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demagogia de bolso

Convencido . Corrompido . Corrosivo .

demagogia de bolso

Convencido . Corrompido . Corrosivo .

O que eu sonharia se fosse um mentecapto

Esta família de refugiados que a TVI está a passar neste momento, têm mesmo caras de terroristas realmente. Olho para aquelas miúdas que não têm mais de 8 anos, mas que se calhar têm mais quilómetros nas pernas do que muita gente nos carros, e não me enganam, são autênticas terroristas. Nem sei porque é que vêm para o meu país, podiam bem ficar no seu país, com a sua gente e a sua família.

 

Ah pois, já não tem país, a sua gente é marginalizada e família só a que têm com eles. Realmente, que vida de reis que eles têm, só porque lhes arranjaram um tecto, sinto-me mesmo injustiçado.

 

Acho que me vou fazer de refugiado. Não deve ser difícil, é só rebentarem me a casa, matarem me pelo menos metade da família, e fazer milhares de quilómetros a pé, à pata ou a penante - ou pronto, de barco se for rico -, sem sequer saber se volto a ver o Sol nascer, que depois me dão uma casa e um emprego. Onde é que assino para ser refugiado também?

 

E ainda vou para um país impor a minha cultura e a minha religião. Acho muito bem, até porque por mim eram todos do FC Porto. Quase que parece um sonho ser refugiado. Mas lá está, nasci num país sem oportunidades dessas. Uma pessoa quer ser refugiada e não pode, de que é que me serve uma licenciatura em Direito? De que é que me serve um país que não é mais do que um jardim à beira mar plantado? Quem me dera andar pelas Sírias desse mundo fora a fugir de bombas, drones, balas, jihadistas, granadas, mísseis, mais jihadistas, pessoas que querem matar jihadistas, e mais bombas, e bombas. Muitas bombas. No fim valeria a pena, se me safasse. Pois ia ter uma vida de lorde à minha espera num T2 ou T3 bafiento em Penela, Coimbra. Sim senhor, é melhor do que as virgens que os outros têm quando se explodem. Uma casa em Penela era o que eles queriam, e com um bocadinho de sorte, se fizer bem o meu papel de refugiado ainda me arranjam um empregozinho a ganhar um ordenado mínimo e a ser mais um explorado como tantos outros.

 

Não me digam que não vão conseguir! Deixem-me sonhar!

 

Ah, espera. Não consigo sonhar, tampouco consigo dormir, as bombas não cessam durante a noite e não posso parar. Só me resta fugir. Tenho que fugir.

 

E o Sol? Será que o Sol vai nascer mais um dia para mim?

Vergonha alheia

Então, basicamente, a Alemanha garante o seu apoio (de peso) e influência junto da União Europeia, no sentido de agilizar a entrada da Turquia na UE, se estes travarem o fluxo migratório sírio. Ou seja, como a vergonha alheia é muita em ver todos os dias aqueles pobres desgraçados às "portas" das fronteiras da Sérvia, Áustria, Croácia, etc.., passando assim uma imagem de uma Europa que não convém que passe, a Turquia compromete-se a ser o "carrasco" de milhares (senão milhões), em troca de um lugar à mesa? E ninguém se insurge? Ninguém diz nada? Peguem na Declaração Universal dos Direitos do Homem e na Convenção Europeia dos Direitos do Homem e deitem-nas ao lixo. Metem nojo!

Não era suposto dar o exemplo?

É isto que eu mais detesto nestas pseudo-celebridades made in Casa dos Segredos. Só porque têm "meia dúzia" de atrasados, que até férias lhes pagam, e que os seguem para todo o lado como se fossem Deus - é agressivo mas é bem verdade -, já pensam que tudo o que dizem é verdade, ou que são mais do que os outros.

 

Atentem-me nesta OTÁRIA de todo o tamanho: Vânia Sá

 

Vânia Sá.png

 

A inteligência essa escasseia nos tempos que correm pelos vistos, já o preconceito, a xenofobia e o racismo começam cada vez mais a imperar.

 

Cambada de frustrados que nem por dificuldades passaram. Queria vê-la a trocar de lugar com um refugiado.

 

Tristeza intrínseca

O que o parlamento húngaro fez hoje, foi algo histórico. Algo historicamente estúpido e uma completa e pura barbárie.

 

"O texto confirma a possibilidade de destacar militares em massa para as fronteiras e autoriza em determinadas condições que o exército e a polícia disparem contra os migrantes, desde que os tiros não sejam "mortais".

 

Como é que isto é possível e ninguém faz nada?

 

E ainda defendem uma intervenção militar na Síria? Por mim "corríamos" ao tiro era estes políticos húngaros. Há 70 anos atrás, quando eram eles (e outros) que estavam por trás de um muro e de uma "cortina de ferro", não se faziam mais do que vítimas e coitadinhos, e agora querem fazer o mesmo? Não há decência. Valores universais como a dignidade da pessoa humana contam pouco ali para os lados de Budapeste.

 

A hipocrisia é tanta, mas tanta que já não dá simplesmente para "varrer para debaixo do tapete".

 

Como é possível um povo que foi contra e que clamou vitória quando foi destruído um muro como este:

muro_berlim_01.jpg

 (Muro de Berlim)

 

Ser agora o primeiro a construir um muro e a ser a favor daquilo que por tanto tempo foram contra?

 

murohungria.jpg

 

Hoje é um dia muito triste e negro para os Direitos Humanos em todo o mundo.

 

Hoje, estou triste. Muito triste mesmo.

A Matemática dos Refugiados

Eu sendo licenciado em Direito, e tendo feito o meu secundário na área das Humanidades, confesso que nunca fui forte em Matemática. Mas Matemática A, porque com aquela matemática elementar posso eu bem. 

 

Posto isto, e segundo o que notícia (e bem) o Expresso, foi acordado que Portugal, por agora é certo, vai receber 1309 refugiados. Ver Aqui 

 

Era para colocar "apenas" 1309, mas não quero estar já a ferir susceptibilidades.

 

Assim sendo, cabe agora fazer algumas contas de Matemática elementar. "Que contas?" - Perguntam vocês e muito bem. São umas contas muito simples de fazer, e claro, feitas em abstrato, mas serve para eu poder explanar um cenário que em muito difere daquele que vem sendo propagado por todos aqueles que na cabeça só têm neurónios (ou se calhar ausência deles) ligados ao PNR.

 

Variáveis:

- Portugal vai receber 1309 refugiados

- Portugal tem, presentemente, 308 concelhos (ou municípios)

 

Aplicando então uma lógica simplista de redistribuição abstrata equitativa (tou a inventar os termos todos não se preocupem), dá qualquer coisa como:

 

1309 : 308 = 4,25

 

Para não dizerem que eu sou mau, até vou aceitar arrendondar por defeito para os 5. Pois bem, minhas senhoras e meus senhores, este número, apurado, mais uma vez saliento, de forma completamente abstrata, representa a quantidade de REFUGIADOS que, à partida, cada município teria de acolher.

 

5 REFUGIADOS !

 

5 REFUGIADOS!!!!!!!!!!

 

Mesmo que Portugal, venha a receber os cerca de 5000 refugiados que a comunicação falava ainda há dias. Aplicando a mesma lógica, dá qualquer coisa como cerca de 16 refugiados por município.

 

Por isso, a todos aqueles que são contra Portugal acolher refugiados, mas cujos únicos argumentos são:

 

- eles são todos sírios

- eles são todos muçulmanos

- eles são todos terroristas

- eles vão vir para Portugal rebentar coisas

- eles vão vir para Portugal violar as nossas mulheres

- eles não respeitam ninguém

- eles são piores que os ciganos, que os romenos, que os pretos, que os chineses, etc.

- "Recebe-os tu em tua casa então"

- "Sou contra eles virem para cá, mas já sou a favor de irmos lá para resolver as coisas"

- "Já temos muitos sem abrigos cá, porque é que não os ajudamos a eles?"

 

Pois bem,

Podia gastar aqui todo o meu latim, e tinha muito para gastar no que toca a este assunto, mas prefiro antes deixar como minha resposta, uma outra que subscrevo inteiramente, e que até à data, melhor espelha o ódio generalizado que se vem vindo a notar : "10 razões para não acolhermos refugiados", do Blog Por Falar Noutra Coisa.

 

Se vêm com comentários do género: "Ah, mas essas contas não fazem sentido", ou algo do género, poupem-me. Não vêm contar a missa ao padre se faz favor. Lisboa e Porto podiam muito bem acolher 500 refugiados, e ninguém os via ou identificava como sendo Os Refugiados, não passariam de mais uma "cambada" de "clandestinos" como o PNR gosta de lhes chamar.

 

Por isso, a todos aqueles que andam por aí a disseminar o ódio generalizado, e o preconceito, o racismo e a xenofobia de massas, sustentado em nada mais do que vídeos, quase todos eles editados, que mostram violência de muçulmanos, mas que não passam de casos pontuais. E SIM, CASOS PONTUAIS! Pelo menos na Europa, que é o que está em causa. Pensem assim: se em Portugal, por cada mulher vítima de violência doméstica, incluindo aquelas que infelizmente acabam por sucumbir às mãos de maridos, ex-maridos e namorados, fosse feito um vídeo que se tornasse viral por essa Internet fora, então também garanto que nenhum país quereria acolher qualquer cidadão português que fosse. A lógica é a mesma. Deixem de se "papar de sono" com vídeos sensacionalistas. 

 

E acima de tudo, deixem de ser hipócritas.

 

Por um lado, passam anos a bajular publicamente, e a contar histórias aos filhos e netos de pessoas como o Aristides de Souza Mendes, que sozinho e desafiando as ordens de um regime, salvou, e vou frisar outra vez, SALVOU mais de 20.000 REFUGIADOS judeus, e para todos nós, 70 anos depois, é um herói nacional, ao mesmo tempo, que por outro lado, recusam-se em estender a mão a um povo que só viu miséria e destruição. 

 

Pois bem, se Aristides de Souza Mendes fosse vivo agora, voltaria a morrer de vergonha com o seu "povo". E mais ainda, espero mesmo que os refugiados sírios não venham para Portugal, não que seja contra, porque sou totalmente a favor, mas aquele povo já passou por tanta miséria e tanto azar, que não merece vir para um país com "gente" como por aí se tem visto.

 

Quando nem os colegas de trabalho conseguem respeitar, como foi a pouca vergonha que se viu na manifestação dos taxistas. Mas pronto, sou democrata e sou obrigado a respeitar este "bando" de inergúmenos e racistas, que não passam de hipócritas frustrados, que falam tanto em salvar sem-abrigos, e são dos primeiros a recusar ajudá-los. Só convém falar neles para ser bonito.

 

A todos aqueles que são contra os refugiados, e que, mesmo para mim sendo difícil aceitar, conseguem justificar e argumentar factualmente e civilizadamente o porquê de serem contra, então só me resta dizer que respeito e compreendo a apreensão que se faz sentir, sem no entanto, deixar de salientar, para que não se deixem governar pelo medo. Assumam os riscos, mesmo que seja o mais díficil a fazer, o tempo dar-nos-á razão, e, daqui a muitos anos, que sejam lembrados pelos vossos netos e bisnetos, como aqueles que ajudaram quem precisou e não como aqueles que se arrependeram de ter fechado a porta a quem suplicou pela sua ajuda.

 

E esqueçam os deuses. Esqueçam as religiões. No fim do dia, o que importa, aquilo que realmente importa, é que saibamos que um pequeno gesto, minúsculo até, pode ter feito toda a diferença do mundo para alguém. E que hoje à noite, quando adormecermos, o Mundo seja um melhor lugar do que era quando acordamos de manhã. 

 

O preconceito é isto

Quando um refugiado sírio é igual a muçulmano ou extremista. Pensava mesmo que refugiado era uma condição social, e sírio uma nacionalidade. Pelos vistos não há sírios cristãos, nem judeus, nem ateus nem nada. São todos muçulmanos, extremistas, fanáticos, e principalmente, maus. E vêm todos para a Europa rebentar com isto tudo. Só que já diziam isto dos refugiados do Ruanda. Só que já diziam isto dos refugiados do Kosovo e da antiga Jugoslávia. Só que já diziam isto dos georgianos durante a Guerra dos Caucasis. Só que já diziam isto dos refugiados do Kuwait durante a Guerra do Golfo. Só que já diziam isto dos refugiados da Libéria durante a guerra civil. Quando o preconceito não e mais do que isso, preconceito. Santa Ignorância.

Era do Preconceito

Eu já não tenho palavras, discernimento ou até coragem para classificar o repúdio generalizado a que assisto nas redes sociais. Como é que é possível haver tanta gente mesquinha. É por isso que eu sou a favor da censura. Só videos a circular meu deus, e todos eles mostram um cenário que não corresponde em nada à realidade. O que é que o miúdo sírio que morreu afogado, e a sua família, têm a ver com aqueles bárbaros do Estado Islâmico? Como é que podem fazer uma comparação dessas? Tanto ódio. Tanto preconceito. Como é que em 2015, a maioria das pessoas ainda não consegue ver para além da cor da pele, dos ideais políticos ou da religião?

 

Estou tão revoltado!

 

Dói-me. Mas dói-me mesmo. É um aperto no coração ver aquelas filas intermináveis de pessoas, com crianças pequenas pela mão, com bebés ao colo. Pessoas que em toda a sua vida só viram caos e desgraça. Pessoas que só pedem, no mínimo, que as deixem dormir à noite sem o receio de que uma bomba caia-lhes em cima e lhes ceife a vida e dos seus filhos. É pedir muito? Eu tenho a certeza que não!

 

E como é que é possível, fazerem tantos juízos de valor através de vídeos que só apresentam excertos e montagens? Já nem falo daqueles vídeos do Estado Islâmico, que as pessoas utilizam para criminalizar todos os muçulmanos. Isso é apenas estúpido. Mas, por exemplo, um vídeo que anda por aí a circular, passado na Hungria, que mostra refugiados a rejeitaram água e comida das forças de segurança húngara. E toda a gente se choca com as imagens, porque é incompreensível a recusa. Pelo menos assim parece. Mas eu pergunto? Será que a real mensagem é aquela que as imagens e só as imagens passam? É legítimo fazer um julgamento de valor, emitir uma opinião, só com base nessas imagens?

 

Dou um exemplo, imaginem que estão a ver um filme em norueguês, em swaili ou até em macedónio. Se o filme não tiver legendas, e vocês não perceberem o que os actores estão a dizer, vocês apenas guiam-se pelas imagens, no entanto, só as imagens podem conferir uma versão distorcida daquela realidade.

 

Passa-se o mesmo com aquele vídeo. Vejo amigos meus, colegas e conhecidos a partilharem o vídeo e a afirmarem-se a sua indignação com a atitude dos refugiados, mas nenhum deles, porque eu sei, fala húngaro, ou percebe húngaro, e como tal, não sabem o que é dito no diálogo do vídeo. Mas mesmo que assim não fosse, eu admito, que as imagens por si só, sejam incompreensíveis. Mas façamos um juízo de consciência, e pensemos por dois minutos. Acham mesmo, que refugiados, sujeitos a condições muito abaixo do limiar da dignidade humana, recusariam com leviandade de livre e espontânea vontade qualquer ajuda que lhes fosse concedida? Acham que é uma decisão que aquelas pessoas, às quais já quase nem esperança lhes resta, tomaram de ânimo leve? De certeza, quero eu acreditar, que tinham mil e um motivos, no seu entender claro, não quer dizer que eu entenda, para fazer o que fizeram. Acho estúpido, no caso das crianças, pois as necessidades delas são uma causa superior, e não têm o discernimento nem a responsabilidade para optarem pelas suas convicções.

 

E desde quando que recusar ajuda faz das pessoas monstros ou terroristas? Imaginem este exemplo, se vissem um nazi a dar uma garrafa de água a um judeu, e este recusasse a ajuda, estaríamos aqui todos a condenar o judeu? Porque é um monstro porque não quis aceitar a garrafa de água, mesmo, provavelmente, tendo sede? Claro que não. Porque por vezes, o gesto de aceitação de ajuda, num caso extremo, é o cortar do apêndice de orgulho que nos resta. 

 

Mas Pedro, esse exemplo é de um caso extremo, não tem nada a ver com o que se passa. E eu pergunto: Será que não tem? Eu fui-me informar, e isso implica ler muita coisa, e não resumir-se a vídeos e a notícias sensacionalistas, e fiquei chocado com a posição da Hungria em relação aos refugiados e imigrantes. Já nem falo do muro que estão a construir para bloquear a fronteira. Muro de Berlim lembram-se? A  história pelos vistos repete-se. Mas ficar a saber que governantes da Hungria, um estado considerado democrático, "aconselharam" os refugiados a ficarem na Turquia porque não são bem vistos no seu país e no resto da Europa, é de uma barbárie impensável nos tempos que correm. Mas piora. A Hungria e a Eslováquia além de dificultar a entrada dos refugiados, dificulta e retarda constantemente o trânsito destes para outros países da Europa (Alemanha e Áustria principalmente), e procedeu a mecanismo que só tem exemplo na Alemanha Nazi. Fazer a distinção entre os refugiados cristãos e muçulmanos, recusando-se a receber, no caso da Eslováquia, estes últimos. E eu pergunto-me, está a ajuda a uma criança refugiada dependente de saber se ela é cristã ou muçulmana? Já descemos tão baixo?

 

É por isso que eu sou totalmente, frontalmente e abertamente contra as religiões. Somos toldados no nosso discernimento por questões que nada têm a ver a com a nossa condição humana. Um muçulmano também tem dois braços, tem duas pernas, tem coração, sentimentos. E choram e sangram como nós. Como é que somos capazes de olhar para eles, crianças, mulheres e homens, como se fossem "bichos"?

 

Espero e desejo, ardentemente, que todos os refugiados, encontrem a paz de espírito que lhes faz falta, e que encontrem um "cantinho", onde, mesmo que os olhem de canto, não paire a ameaça constante da morte.

 

Acho que não era pedir muito.