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demagogia de bolso

Convencido . Corrompido . Corrosivo .

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Uma voltinha no Swing

swing.jpg

 

São 4.30h da manhã, quando começo a escrever este post.


Ia desligar o computador, quando deparei-me com uma reportagem do JN sobre a prática do Swing (troca de casais). Sou sincero, perdi logo toda e qualquer vontade de desligar o computador. Para eliminar esse pré-juízo que acabou de se formar na vossa cabecinha intolerante a ler esta última frase, vou dedicar um longo texto a "dissecar" essa reportagem, e mais importante, essa realidade.

 

Antes disso, um aparte acerca da minha pessoa. Eu sou um jovem de vinte e três anos, solteiro, responsável, conscencioso, livre e livre de preconceitos (são duas conotações distintas e necessárias de separação fáctica). Tive uma educação puramente familiar e informal, pautada pela liberalidade responsável com ligeiras nuances de uma educação cristã, numa óptica de: já és crescido, és capaz de tomar as tuas próprias decisões, pensar pela tua própria cabeça, desde que sejas homenzinho para te responsabilizares e arcares com as consequências dos teus atos. Sempre vivi sobre este motto, sempre o pratiquei, e acredito piamente nele. Dito isto, no campo sexual, considero e defendo, que não há limites pré-definidos. Cada um, e principalmente, cada dois (casal), devem ter os seus limites bem definidos sendo a palavra de ordem aqui a consensualidade. Daí que, seja um aberto defensor de toda e qualquer prática sexual ou inferida nesse campo, não querendo dizer com isto, e ressalvo este pormenor, que seja adepto de tudo. Por exemplo, eu sou defensor da prática do sadomasoquismo, por quem gostar desse tipo de práticas/fantasias/fetiches, mas não sou nada adepto disso, ou seja, não quero isso para mim. Acho que fui claro.

 

Voltando à reportagem:

 

Não querendo estar aqui a elaborar uma posição que suplante a própria reportagem em dimensão, vou tentar ser sucinto naquilo que considero importante e relevante. Assim sendo, vou adoptar uma metodologia esquemática, ponto por ponto.

 

1.º ponto - O mais importante de todos. O swing, é uma prática, maioritariamente, de relações sexuais que envolve a troca de casais. Ao contrário do que a maioria da sociedade pensa, as pessoas que o fazem, de forma responsável e consensual, são na sua quase exclusividade, casais estáveis e felizes, que simplesmente procuram novas formas conjugais de explorarem as suas fantasias/limites sexuais. Aquele mito de: "Ah, se visse o meu homem com outra mulher, é porque ele não gostava de mim". Mentira, se a troca de casais acontece de forma consensual, nem se trata de ser uma traição permitida.

 

2.º ponto - Decorrente do primeiro. Ao contrário do que se pensa, há benefícios encontrados na relação dos casais que praticam swing, ao contrário, mais uma vez, do que a sociedade maioritária pensa. E encontra-se, cientificamente provado.

"Ana Durão concluiu recentemente um estudo sobre o tema. A investigadora da Universidade Portucalense, no Porto, pretendia não só compreender o estilo de vida swinger, mas também avaliar até que ponto os casais envolvidos neste tipo de relação aberta são ou não mais felizes do que os que pautam o relacionamento pela monogamia normativa. As conclusões foram claras: os casais swingers revelam índices mais elevados de felicidade na relação, de satisfação sexual, bem com maior intimidade física e psicológica do que os casais com exclusividade afetiva e sexual."

 

3.º ponto - O factor crucial reside na comunicação entre o casal.

“Os casais swing transformaram o que é uma experiência individual, em que um dos elementos procura novos estímulos eróticos, numa estratégia de casal. O swing, por si só, não é a resposta para superar as crises conjugais, mas exige um acréscimo de comunicação que é muito positivo.”

 

4.º ponto - As regras são claras: sexo puro e duro, sem floreados emocionais, consentido e mútuo. Outras regras são o uso obrigatório do preservativo e a rejeição completa de qualquer forma de violência. Que é como quem diz, não há cá amantes. Não se trata de carências, nem de procurar aquilo que não se tem em casa.

 

5.º ponto - Dado o nível de ostracização com que a sociedade castigaria todos aqueles que fossem descobertos envolvidos nestas práticas. O swing, ou a sua prática, envolver um elevado grau de secretismo. Sendo que grande parte da comunidade swinger se corresponde via online, e dado o carácter sigiloso dos estabelecimentos ativos destinados para esta prática as regras e o controlo na admissão de membros é bastante apertada e reservada.

 

6.º ponto - A comunidade swinger portuguesa conta já com cerca de cinco mil casais activo, estando este número em franca ascenção, encontrando-se cerca de dezassete mil candidatos em processo de validação. Aos poucos as barreiras vão se quebrando, havendo uma maior democratização, massificação e disseminação entre a sociedade portuguesa.

 

 

Como já referi anteriormente (ver supra), sou completamente a favor do swing. Não querendo com isto dizer que seja adepto ou praticante. Mas para que não me olhem como um prevertido, caso pertençam a maioria da sociedade que repugna estas "atividades", fica aqui o esclarecimento de que nunca me envolvi numa prática, em âmbito sexual, que extrapolasse o "cordão umbilical" da monogamia. No entanto, não digo que "desta água não beberei", até porque, sendo sincero, não gostava de morrer sem experimentar (eu a abrir o livro sobre a minha vida privada). No entanto, dependeria sempre da vontade final e consensual entre mim e a minha futura esposa (se a vier a ter). Por isso, mulher dos meus sonhos, se estás a ler estas palavras começa já a pesquisar sobre esta matéria, para depois quando estivermos a discutir os prós e os contras, a balança caia para o lado dos prós, sendo os únicos contras algo do género de: "contra uma parede", "contra a máquina de lavar roupa", "contra um provador da Zara", "contra o banco de trás de um Range Rover", e por aí fora. Salientar ainda, que embora seja contra a ostracização de quem pratica swing nos dias que correm, entendo que esta prática deve ficar confinada a "clubes" ou casas particulares destinadas a esse propósito, uma vez que a vida sexual das pessoas corresponde a um direito à reserva da vida intíma e privada.

 

Para concluir, citar os quantos pormenores que em toda esta seriedade com que foi tratado o assunto, acho extremamente importante salientar:

 

- Dos 25 clubes destinados ao swing, 10 deles encontram-se na Grande Lisboa, o que não surpreende, e 6 no Porto. Aqui é que está o engraçado, destes 6 clubes do Porto, 4 situam-se em Valongo. Valongo. Mas quem é que abre um antro de lascividades em Valongo? Na senda dos Gato Fedorento, posso então dizer que: gajas boas é em Ermesinde, gajas frescas é em Valongo (acompanhadas dos respetivos parceiros claro).

 

- A dada altura, a pessoa responsável por esta reportagem refere: "O swing deixou de ser uma prática secreta de um número restrito de casais como Catarina e Manuel, em casas alugadas em locais recônditos." Pois bem, já deu para perceber que Direito não é o forte do sujeito. As casas não se alugam, arrendam-se. Perdi metade do "tesão" ao ler isto, o que me desanimou quase por completo. Mas, depois de tanto levar na cabeça em Direitos Reais, mau era se não aplicasse isto na prática. Além disso, dizer que o swing deixou de ser uma prática secreta em locais recônditos é claramente falso, visto que para swingar aqui no Norte quase que é forçoso ter de ir a Valongo. Mais recôndito do que Valongo, só se fosse em Vila Velha de Ródão.

 

- "Adoro ver o meu marido com outra mulher. Dá-me prazer". Diz Catarina (nome fictício), de 42 anos. A prova viva de que vale a pena lutar para encontrar a nossa Cinderela ou Bela Adormecida. Mulheres destas devem ser raríssimas. Trocava já uma destas por um bilhete premiado do Euromilhões (dos baixinhos claro). 

 

- Sendo o início do processo, na sua maioria, online. Impõe-se a criação de um perfil e a adopção de um nickname. Aqui se vê a diferença entre os swingers e os gajos esfomeados. É favor evitar nicks do género: "vouapanhalastodas69" , "casalamigo" (não enganam ninguém) , "àprocuradealgo" , "Manel" ou "QuimZé" (não é preciso explicar pois não?).

 

- O interesse académico que este tema suscita. Acho uma piada chegar a imaginar os putos na escola: "Eu quando for grande quero estudar o porquê dos meus vizinhos do 4.º esquerdo terem tantos amigos e fazerem tantas festas. Todas as quartas-feiras à noite, vai lá a casa um casal diferente jantar". Agora a sério, fazer uma tese de mestrado sobre isto?

(Entrevista de emprego)
"Quais são as tuas habilitações?"

"Sou mestre em Psicologia Sexual, especializada no estudo do coito do Homem A na Mulher B, enquanto a Mulher A é alvo de coito do Homem B"

"Tens habilitações a mais desculpa. Só precisamos de um repositor de stock no corredor das bebidas."

"Ok, obrigado à mesma pelo tempo dispensado."

"Ora essa, boa sorte para o futuro."

 

- Uso obrigatório do preservativo. A maioria destes casais encontra-se na faixa etária dos 30 aos 40 anos. Muitos deles têm filhos que desconhecem por completo o mundo sexual paralelo dos seus pais. Ainda bem que assim é, podia-se revelar uma tarefa hercúlea tentar descobrir quem é realmente o vosso pai.

"Mas que conversa é essa que o teu pai não é teu pai Joãozinho?"

"Oh mãe, mas eu sou louro de olhos azuis e o papá é, é.... É preto."

"Está mas é calado e come a sopa, nasceste em Novembro e chovia muito, o sol estava escondido e por isso nasceste branquinho. Até me lembro que nevava e tudo nesse dia."

"Mas oh mamã, na escola dizem que eu sou filho do padeiro."

"Que disparate Joãozinho! Tu és filho do teu pai. Não é à toa que tens o apelido do teu pai. João Tibúrcio Savimbi. Além disso, o padeiro tem uma filha quase da tua idade e que estuda na tua turma."

"Pois mamã, eu sei que ele não podia ser meu pai e pai da Beatriz ao mesmo tempo."

"Estás a ver? Era impossível."

"Tens razão mamã, os meus colegas é que são estúpidos, também dizem que o pai da Beatriz não é o padeiro porque ela é preta e ele é louro de olhos azuis. Dizem que o pai dela é o carteiro."

"Deixa de dizer asneiras Joãozinho! A Beatriz nasceu mais escura porque nasceu no Verão."

"Tens razão mamã, obrigado. Posso ver televisão?"

"Podes Joãozinho."

"Mamã, só mais uma pergunta."

"Diz lá."

"O papá não é carteiro?"

(A mãe dá um estaladão ao Joãozinho)

"Eu disse-te para estares calado e comeres a sopa."

 

 

E pronto, era só isto. Uma última nota apenas para dizer, que embora possa não parecer, mas desde pequeno que sempre tive contacto com o Swing. Todos os anos ali na última semana de Abril e na primeira semana de Maio, tinha o Swing montado lá na minha cidade. Mas isto sou eu, que ainda sou do tempo em que o Swing era um carrossel, e o máximo de troca de casais que havia, era quando me sentava numa das "carruagens" (chamemos-lhe assim à falta de melhor palavra que agora não me vem à cabeça) para duas pessoas, e calhava-me sempre, sentando-se ao meu lado, um gajo qualquer que vinha sozinho porque a namorada não queria andar porque enjoava. E assim, por cerca de 5 minutos, havia uma efetiva troca de casais a ocorrer naqueles compartimentos, ainda que involuntariamente, porque dada a velocidade atingida ao mesmo tempo que eramos elevados lateralmente, acabávamos por escorregar para cima da pessoa que ia do lado de dentro, o que, sendo dois homens que não se conhecem de lado nenhum, acaba por acrescentar um toque, petit peu, gay. 

 

P.S: por favor não cometam o mesmo erro que eu. Não coloquem no motor de busca do Google as palavras swing  e sexo, juntas, na demanda inofensiva de encontrar uma imagem sugestiva (não explicíta) para juntar a este post. Vai correr mal, principalmente se o fizerem com pessoas ao lado.

 

5.45h da manhã. Boa noite.