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demagogia de bolso

Convencido . Corrompido . Corrosivo .

demagogia de bolso

Convencido . Corrompido . Corrosivo .

Quem salvaguarda o meu futuro?

Há bocadinho, ouvindo atentamente a entrevista a António Costa, dei por mim a concordar com muitas coisas do que ele dizia. Estava, a meu entender, com um discurso coerente e bastante modesto até. Só que depois fiquei com medo. A partir do momento em que ele diz e passo a citar: "Já deu para ver que este modelo de austeridade fracassou. Basta de experimentalismos. Temos de voltar ao básico." Confesso que fiquei apavorado. Mesmo não concordado com o modelo actual, em muitos pontos, digam-me, não foi o básico que nos levou até aqui? E não distingo lados, seja direita ou esquerda. Daquilo que vejo, e essencialmente me lembro, foi o caminho "básico" levado pelos governos de outrora que nos trouxeram à situação insustentável que este Governo herdou, e atenção, que o Governo anterior do N.º44, não é o maior culpado. Acredito piamente, que também eles tentaram colocar um travão, só que lá está, não dava para parar a carruagem com o modelo "básico". Agora, andamos a pagar os erros cometidos pelos governos anteriores, quer da direita e da esquerda repito, no entanto, o povo tem a memória curta, e como tal o N.º44 é visto como o Diabo, mas não é. Os piores são aqueles que agora apontam o dedo e que na altura deles podiam ter evitado a calamidade em que nos encontramos agora. Eles sabem quem são: Ferreira Leite, Bagão Félix, G. de Oliveira Martins, Teixeira dos Santos, o falecido Sousa Franco, Eduardo Catroga, Manuel Pinho, Jardim Gonçalves, Ricardo Salgado, entre tantos outros. Tantos que ao longo dos anos, ocuparam cargos governamentais, institucionais, posições chave no sector da banca. Já para não falar de autarcas agarrados ao poder quais autênticos Salazares, ou então dos lobbys de grandes escritórios de advocacia. É vê-los em todo o lado. Até no Sindicatos, símbolos da resistência, e da vitória do povo sobre os regimes, mas que mesmo assim tinha o mesmo líder há mais de 30 anos. Portugal, continua e há-de continuar a ser o País de Salazar e de Cunhal, da direita e da esquerda, do PS e do PSD, como o futebol é do Ronaldo e do Messi. A obrigação e o dever de "lutarem" e governarem pelo bem superior de um povo, que se exausta diariamente na tentativa vã de dar um rumo melhor aos seus filhos e netos, esbarra nos conflitos de interesses, nos debates demagógicos, nas moções de confiança, nos acordos bilaterais, nas PPP's, nos "swaps", nas holdings, nos bolsos do "Rei" de Angola, e em tantos outros cantos recônditos, onde a luz da opinião pública não chega, e assim, com as "negociatas" de bastidores a ocorrerem de modo continuado e perpétuo, lá vamos nós caminhando para mais umas eleições legislativas. As campanhas estão à porta, e todos eles, quais vampiros com os dentes afiados, ultimam a estratégia para enganar o povo mais uma vez. O Passos Coelho não é a solução. O António Costa não é a solução. Nem o Portas, nem o Jerónimo, nem nenhum dos cerca de 230 deputados que por lá andam a apostar o nosso futuro. A solução não tem nome, nem partido, nem orientação política. Desengane-se quem pensa o contrário. A solução não pode passar por isso. A solução só podem ser valores, e os valores estão em nós, no nosso sangue, e temos de os trazer cá para fora: sacrifício, honradez, seriedade, transparência, e acima de tudo, acima de qualquer um destes, COMPROMISSO. Compromisso com aqueles a quem devemos. Compromisso com aqueles que nos devem. Compromisso com quem nos ajuda e nos pede ajuda. Compromissos com os PALOP, não com famílias ricas de Angola (Van Dúnen e Dos Santos). Compromissos com a União Europeia e os seus estados-membros, não com as ideias da Merkel ou com os améns de Junckers e outros que por lá andam. E compromissos com o povo português. Compromisso com os portugueses, não só com aqueles que moram ali ao pé do Terreiro do Paço, ou perto dos Aliados, mas com os portugueses de Vila Praia de Âncora, da Régua, de Valpaços, de Serpa, de Vila Velha de Ródão, de Satão, de Olhão, da Marinha Grande, de Freixo de Espada à Cinta. Mas não só estes. não esquecer os portugueses de New Jersey, de Toronto, de Paris, do Luxemburgo, de todos os cantões da Suíça, dos que restam em Macau, dos que já partiram para Angola, Moçambique e Cabo Verde.

Em todo o lado do mundo onde houver um português, há um dever e uma obrigação incindível e inquebrável de quem nos governa, de zelar pelos seus melhores interesses, e fazer tudo o que está ao alcance para que o "povo", esta grande enchente, esta grande moldura humana, esta raça mística de gente, continue mais do que feliz, a sentir orgulho de ser português. Porque podem nos tirar tudo, menos o orgulho de ser português. E este orgulho, está nas páginas de Saramago, nos fados de Amália e do Carlos do Carmo, nos golos do Ronaldo e do Eusébio, no Abril de Salgado Maia, nos poemas de Manuel Alegre, no ouro da Rosa Mota e do Carlos Lopes, na bicicleta de Joaquim Agostinho, nas conquistas do Benfica e do Porto, nas palavras de Fernando Pessoa, nas investigações de António Damásio, na contestação da Catarina Eufémia, nos filmes de Manoel Oliveira, na sabedoria de José Hermano de Saraiva, no riso de Raúl Solnado, nas caravelas de Vasco da Gama, nas acções de Aristides de Sousa Mendes, nas canções de Zeca Afonso, nos sermões do Padre António Vieira, na guitarra de Carlos Paredes, nos autos de Gil Vicente, nos poemas de Bocage, nos quadros da Paula Rego, nas construções de Siza Vieira e na pena de Camões.

Se podemos ter orgulho em todas estas figuras, porque não podemos ter também orgulho em quem nos governa? Custa muito "servir" o povo? Portugal não é a Assembleia da República, nem é Lisboa. Portugal somos mais de 10 milhões por todo mundo fora. Portugal é um jardim plantado à beira-mar.


Camões escrevia:

"As armas e os barões assinalados
Que da Ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca dantes navegados
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados
Mais do que prometia a força humana
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram"


Já fomos tanto, e agora somos tão pouco.
Não está na hora de querermos mais? Sermos mais? Fazermos mais?


Eu não quero um Passos Coelho. Não quero um António Costa. Nem quero outro qualquer. Quero um futuro. Quero um futuro em e para Portugal. É só isso que eu peço. E é por isso que eu voto.

É pedir demais?