel Oliveira, na sabedoria de José Hermano de Saraiva, no riso de Raúl Solnado, nas caravelas de Vasco da Gama, nas acções de Aristides de Sousa Mendes, nas canções de Zeca Afonso, nos sermões do Padre António Vieira, na guitarra de Carlos Paredes, nos autos de Gil Vicente, nos poemas de Bocage, nos quadros da Paula Rego, nas construções de Siza Vieira e na pena de Camões.

Se podemos ter orgulho em todas estas figuras, porque não podemos ter também orgulho em quem nos governa? Custa muito "servir" o povo? Portugal não é a Assembleia da República, nem é Lisboa. Portugal somos mais de 10 milhões por todo mundo fora. Portugal é um jardim plantado à beira-mar.


Camões escrevia:

"As armas e os barões assinalados
Que da Ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca dantes navegados
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados
Mais do que prometia a força humana
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram"


Já fomos tanto, e agora somos tão pouco.
Não está na hora de querermos mais? Sermos mais? Fazermos mais?


Eu não quero um Passos Coelho. Não quero um António Costa. Nem quero outro qualquer. Quero um futuro. Quero um futuro em e para Portugal. É só isso que eu peço. E é por isso que eu voto.

É pedir demais?