Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

demagogia de bolso

Convencido . Corrompido . Corrosivo .

demagogia de bolso

Convencido . Corrompido . Corrosivo .

Bons dias Matosinhos

Encontro-me, neste preciso momento, a caminho de Matosinhos. É uma terra da qual gosto muito, ainda que de certa forma inexplicavelmente. Quem me conhece sabe que adoro a cidade do Porto. De facto, não há cidade que se compare à Invicta, isto na minha modesta forma de pensar. No entanto, tenho um carinho especial por este cantinho piscatório. Desde pequenino que conheço Matosinhos, especialmente a zona da lota, como a palma da minha mão. E embora com o passar do tempo deixe de lá ir com tanta frequência, ainda assim o encanto mantém-se. Não se trata do cheiro a mar nem a peixe (que eu evito sempre que posso, visto que não sou mesmo nada apreciador), não se trata de monumentos ou marcos culturais, também não é porque tenha algum tipo de ligação afetiva a Matosinhos. Daquilo que gosto mesmo em Matosinhos, é das pessoas. Do que consigo apreender e captar delas e guardar em mim. Encaro-as como as pessoas mais bipolares do mundo. E adoro isso nelas. Em 30 segundos passam de insultos a abraços com a mesma pessoa, e sempre sem perderam a boa disposição. É fascinante. Os níveis de hospitalidade roçam o máximo, e não, não estou a falar dessas Marisqueiras chiques, onde volta e meia encontramos figuras ilustres do Porto, como o nosso Presidente PdC, Manuel Serrão ou até craques da bola. Falo daqueles pequenos tascos, aqueles que servem broa como entrada, e onde pode faltar tudo menos um copo de vinho. Isso e moscas a voar por lá. Mas claro que quando nos encontramos num sítio mágico desses, e como um regresso as origens, pelo menos no meu caso, sinto logo como se tivesse em casa dos meus avós ou bisavós. Aquele "cheiro" a intimidade entranhado nas paredes, no sorriso dos pescadores de tez torrada na fronte fruto de largas temporadas passadas em alto mar na faina, no seu ganha pão, ou então nas vozes esganiçadas das varinas que em caixotes de esferovite vão fazendo publicidade artesanal ao seu peixe "fresquinho". A simplicidade característica de um povo que vive o seu dia a dia ao sabor das ondas que embatem nos cascos dos barcos e navios que se vão dispersando pelo porto de Leixões. Matosinhos é um tesouro, guardado na alma da sua gente, na alegria das suas ruas, no cheiro das suas paredes, no voo das suas gaivotas, nos seus barcos e nas suas redes e na azáfama que se extrai das lotas. Bons dias Matosinhos