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demagogia de bolso

Convencido . Corrompido . Corrosivo .

demagogia de bolso

Convencido . Corrompido . Corrosivo .

Tudo preparado para receber o "Meu Querido Mês de Agosto"

"A vida são dois dias"

"O tempo passa a voar"

 

Dois adágios populares, perfeitamente cheios de sentido, mas que ganham ainda mais força durante o Verão. É verdade, ainda há pouco tempo começam a raiar os primeiros dias soalheiros, e já caminhamos para o meio de Julho. E sabem o que significa o meio de Julho certo?

 

Se não souberem, é porque pertencem aquela minoria (uma espécie de 5 em cada 100) portuguesa que não tem familiares emigrantes. Diz-nos a "tradição" que Agosto é o mês dos emigrantes - atenção, que não digo isto com nenhuma conotação negativa, pelo menos ainda -, mas verdade seja dita, a partir da segunda quinzena de Julho já se começa a verificar esse fenómeno anual do "regresso às origens" dos portugueses expatriados por esse mundo fora. É certo que o número de "retornados" massifica-se a partir dos primeiros dias de Agosto (no primeiro fim de semana), no entanto, mais para o interior do país já se pode começar a assistar a uma poliglotização dos populares a partir da próxima semana.

 

Eu não sou nada contra emigrantes. Nada mesmo. Tenho muitos familiares que o são. E respeito todos aqueles que, a dada altura da sua vida, tiveram de tomar a sempre difícil decisão de deixar o seu país para trás em busca de um futuro melhor, tenha essa decisão sido tomada de livre e espontânea vontade, tenha ela sido como que "forçada" pelas circunstâncias económicas e sociais que imperam no nosso país. Mas não importa, um emigrante é um emigrante, e tem todo o direito de regressar a "casa" sempre que quiser e puder, qual filho pródigo que regressa. E todo o emigrante tem o direito, ou melhor, a todo o emigrante devia ser concedido por parte do país que o viu nascer, um "Bem-vindo" de braços abertos, para o bem acolher no tempo que ele decidir cá passar.

 

Portugal, precisa dos emigrantes, e precisa do dinheiro dos emigrantes. Não há que ter pudor em dizê-lo. E só temos mais de agradecer o aumento do volume de negócios gerado com a chegada deles. O comércio local agradece, e o povo português que cá reside o ano todo também.

 

Tudo bem que os emigrantes não trazem só dinheiro e vontade de o gastar. Era fácil demais se assim fosse, mas como qualquer moeda, também os emigrantes têm "duas faces", o "ying e o yang", o "lado bom e o lado mau". É fácil de perceber quando é que em Portugal já se encontra um grande número de emigrantes. Basta abrir os jornais diários, por exemplo, sim, porque as notícias sobre sinistros rodoviários aumenta exponencialmente, e o obituário tem dias que parece do tamanho daqueles folhetos de descontos do Pingo Doce. Mas não é só pelos jornais que uma pessoa consegue se aperceber desse fenómeno. Por exemplo, aquando da compra dos jornais diários, provavelmente, encontrará duas ou três caras estranhamente familiares (que depois de puxar pela cabeça, lá chega à conclusão que os conhece de os ter visto no mesmo sítio exactamente um ano antes) a falar um dialecto completamente extraterrestre. Aquela linguagem que não é bem português, e que está longe do francês. Como é que se chama, está-me a falhar o nome.... Ah! Já sei, o AVEC.

 

Avec, mais do que uma forma de falar, mais do que um estereótipo criado sobre os emigrantes, é um modo de vida. É uma espécie de "tendência" que grassa maioritariamente (vá, sejamos francos, é exclusivo mesmo) entre os emigrantes que oriundos de França. Mas não são todos atenção! A sorte é que dá para distingui-los à distância! No entanto, deixarei a caracterização do povo "avec" para um outro post posterior, de preferência quando a minha família emigrada em França vier cá passar o Agosto, porque se calhar a minha aversão aos "avecs" nem encontra eco na sociedade portuguesa e resume-se só aos, quase todos, parolos da minha família paterna. E tou-me a borrifar para que eles leiam isto e saibam o que penso deles. Se eles próprios nem têm noção do ridículo que são quando estão cá, então não me podem julgar.

 

Voltando aos emigrantes, e à sua viagem de regresso a Portugal por essas estradas fora ao som do "Vem devagar emigrante", pela voz do saudoso e malogrado Graciano Saga, é de salientar a preparação que "nós", povo português residente, fazemos para os acolher. E é sobre isto que falo, e que nunca, confesso, até hoje reparei. Nós, sociedade, fazemos um esforço suplementar, por esta altura do ano, para os bem receber. E acho isso mesmo bonito, comovente até. Eles merecem, agora sem ironias, que nós nos esforcemos por eles, assim como eles (ou muitos deles) se esforçam por "nós" durante o ano, e este "nós" são os familiares deles que ficam para trás como que abandonados muitas vezes neste "pequenino jardim plantado à beira-mar".

 

Por isso, acho bem que se prepare tudo com afinco para os receber!

 

E, a julgar pelos classificados do JN hoje, penso poder afirmar que já nos encontramos preparados para isso:

IMG_0829.JPG

 

Reparem nos "extras":      JE PARLE FRANÇAIS

 

É comovente ver o quanto nos esforçamos por eles. Sim senhor!