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demagogia de bolso

Convencido . Corrompido . Corrosivo .

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Um Primeiro Post sobre a Independência de Plutão e não só

14 de Julho de 2015

 

Terça-feira,

 

plutão1.jpg

 

O mundo acorda em polvorosa com primeiras imagens inéditas, de alta resolução e a cores, de Plutão, o 9.º planeta do Sistema Solar (ou planeta-anão, se preferirem ser objetivos e adoptar a postura ditatorial da União Astronómica Internacional, mas aí já lá vamos), fotografadas e enviadas para nós através da sonda espacial New Horizons. O mundo todo, excepto Belmiro. Belmiro acordou sim em polvorosa, mas à custa do vizinho de cima. Este inergúmeno (nas palavras de Belmiro), lembrou-se de aspirar o quarto às sete da matina, ao mesmo tempo que cantava desalmadamente, desenfreadamente e, acima de tudo, desafinadamente I Want to Break Free, dos britânicos Queen. Belmiro nunca gostou do seu vizinho de cima, não que tivesse realmente algum motivo concreto para essa impressão. Na realidade, o vizinho de cima sempre se mostrou muito prestável e cordial a Belmiro, e, pensando bem agora no assunto, Belmiro entende que o vizinho de cima sempre se mostrou excessivamente prestável e cordial. Não que Belmiro fosse homofóbico, nada disso, Belmiro respeitava todos os Homens e as suas fobias, só não gostava era de paneleiros, maricas e larilas. E o seu sexto sentido (que digamos que é algo muito másculo, só que não), adquirido após a realização de uma formação de mais de mil horas a captar sinais dos adversários a jogar à Sueca, "dizia-lhe" que havia algo de errado com o vizinho de cima, no que toca a mulheres claro. Porque apesar de tudo, e era o menos mal nesta situação toda, bom gosto musical, lá isso, o vizinho de cima tinha. Belmiro também gostava muito da I Want to Break Free dos Queen, assim como a Maneater dos Hall & Oates, I Will Survive da Gloria Gaynor, a Believe da Cher e, finalmente, a fechar o top 5 das suas músicas prediletas, a Go West dos Pet Shop Boys. Sim, Belmiro também era homossexual, só que desconhecia essa sua condição. Vá, melhor dito, estava em perpétua negação.

 

O dia foi passando, normalmente, para Belmiro e para o resto do mundo também, excepto para os nerdzinhos da NASA que se encontravam todos em exuberante extâse em fila indiana para as casas de banho, onde, um a um, iam todos "bater píveas" de entusiasmo (uns), de alívio (outros), de nervosismo (uns outros) e de carência afetiva do sexo feminino (todos eles). No decorrer do seu dia, enfiado num cubículo a olhar para um computador, executando as tarefas, que consistiam o seu trabalho diário, de forma mecânica e automática, Belmiro foi como "forçado" a entrar no espírito de exaltação interplanetária pelas imagens obtidas de Plutão. Levantou-se uma centelha de curiosidade. Belmiro quis saber mais sobre o pequenino Plutão.

 

Após a leitura, na Wikipédia, dos primeiros três parágrafos sobre Plutão, a centelha de curiosidade desperta em Belmiro, transformou-se numa demanda, numa séria investigação por parte de Belmiro sobre o passado deste pequenino planeta. Plutão era agora, como uma espécie de protagonista de uma série televisiva, e Belmiro, como espectador fiel e comprometido que era não descurava qualquer pormenorzinho que lhe revelasse mais e mais sobre a "vida" do seu protagonista. Bem, na realidade não foi nada disto que se passou. O que se passou, foi que Belmiro leu na Wikipédia que Plutão era um planeta, e depois passou a ser um planeta-anão por imposição de terceiros sem ter sido sequer consultado, isto fez Belmiro lembrar-se do Tyrion Lannister de Games of Thrones, a sua série preferida, em que por acaso esta personagem ocupa um papel central na trama e, à semelhança de Plutão, também é anão, só que ao invés de planeta-anão, é só um anão.

 

Bastou dez minutos e a Wikipédia para crescer e inflamar dentro de si um ódio inestimável à União Astrónoma Internacional, por ter decidido, sem direito a referendo (que Belmiro achava ser necessário uma vez que para ele a gravidade da questão compara-se à situação na Grécia onde as pessoas morrem de falta de dinheiro porque não têm tempo para morrer de fome), a despromoção de Plutão, deixando este de ser considerado o 9.º planeta do Sistema Solar para passar a ser considerado um planeta-Tyrion Lannister, desculpem, um planeta-anão. Ainda o dia de trabalho estava a terminar para Belmiro e já este tinha assinado 17 petições públicas para devolverem Plutão ao seu "estado natural". Umas clamavam por justiça para Plutão, outras clamavam a independência de Plutão, havia ainda uma petição que era para que chegasse à Assembleia da República uma proposta de lei que descriminalizasse os casos em que um adulto sentia por um menor um "amor plutónico", tinha duas subscrições, a do autor, um pedófilo condenado a cumprir pena em Custóias, e de Belmiro que era frontalmente contra a pedofilia, mas que subscrevera porque achara que a palavra "plutónico" remetia para a temática de Plutão, quando na verdade, não passava apenas de um erro ortográfico (entre muitos) dado pelo tal pedófilo condenado, que coitado, só tinha a 4.º (antiga) classe. Belmiro subscreveu também uma petição para acabar com os colchões de penas de pato, mas esta apenas o fez, por partilhar da dor do autor da petição, uma vez que Belmiro sofria de uma "escoliose". Patologia a que Belmiro atribuíra a culpa, a um colchão de penas de pato, instalado na cama onde pernoitou por duas noites, quando passou um fim de semana na casa de uma sua tia-avó (que não lhe recorda o nome) em Vila Verde de Ficalho, no município de Serpa.

 

Quando já se fazia tarde, Belmiro ao chegar a sua casa, teve o choque da sua vida, naquele dia claro, ao descobrir que o seu vizinho de cima era, efetivamente, pandula, ou não tivesse sido Belmiro "forçado" a ter que partilhar o elevador com o seu dito vizinho e o seu suposto namorado, um cabo-verdiano de cerca de 1,90m de altura, com umas calças pretas, brilhantes, em cabedal que dava pelo nome de Erivelto. Belmiro transpirava. Assim que o elevador (ou ascensor), deu sinal de chegada ao seu piso, Belmiro atravessou-se, rudemente, pelo meio do homocasal, dando tempo a estes ainda de ouvirem Belmiro bater furiosamente com a sua porta. Teve Belmiro sorte em Erivelto não ter ouvido os impropérios que este lhe chamou, baixinho, após já estar dentro do seu "doce lar", se não Belmiro era capaz de levar um Ippon e ficar estatelado no chão, não fosse Erivelto, além de chupa-pilas (segundo as palavras de Belmiro ao padeiro no dia seguinte), cinturão negro em Judo.

 

Belmiro, jantou, ao contrário do usual, acompanhado. Não por uma companhia em forma de pessoa per si, mas sim a companhia dos gemidos que vinham do vizinho de cima. Resultado? Menos um prato de cozinha no enxoval masculino e solteiro de Belmiro, ao mesmo tempo que este furioso e resignado deitou-se sobre a sua cama de headphones nos ouvidos. E enquanto esperava, pacientemente, pelo sono que o transportasse para o dia seguinte, ao som de Dancing Queen dos ABBA, Belmiro mudou o fundo do ambiente de trabalho do seu computador.

 

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 Nada gay, portanto.